segunda-feira, 8 de abril de 2013

[O cão tabagista conversou com…] Aderval Gomes: “ninguém, em sã consciência, pode estar satisfeito com a situação dos aposentados".

Nome completo: Aderval Pires Gomes
Oi, vamos lá! Sempre fui conhecido por Aderval, (apenas quando fiz Tiro de Guerra o Sargento achou que deveria ser "Gomes"), foi a única vez que não fui tratado pelo meu primeiro nome.
Trabalho: comecei a trabalhar muito pequeno, sou de família de agricultores, então, a gente começa cedo, sem compromissos com as obrigações, comecei aos 7 anos, mas para valer mesmo comecei aos 16 anos, e com registro na carteira comecei aos 18 anos. Tive vários empregos até à idade de 21 anos, de servente de pedreiro a auxiliar hospitalar, todos esses trabalhos foram entre São Paulo e Mato Grosso. Nessa época morava no interior de São Paulo, também foram várias cidades, (porque era meio cigano), devo dizer aqui que perdi o meu pai muito cedo, aos 7 anos de idade, eu era o caçula de seis irmãos/ãs, a minha mãe ficou com toda a carga, o que não era fácil. Assim também foram os meus estudos, passei por várias escolas, morei em local que tinha que andar 6km a pé para ir à escola… depois de todas essas andanças vim para o Rio de Janeiro aos 21 anos, entrei para a escola de Marinha Mercante, (já tinha feito um curso de radiotelegrafista na Marinha de Guerra) onde fiz um curso para Rádio Oficial da Marinha Mercante, trabalhei em várias companhias de navegação, os cargos foram sempre o de Oficial de Radiocomunicações, acumulando o de Gestor (uma espécie de comissário) isto após terem acabado com os comissários de bordo da Marinha.
Empresas de Navegação onde trabalhei: Conan, Fronape, onde me aposentei. Depois de aposentado, trabalhei na Tupy Nave e Docenave.
Me aposentei em março de 1990 aos 53 anos de idade.


Quantos irmãos e irmãs?
Nós éramos seis, dois irmãos e quatro irmãs, mas vivos só somos três, eu e mais duas irmãs mais velhas.

Se aposentou cedo, não?
É, mas já estava com 37 anos e 8 meses de contribuição…
Você pode não acreditar, mas tive um amigo (comandante) que se aposentou com 37 anos de idade e 30 de serviço proporcional, como ele conseguiu essa proeza não sei te dizer. Tive outro amigo, suboficial da Marinha, que também se aposentou com essa idade. Mas na Marinha, na época, se aposentava com 25 anos de serviço e contava o tempo especial de outras áreas.

A bem da “verdade histórica”, eu também me aposentei aos 53 anos de idade. Não que eu quisesse, quiseram por mim, well…
Quando se aposentou dedicou-se a alguma atividade?
Quando me aposentei voltei a trabalhar, comprei um sítio em Santarém/Pará, onde estava morando meu filho, fui tentar fazer alguma coisa, fiquei por lá 2 anos, mas não deu nada certo, meu filho retornou ao Rio e eu tive que retornar, pois a esposa não quis ir comigo e sozinho não dava, isto em 1993. Em 1994 voltei a viajar atendendo a uma solicitação do meu sindicato, fui viajar na Companhia de Navegação Tupy Nave, fiquei pouco tempo, depois fui viajar na Docenave, também uma estatal na época, quando saí de férias sofri um AVC e depois não pude trabalhar mais, isto em 1995. Em 2000 sofri um infarto. Depois desses acontecimentos todos o jeito foi ficar batucando pela internet.

O que mais utiliza na internet?
Enviar e repassar e-mails
Sobre algum tema/assunto em particular?
Pagamentos de contas, compras, principalmente presentes para os netos, enfim, tudo que a internet pode facilitar a nossa vida não tendo de sair de casa, leitura de jornais, revistas, etc…

Você está satisfeito/tranquilo quanto à situação dos brasileiros aposentados?
Claro que não, se estivesse não estaria nesta luta diária pela internet e pessoal com os meus diletos amigos, Artur, Almir, Jorge e tantos outros pela melhoria das nossas condições tanto financeiras quanto de saúde, e tantos outros problemas porque passam os aposentados do INSS que recebem acima do piso (1SM). Você é prova da nossa luta.
Nós, os aposentados que contribuímos até com vinte (20) salários mínimos e hoje, depois do governo e os legisladores seus cupinchas mexerem tanto nas leis que só fazem prejudicar os aposentados. Poderíamos estar satisfeitos? Hoje eu poderia estar recebendo em torno de 18 SM, recebo pouco mais de 4 SM, ninguém, em sã consciência, pode estar satisfeito com uma coisa dessas.


