sexta-feira, 26 de abril de 2019

[Estórias da Aviação] O cafezinho

Alberto José


Nas décadas de 70 e 80, eu achava que a pior tarefa a bordo era preparar o café para ser servido no café da manhã. Por deficiência de água quente na econômica, geralmente uma térmica de água quente era preparada na primeira classe e levada perigosamente pelo corredor até à galley da classe econômica.

O café era de marca tradicional, coado em filtro de papel e vertido em outra térmica vazia mas aquecida.

Um dia, eu fiz um café tão bom que duas horas antes do café já havia fila de passageiros para pedir uma "xícara"! 

Muitas vezes, tínhamos que fechar todas as cortinas da galley para tentar bloquear o cheiro gostoso do café fresco que se espalhava pela cabine. atraía os passageiros e chegava até o "cockpit"! Algumas vezes, tive que fazer duas "fornadas" de café fresco pois a primeira acabou antes de começar o serviço.

Alguns colegas, atraídos pelo cheiro gostoso, vinham adicionar algum componente para "incrementar" o sabor do café, como chocolate, brandy, etc. Sempre o café era elogiado.

Com a chegada das máquinas de café no DC-10/11 o preparo do café perdeu o charme e a qualidade. As máquinas, que não podem sentir o sabor e o cheiro do preparo hoje injetam água fervente em um produto selado que parece "resto de café usado", como se pode sentir nos aviões modernos. Acabou o charme do café "feito à mão", que provocava filas de passageiros nos corredores!
Título e Texto: Alberto José, 26-4-2019

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