quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Censorship Update: Elon Musk Has Freed The Bee


Readers of the Bee, 

Eight months ago, USA Today named Rachel Levine — a transgender government official — “woman of the year.” It was pretty funny, if we’re being honest. But it was also a slap in the face to real women everywhere. So we fired back, in defense of women and sanity, with a joke of our own:  

“The Babylon Bee’s Man of the Year Is Rachel Levine” 

Twitter was not amused. They locked our account for hateful conduct. “Delete the joke and admit you engaged in hateful conduct,” they said, “and you can have your account back.” 

We refused. We did not engage in hateful conduct. In fact, we used humor to tell the truth, and the truth is not hate speech. So I sent an email to our readers on March 21 vowing to never delete that tweet, even if it meant the permanent loss of our presence on Twitter. 

Thankfully, we never had to delete anything. 

In late October, Elon Musk bought Twitter for $44 billion with a promise to restore balance and humor to the platform. On November 18, he unlocked our account and set us free. Shortly before he did so, he posted one of the most-liked tweets in Twitter history: 

“Comedy is now legal on Twitter.”

The Bee will hit 2 million followers soon. We had 1.5 million when Twitter first locked us up. We now have more followers and reach across all platforms than ever before — not because we acquiesced, but because we stubbornly refused to bend the knee for tyrants

O PSD descolará do socialismo?

Telmo Azevedo Fernandes

Por estes dias muito se tem falado da especialíssima relação entre oligarquia socialista portuguesa e a oligarquia angolana, nomeadamente na facilidade com que Isabel dos Santos tomou posições nos bancos portugueses. Mas o governo socialista também acarinhou politicamente a aquisição do controlo accionista da EFACEC por parte da filha do ex-Presidente de Angola, visto na altura como a forma de salvação da empresa.

Apesar da lenga-lenga sobre o “caráter estratégico da Efacec ao serviço do desenvolvimento da indústria e do aparelho produtivo nacional” a verdade é que o mercado não teve, nem tem, a mesma opinião virtuosa que os políticos e assim a empresa acumula prejuízos na ordem dos 180 milhões de euros.

Isabel dos Santos tornou-se entretanto politicamente tóxica e o governo socialista resolveu nacionalizar a EFACEC. Apesar de o ex-ministro Siza Vieira ter anunciado diversas vezes que a reprivatização da empresa estava iminente, o processo revelou-se um fiasco monumental. O actual ministro Costa e Silva reconheceu o falhanço socialista e alertou que o Estado poderá não recuperar o dinheiro dos contribuintes que lá foi injectando. Mais, avisou recentemente que a segunda tentativa de reprivatização da Efacec que o Governo quer fazer poderá outra vez não ter resultado e, independentemente disso, que o Governo poderá mesmo torrar na empresa mais dinheiro dos impostos dos portugueses que trabalham.

António Costa pôs todos os contribuintes a pagar a manutenção de uma empresa zombie e moribunda que ninguém quer comprar e vai cavando um buraco cada vez maior à custa do nosso dinheiro.

Curiosamente, na discussão do orçamento de estado desta semana a proposta do PCP para integrar a Efacec no setor empresarial do Estado mereceu a abstenção do PSD, pelo que não se percebe se Luís Montenegro fosse governante não faria idênticas asneiras às dos socialistas.

O provocador de tumultos

Alexandre de Moraes se mete em questões que legalmente não lhe dizem respeito ou, simplesmente, violam a Constituição e o restante das leis em vigor no país

J. R. Guzzo

É cada vez mais difícil, hoje, o ministro Alexandre de Moraes aparecer no noticiário sem que esteja provocando algum tumulto, ou se metendo em questões que legalmente não lhe dizem respeito ou, simplesmente, violando a Constituição e o restante das leis em vigor no país. Seu último surto é a “convocação” de todos os comandantes das PMs estaduais para o seu gabinete em Brasília, com o propósito oficial de fazer “um balanço” de suas ações na última eleição, que acabaram há vinte dias, e discutir “as próximas”, que só vão acontecer daqui a dois anos. Trata-se de pura e simples produção artificial, e deliberada, de confusão.

Em primeiro lugar, não cabe a um ministro do STF, em nenhuma hipótese legal, chamar as PMs do Brasil inteiro para tratar de assuntos operacionais; não faz parte de suas funções, nem de seus direitos como membro da Corte Suprema. Além disso, é uma encenação flagrante: não pode sair disso nenhuma decisão que venha a beneficiar os cidadãos, nem melhorar a sua segurança, mas apenas tensão inútil, animosidade e desordem.