Fale-nos dessa luta, por favor.
A luta pela melhoria dos proventos dos aposentados comecei-a em 2006 quando criei o grupo brasilparavaler no yahoo, comecei devagar cobrando dos políticos, deputados e senadores. Conforme a minha lista de adesão foi crescendo e fiquei conhecendo muitos aposentados interessados na questão, fui melhorando a maneira de lutar, por exemplo: conheci o Oswaldo Colombo grande economista e um dos maiores lutadores pela questão dos aposentados, principalmente no que se refere ao fator previdenciário; conheci a Júlia, outra contadora e brava lutadora pela causa apesar de ainda não estar aposentada; Odoaldo Passos, Orcelino Andrade, esses todos foram no meu começo, agora mais recentemente conheci o amigo José Paulo Resende, um lutador pela causa do Aerus, Artur Larangeira, que elaborou o documento das diferenças entre aposentados do INSS (RGPS) e os aposentados do estado do (RPPS), Jair Moreira, Jorge Moreira e tantos outros que não dá para nomeá-los todos aqui, a lista ficaria muito grande. O Artur me deu a ideia de criarmos o grupo dos aposentados no facebook, e já somamos mais de 5 mil associados entre aposentados e não aposentados, esse grupo vem me dando muita dor cabeça por culpa da incompreensão de alguns que pensam que as coisas se resolvem da noite para o dia. Para você ter uma ideia, só esse documento elaborado pelo Artur demorou uns seis meses ou mais entre ficar pronto e ser encaminhado à FAAPERJ para ser reencaminhado ao MP, mas a luta continua, porque você vai adquirindo conhecimento e superando algumas dificuldades. Nesse ínterim fizemos duas manifestações na Cinelândia as quais me deixaram desmotivado, por também duas razões, primeiro pela falta de interesse dos aposentados, apesar de divulgado através de e-mail e nos grupos do facebook, a segunda é devido ao meu problema de saúde, já tive um AVC e um infarto. Na última manifestação não me senti bem. Em comentário pelo telefone com um colega, minha família tomou conhecimento e me pediu para eu não mais participar de tais manifestações, basicamente a nossa luta tem sido isso aí.


Cinelândia, 23-08-2012, fotos: Paulo Resende

Você acredita nessas instituições que dizem representar (e defender) os brasileiros aposentados: Sindicato de Aposentados, COBAP, FAAPERJ, etc..?
Curto e grosso, não, eles também só querem se locupletar às custas dos incautos aposentados e receber dinheiro do governo, não sei quanto é essa soma, mas não deve ser pouca, eles cobram 1% dos associados, por aí você vê que é uma grana boa, ninguém faz nada de graça, eles não precisariam cobrar dos aposentados porque já recebem do governo e a maioria deles são todos aposentados.

Diga lá, por favor, quem foi o autor da Petição “Sobre a perda aquisitiva dos aposentados” encaminhada à OEA (Organização dos Estados Americanos) pela FAPEMS (Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas do Estado do Mato Grosso do Sul)?
Não sei informar, pois acho que foi feita por um grupo fora do facebook. Conheço virtualmente alguns dos que participaram, me dê um tempo que vou me informar. Nós fizemos uma que foi encaminhada pelo João Sidney que é do nosso grupo no facebook.




“A petição foi elaborada pela Dra. Dagmar, a pedido da FAPEMS, da COBAP, do Instituto Impacto, conforme pode ser observado pelas assinaturas na última página, postado na net.
Espero ter esclarecido suas dúvidas.”
Alcides dos Santos Ribeiro - Presidente da FAPEMS

