domingo, 12 de maio de 2019

[Pensando alto] Laura, Trump, Bolsonaro e o gigante sentado

Pedro Frederico Caldas

Um povo corrompido não pode tolerar um governo que não seja corrupto.
Marquês de Maricá

O melhor governo é aquele em que há o menor número possível de homens inúteis.
Voltaire

As promessas de ontem são os impostos de hoje.
William Makenzie

Um amigo me perguntou por que uso títulos tão estranhos para meus textos. Respondi que não sei. Pronto. Cada um que procure unir os pontos de coisas aparentemente distintas. A tentativa poderá conduzir a conclusões as mais diversas.

Vou começar pelo fim. O gigante sentado é o Brasil.

Laura (Laura Anne Ingraham) [foto] é uma mulher linda, culta, inteligente, tem um programa de rádio (talk show), retransmitido por 360 emissoras e um programa de entrevistas e opinião na Fox News (The Ingraham Angle, de segunda a sexta, às 22h), é conservadora (conservative), não casou, gosta de namorar e tem três filhos adotivos. Ganha milhões por ano. Uma mulher de fazer babar qualquer marmanjo.


Pois bem, ela apoia Trump. Ano passado, durante um programa, desceu o malho em Trump. Criticava-o por ter indicado somente mais de cem assessores dentre os mais de mil que deveria ter indicado no início do mandato, como costumam fazer os presidentes eleitos no ano inaugural. Disse que Trump estava mostrando lentidão e que o tempo estava passando e ele não formava a equipe necessária para bem governar.

Trump, que adora ela, respondeu que não estava sendo lento e que simplesmente não indicaria o resto que faltava. Não eram necessários. Parecendo ter lido a frase de Voltaire, foi tocando de forma eficiente o seu governo.

E por que estou fazendo toda essa digressão? Porque Bolsonaro, para os costumes políticos brasileiros, deu uma de Trump. Abdicou de nomear dezenas de milhares de “cargos de confiança”, uma das maiores safadezas políticas brasileiras, uma forma legal de cometer corrupção. Palmas para ele.

Como meus parcos leitores já sabem, passei, no mês passado, quase vinte dias no Brasil. Conversei com muita gente e fiquei atento a tudo que se passava na imprensa e nos círculos governamentais.

De início já posso dizer a vocês que Bolsonaro, como Trump, tem sido alvo de intensa e insidiosa campanha da imprensa brasileira, coalhada de esquerdistas paridos por geringonças chamadas faculdades de jornalismo. Mesmo órgãos considerados, no passado, conservadores têm suas redações controladas pela esquerda.

Declarei meu voto a Bolsonaro em extenso artigo em que alinhei as razões que me faziam excluir os demais candidatos. As razões do meu voto, examinado tudo o que o governo tem feito ou está tentando fazer até agora, persistem.

Na verdade, acho que há ministérios de mais (22), mesmo comparados aos 39 da era petista. Embora tenha minhas balizas ideológicas, sou um realista. Sei que Bolsonaro precisou fazer algumas concessões para não aguçar a indisfarçável má vontade dos partidos políticos e das casas congressuais, repletas de gente que só pensa em vantagens pessoais e que está se lixando para os interesses do País.

Não colocou ladravazes à frente dos ministérios. No geral, os nomes são bons: gente de conhecimento técnico e honradez, principalmente aqueles que não são políticos de carreira.

Mas, a joia da coroa está na área econômica. Comandada por Paulo Guedes, a área econômica é um viveiro de grandes economistas, todos afinados em pensamento e ação, ligados aos princípios econômicos liberais praticados pela maior escola do pensamento econômico, conhecida como Escola de Chicago, berço dos maiores prêmios nobel de economia e que tem como figura central o grande Milton Friedman, inspirador da revolução econômica implementada no Chile pelos famosos “Chicagos Boys”, nos Estados Unidos por Reagan e na Inglaterra por Margareth Tatcher.

Tudo o que é possível fazer sem recorrer ao parlamento está sendo feito. Quase todos os dias são editadas normas facilitando a vida de quem trabalha e produz, ou são revogadas normas que travam o empreendedorismo. O conjunto das medidas já tomadas e das que virão visam a impulsionar a economia.

Bem sei que é difícil para o homem comum do povo entender o que está sendo feito. Somente o efeito prático que será sentido no médio e longo prazos tem o poder de convencer que o País está melhorando. Mentes e corações só serão conquistados quando o desemprego começar a cair e os salários assumirem uma curva de alta.

O povo está acostumado, desde a retomada do poder pelos civis, a governos que chegam com planos mirabolantes, causam uma sensação de melhora, para, ao depois, vir o desastre econômico. Essa equipe econômica jamais fará algo semelhante. Simplesmente porque isso nunca funcionou e nunca funcionará.

O déficit fiscal tem que ser obrigatoriamente equacionado, ou tudo dará errado. Eu diria que a grande cartada é a reforma da previdência. Sem ela os agentes econômicos, que não são idiotas, sabem que nada será solucionado. O Brasil não pode conviver com um déficit nominal de quase dez por cento do produto interno bruto, em grande parte formado pelos cerca de 300 bilhões do deficit previdenciário.

