domingo, 21 de abril de 2019

[As danações de Carina] De quando Zé Palitinho virou chama incandescente e renasceu fósforo


Carina Bratt

Ele, o cidadão Zé Palitinho, ou o Zé Magrelo, hoje em dia, nunca anda só. Não que tenha medo. Jamais! Sempre em turminha, gosta de aprontar acendendo grandes fogueiras. Acondicionado em pequenas casinhas (dessas que, quando um entra o outro necessita ficar do lado de fora), divide o espaço numa multiplicação desenfreada, ao contrário dos anões da Cinderela. Os anões da Cinderela, conforme nos relata a história, são em número de sete. Apesar de pequeno e chupado, raquítico e miúdo, possui quarenta irmãos.

Embora não tenha estudado muito, é um perfeito metaloide combustível. Na obscuridade se torna luminoso e incandescente. Em contato com o ar, produz uma chama azulada. Os primeiros da sua família de pintores de rodapés semelhavam aos gasguitos que, desde sempre passaram a fazer parte do nosso dia a dia.

Num primeiro momento espalharam que o pai de Zé Magrelo era de nacionalidade francesa e tinha como nome de batismo, Chanel. Todavia, coube ao mercador e alquimista alemão Henning Brand, ir ao cartório e registrar o rebento. Brand descobriu seu pequeno filho em 1669, quando brincava de beliscar a bundinha quase sem carne de sua mulher Catarina. Nessas beliscadas, descobriu que fazendo sexo tipo canguru perneta, destilou em sua fogosa esposa, ou melhor, esporrou nela uma mistura de ureia e areia, enquanto revirava os olhinhos em busca da pedra fundamental.

Nessas estocadas, ao vaporizar a ureia com seus espermatozoides obteve um material branco que brilhava no escuro e ardia como uma chama brilhante. O tal do Chanel meio retrógrado, apagava suas mágoas colocando a “cabeça” num frasco contendo ácido. Ao contrário de Brand, esperto e vivaldino, manteve tudo no mais completo segredo.

Quando Zé Palitinho alcançou oito anos, apresentou seu filho aos amigos o que, de supetão, virou notícia em Hamburgo. Para driblar dificuldades financeiras, Brand deu seu primogênito para ser batizado por um sujeito “pica grossa”, cheio do dinheiro, o também alemão Johann Daniel Kraft, que, de primeira, deu um “kraft” no amigo, passando-lhe a perna e se tornando seu mentor intelectual.

Corria o ano de 1675. Dois anos depois, Johann por mediação de Gottfriedd Leibiniz, um pilantra nos moldes de Michel Temer, fechou um negócio fabuloso e trocou, por debaixo dos panos, a paternidade do garoto em barganha de um salário fixo enquanto vivo fosse.

Nesta babel, o Zé Palitinho, foi estudando e, em linha paralela, estudado as escondidas, até chegar aos cuidados de J. E. Lundström, que lhe deu em 1866 a forma semelhante à de um rapaz bem-educado, inteligente e deveras apessoado. Trocado tudo isto em miúdos, Zé Palitinho ou Zé Magrelo se tornou o nosso querido e prestimoso ZÉ PALITO DE FÓSFORO.

E como fósforo adulto, devemos dizer que só em São Paulo existem doze fabricantes que, juntos, produzem doze bilhões de caixinhas, por ano. As marcas mais conhecidas, Fiat-Luz, Argos, Universal, Luminar, Alves & Reis, Andrade Latorre, Dois Anões (fósforos de cores variadas), Comercial de Fósforos e Cia Brasileira de Fósforos, estão a todo vapor. Em 2016, o Brasil ocupava o sexto lugar, no mundo, em reservas de fósforos, com um total aproximado de 800 milhões de toneladas.


Os cinco primeiros países, pela ordem decrescente, são: Estados Unidos da América do Norte, União Soviética, Tunísia, Argélia e Marrocos. Um fato interessantíssimo. Cálculos feitos por vários matemáticos renomados, demostram que o corpo humano contém fósforo suficiente para fabricar 4.000 palitos. Em contrapartida, o fosforo é essencial para a vida dos animais e vegetais. Seu símbolo é “P”, seu peso específico, 1.82. O peso atômico 30,975. Por conseguinte, o número atômico, 15.

Um derradeiro comentário, para finalizar. Embora Zé Palitinho seja brasileiro nato, seu nome vem do velho berço grego, da estirpe dos “phosphoros”.  Dissecando os elementos, chegamos a seguinte conclusão: “phos”, “photos”, significa “luz, lume”. Já “photos”, nos remete a “portador”. Nesse contesto, a etimologia juntando um e outro, ou outra e um, concluímos que os dois acabaram se fundindo em “portador da luz”. Fim de papo. Até mais ver, caríssimas amigas. Fiquem na paz!
Título e Texto: Carina Bratt, de Porto Alegre, RS. 21-4-2019

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