segunda-feira, 22 de abril de 2019

[Foco no fosso] Cem dias sem entusiasmo

Haroldo P. Barboza

Uma terra arrebentada por trezentos anos não será recuperada em trinta anos dentro de uma sociedade onde noventa e nove por cento da população não possui consciência cívica e está contaminada pelo espírito do “deixa pra lá”.

Em três anos, com muita dificuldade, talvez possamos iniciar a faxina para apagar a herança predatória que ocupa nossas mentes e se externa através do “jeitinho para levar vantagem” que nos conduz ao patamar da corrupção.

Em três meses, executar algo concreto (fabricar o “detergente”) não é nada fácil.

Mas os governantes precisam exibir os sinais de que “as coisas vão mudar” e serem coerentes com seus discursos de campanha, adotando posturas que nos sirvam de exemplo.

Entre centenas, vamos citar poucos pontos que não apontam para o caminho do “vamos trabalhar juntos”.

1 – Partido “exemplo”.
Cansados de observarmos as tramoias montadas pelas legendas nacionais, o crescimento do “balão” PSL nos deu algum alento. Agora dá sinais de ser um mero “balão japonês”, por exibir um ministro mentor de candidaturas “laranjas” em Minas Gerais; um senador movimentando altas somas (caixa três?) sem origem clara.
E até agora Queiroz nada explicou para nós.

2 – Furtos dentro do 1º escalão.
Os desvios que sangraram a Petrobras já foram expostos (todos?).
Quando serão expostos os desvios dentro do BNDES?

3 – Combate à violência urbana.
Apreensões de armas e drogas continuam em pequena escala pelo fato de as polícias não possuírem metade dos recursos de que precisam. Nem as regiões habitadas pela “elite consumidora/patrocinadora” está escapando.

A quantidade de facínoras abatidos portando fuzis já superou a marca dois? A morte de policiais caminha para um recorde negativo vergonhoso.

E continuamos não podendo sair de casa após as 21h pois o risco de não voltarmos é elevado.

4 - Condenado em dezembro de 2018 é alçado a ministro do Meio Ambiente! Cruzes!

5 – Exemplo para o mundo (rir).
Votação no “senatório federal” teve votação anulada, contagem errada de votos e “chiliques” para humoristas se fartarem.

6 – Perda para a saúde.
Hospital Estadual Santa Maria pode fechar devido a tiroteios.
Vai sobrar algum aberto?

7 – Amiga da Márcia?
Sogra de vice-governador atendida em emergência.
Quantos, sem planos de saúde, são prejudicados com esta prática?

8 – Segurança urbana.
Numa época em que viaturas (depenadas) não possuem peças e os tanques de gasolina não são abastecidos de forma adequada, PMs são retirados da rua para proteger “gabinetes”.

9 – Cereja do bolo.
Reforma da Previdência sofre nova edição a cada semana. Em todas elas, o povão que paga mais de trinta e cinco por cento de impostos ao longo do ano, sempre é contemplado com a maior parte do sacrifício. Ao contrário dos legisladores, juristas e verbas de mordomias dos palácios governamentais.

Numa etapa de incentivo ao povo, não daria para já receber em dois anos os mais de duzentos e cinquenta bilhões de reais que as empresas (dos amigos) devem à União? 

10 – Tudo pela pátria.
Pelo padrão de políticos que nós temos (oriundos das mesmas “famílias” desde o final do século XIX) espalhados pelo território, vai ser difícil aprovar um projeto apenas para equilibrar as contas dos cofres públicos.

Uma turma que não sabe trabalhar passa o tempo armando mutretas para nos ferrar. Para obtermos aprovação de projetos úteis à nação sem “molhar a mão” dos incautos, vamos levar uns cinquenta anos apenas revisando textos.

Você chegou a anotar temas que pela prática nos dão a impressão de que tudo vai continuar na mesma?
Título e Texto: Haroldo P. Barboza, Rio de Janeiro, 22-4-2019

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