A carta para a esposa do ex-presidente Lula, Marisa Letícia, enviada no dia 27 de maio de 2010:
Sra. Marisa Letícia:
Prezada Senhora,
Hoje tomei a liberdade de me dirigir à senhora por uma questão muito simples, fui dormir às 02h e acordei às 04h40, sabe por quê? Porque pensei em seu esposo, nosso presidente da república, ele nos prometeu tanta coisa e hoje, infelizmente, passa por uma pessoa que faltou com a verdade para com os seus eleitores. Desde quando ele assumiu a primeira candidatura a presidente em 1989, ele vinha prometendo mundos e fundos aos eleitores, principalmente aos idosos como eu, 73 anos, sou aposentado desde 1990, me aposentei com quase 54 anos de idade, mas voltei a trabalhar, trabalhei mais quase dois anos, mas por força de um AVC e posteriormente um infarto, não pude mais trabalhar. É preciso dizer que eu era marítimo, vivia embarcado, carregando riquezas e divisas para o Brasil, passava até quatro meses fora de casa, não tinha feriado, Natal, Ano Novo, aniversário de filho, enfim, nada disso contava, porque, pensava, todo esse sacrifício vai ser compensado quando eu me aposentar, com quase 20 salários mínimos. Naquela época era para quanto nós contribuíamos, depois, ainda no final do governo Sarney mudaram as leis, começaram a rasgar a constituição, aí, baixaram a contribuição previdenciária para 10 salários mínimos, veio o governo Collor, de triste recordação, exatamente porque tinha me aposentado no dia 1º de março de 1990, ele com seus ministros prendeu todas as minhas economias. Até liberar parte delas, a senhora, como dona de casa, pode imaginar o meu terror em ficar sem dinheiro até para comprar comida, para quem recebia na época quase 30 SM, dá para imaginar a situação. Aí veio o senhor FHC, os seus oitos anos de governo foi uma derrocada para os aposentados, não preciso de dizer, a senhora, como esposa de ex-metalúrgico e depois sindicalista conhece bem essa situação. As nossas esperanças estavam todas jogadas nas costas do sr. Lula da Silva. Ah! quando o Lula entrar vai melhorar tudo isso, vamos ter reajustes dignos, poderemos viver bem melhor, a senhora me perdoe, mas o governo do seu marido foi a maior decepção para nós que trabalhamos tanto para ter uma vida de aposentado digna, porque se contribuímos para o teto máximo, esperávamos que as nossas aposentadorias fossem corrigidas em igual teor, mas a senhora sabe que não é bem assim, os senhores deputados, senadores, nos humilham. Com raras exceções alguns ainda nos defendem, mais agora por interesse próprio, porque vivemos ameaçando-os: se não votarem o nosso reajuste, não votaremos nos senhores. Vem os senhores ministros e fazem um tremendo carnaval em cima do senhor seu marido, para que ele não nos dê esse minguado aumento. Prezada senhora, quando me aposentei recebia quase igual a 10 SM, hoje recebo pouco mais de 4 SM, tomo uma variedade de remédios que mando fazer em farmácia de manipulação, porque não dá para comprar na farmácia comercial, enfim, é lamentável o que estão fazendo conosco, não tanto por esse reajuste de 1.56% que vai me dar um aumento de pouco mais de R$30,00, mal dá para comprar um dos remédios que tomo, são seis por dia!
Bem, senhora, não vou me alongar mais, como dizem que o seu marido não lê as nossas cartas e muitos menos (dizem) os 81 assessores, tomei a liberdade de me dirigir à senhora como mulher e mãe, sei que terá mais sensibilidade para tocar o coração do senhor seu marido, nosso presidente, espero não ter sido deselegante nem mal-educado, eu nunca escrevi para uma esposa de presidente.
Com todo o meu respeito pela senhora,
Aderval Pires Gomes
Aposentado - Rio/RJ
PS: Não estou magoado, apenas triste com a situação.

Marisa e Lula, Desfile da Independência, Brasília, 07-09-2010. Foto: Agência Brasil
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Conversas anteriores:

2 comentários:

  1. É verdade, meu amigo, se fôssemos mais unidos teriam mais respeito, vamos à luta.
    Silvio Zacher

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  2. Prezado Aderval: De todos os aposentados que recebem (ainda...) mais de um salário mínimo, ouviremos sempre queixas idênticas as suas. E não poderia ser de outra forma, porque o trabalhador brasileiro, frustrado, por ter sido enganado no seu período ativo, se sente agoniado pelo seu final de vida, incerto e penoso, sendo obrigado a depender financeiramente dos filhos, netos, enfim, de parentes mais próximos. Vemos o governo abrir a mão com benesses populares e interesseiras, visando unicamente os votos destes beneficiados. Para o aposentado não dá nada, porque a maioria absoluta dos aposentados não vai mais as urnas isentos pela idade. E os que vão votar, um grande percentual prefere anular seus votos, deixando o governo seguro de que os aposentados não oferecem risco na apuração das urnas. Parabéns Aderval, pela entrevista.
    Almir Papalardo.

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