Nos próximos meses veremos se o atual congresso estará à altura do que dele se espera. Se for aprovada uma boa reforma, virá em sua esteira a formação de fundos previdenciários que, como ocorreu no Chile, será o instrumento, pelo imenso montante de recursos que serão aportados, de financiamento de empreendimentos a juros baratos e longo prazo.

Há uma solerte manobra entre setores do funcionalismo público e da classe política, beneficiários que são de um sistema previdenciário injusto, inviável, perverso, sustentado pelo povo, numa inversão de valores que coloca a massa trabalhadora, autônomos e os empresários em geral como escravos do setor público, ou seja, escravos daqueles que deveriam ser seus servidores. Fiquem de olho. Jamais dirão que estão defendendo seus injustificáveis privilégios previdenciários. Fingirão sempre estar defendendo os interesses do povo.

Feita uma boa reforma, na sequência poderão vir profundas reformas tributária e trabalhista para que o País possa, finalmente, caminhar num rumo certo em que a economia melhorará ano a ano.

Não vou aqui listar os feitos do governo, principalmente os da área econômica, porque há um portal governamental em que as medidas são listadas, na proporção em que são tomadas.

O rearmamento das pessoas de bem para possibilitar o sagrado direito à legítima defesa depende, basicamente, de lei a ser aprovada pelas casas legislativas, revocatórias das restrições em curso. No particular, o que o governo pode fazer através de decretos e atos administrativos, já foi feito.

Os “especialistas”, sempre consultados pela mídia ideologicamente engajada ou contrária ao governo, normalmente continuarão a levantar o argumento, na suposição de que você é um idiota, que a pessoa não tem que se defender, que a defesa do cidadão é dever do Estado. Então, segundo eles, ficamos assim: o Estado colocará na porta ou na companhia de cada pessoa um policial fortemente armado. Se você acredita nisso, acreditará também em cegonha e em Papai Noel. Só uma postura mais dura e o apoio a iniciativas mais duras da polícia fez reverter o crime em quase 30%, mas a imprensa não festeja tão bom resultado, ocupada que está em dar relevo a fofocas e falar mal de quem diz acreditar em Deus, hoje, um pecado capital nos meios jornalísticos e universitários.

Vejam bem o que se passa na Venezuela. O povo desarmado na rua sendo alvo daqueles que o deveriam defender. Foi para evitar o levante popular que lá, como cá, se desarmou, desde o início, a população. O desarmamento da população era uma das primeiras medidas tomadas por governantes ligados ao chamado Foro de São Paulo, onde, sob a supervisão de Cuba, foi engendrado o plano de socialização da América Latina.

E as brigas do filho de Bolsonaro com o vice?

Coisa para entreter idiotas. Só dá atenção às futricas entre o filho de Bolsonaro e o vice-presidente quem não tem o que fazer. A imprensa abana a picuinha para ver se desvia a atenção das coisas substanciais que o governo vem fazendo.

Seria melhor não haver essa briga de comadres. Acho que o vice-presidente está exercendo um protagonismo que não lhe cabe. Foi eleito por Bolsonaro e deveria, como vice leal, agir como age Mike Pence, o vice de Trump, só ajuda e nunca atrapalha.

Já ao filho de Bolsonaro, que para mim não tem a mínima importância, deveria ter mais maturidade e traquejo político. O resto é picuinha insuflada pela imprensa contrária ao programa presidencial, pelo governo privada dos imensos recursos públicos a que estava acostumada.

E a falta de diálogo com os congressistas? Pura fumaça. O que grande parte quer é nomear apadrinhados para os cargos públicos para poder saquear o erário, ou, em linguagem crua, continuar roubando.

E a homofobia? Isso existe na cabeça de engajados. Ninguém vai matar ou perseguir gays. Ninguém aponta uma só medida, umazinha só, que tenha sido tomada pelo governo contra a comunidade gay. Ninguém vai matar ou perseguir seu filho gay ou obrigar alguém a ter relacionamento heterossexual. As pessoas são livres e devem ser respeitadas, homo ou heterossexuais.

Concluindo, por tudo que vi o governo fazer até aqui, mantenho minha declaração de voto em Bolsonaro, além de constatar que, pela direção tomada, o gigante já está sentado. Se deixarem passar as reformas indispensáveis, será um governo vitorioso e o gigante se levantará. Se tais reformas não passarem, ou passarem como um esparadrapo na ferida, o Brasil continuará na crise interminável a que está habituado e que se agravará dia-a-dia. Neste caso, o gigante, já sentado, voltará a se deitar em berço esplêndido.

Um amigo meu disse que a Argentina e o Brasil não precisam de governantes, precisam de psicanalistas.

Não sendo um gigante e nem tendo psicanalista, mas também sentado em minha cadeira gravidade zero e não vendo a hora de deitar em berço esplêndido, desejo um bom domingo a todos.
Título e Texto: Pedro Frederico Caldas, 3-5-2019
Marcações de Texto: JP

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