O que o ministro e o STF estão realmente querendo que as PMs façam? Um dos projetos atuais de Moraes, pelo que ele tem dito em público, é proibir as repetidas manifestações populares que vêm sendo feitas diante de quartéis do Exército — e que ele já excomungou como “atos “antidemocráticos”, além de potencialmente “criminosos”.

[Daqui e Dali] A propósito de um comentário no "Luso-Brasileiro"

Humberto Pinho da Silva

Ao ler o comentário de leitora do "Luso-brasileiro" referente ao perigo de expressar opinião em público, recordei-me de história, que li, contada por nosso clássico, cujo nome se varreu.

Vou tentar contá-la, por palavras minhas, ainda que reconheça que o texto perderá muito da beleza e graciosidade do original, para não falar da vernaculidade.

Penso que é do nosso Padre Manuel Bernardes ou de D. Manuel de Melo, mas infelizmente confiei na memória e não no bloquinho de apontamentos – a minha memória de papel.

No tempo de El-Rei de Espanha, cujo nome não sei, nem interessa, foi necessário transladar o Tesouro Real, para outra cidade.

Como naquela época era perigoso viajar, carregou-se o Tesouro em possantes éguas, acompanhadas de bem armados janízaros.

Inesperadamente, salteou-lhes pelo caminho perigosos salteadores, desejosos de assenhorearem-se de tamanha riqueza.

Os guardas, enquanto desbaratavam a aguerrida quadrilha, gritaram a bom gritar para as quadrúpedes:

- Fujam!... Corram!... Que querem roubar o Tesouro do Rei!...

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Oeste sem filtro – 23-11-2022

Augusto Nunes, Ana Paula Henkel e Guilherme Fiuza voltaram ao vídeo, agora em Oeste. O trio está reunido no Oeste Sem Filtro, apresentado por Paula Leal, de segunda a sexta-feira, das 17h45 às 19h30.

Catarse coletiva

Rodrigo Constantino

"Há uma parcela da nossa sociedade que considera que o nosso processo [eleitoral] tem problemas. Eu, de minha parte, vejo que nós precisamos dar mais transparência a esse processo. Não bastam, pura e simplesmente, respostas lacônicas do nosso Tribunal Superior Eleitoral no sentido de contestar eventuais denúncias ou denúncias ou argumentações", disse o vice-presidente e senador eleito Mourão, durante viagem oficial a Portugal.

Sobre a população ainda nas ruas após mais de vinte dias, Mourão disse: "As manifestações não são golpistas. Isso é uma coisa que vocês da imprensa estão colocando. É uma manifestação de gente que não se conformou com o processo, que considera que o processo é viciado. Essas pessoas não estão na rua de forma desordeira. Estão num processo de, digamos, catarse coletiva, no sentido de aceitar algo que eles consideram que não foi correto."

O termo catarse provém do grego “kátharsis” e é utilizado para designar o estado de libertação psíquica que o ser humano vivencia quando consegue superar algum trauma como medo, opressão ou outra perturbação psíquica. A catarse representa a cura de um paciente, que é alcançada através da expressão verbal de experiências traumáticas recalcadas. Mas os manifestantes não querem curar um trauma, e sim impedir que um pesadelo se torne realidade.

A velha imprensa tenta dar um ar de mau perdedor ao povo que não engoliu ainda a vitória de Lula, mas é este mesmo o caso? Participei de um podcast americano com enorme audiência nesta quarta, e ao ter de explicar para os estrangeiros o que se passa no Brasil, foi necessário fazer um breve resumo desde o começo, quando o ministro supremo Lewandowski rasgou a Constituição para garantir direitos políticos a Dilma.

Nesse exercício de relembrar passo a passo a escalada autoritária e ilegal do nosso Poder Judiciário, tudo para soltar, tornar Lula elegível e perseguir bolsonaristas, fica muito claro que o Brasil não é um país sério, mas sim uma republiqueta das bananas mergulhada no caos jurídico. Alguns episódios que revelei foram encarados com grande desconfiança pelos apresentadores, que tiveram de checar as informações na internet durante o programa. Eles ficaram incrédulos com alguns relatos, que são mesmo surreais demais.

Bolsonaro recorre ao TSE. Mas não quero alimentar falsas esperanças

Paulo Polzonoff Jr.

Enquanto no Catar a seleção francesa vai perdendo para a australiana, recebo uma mensagem de uma amiga. Ela informa que, como esperado, a campanha do presidente Jair Bolsonaro protocolou no TSE (Tribunal Socialista Eleitoral) uma representação pedindo uma investigação que, se levada adiante, em tese (e bota tese nisso!) poderia mudar o resultado da eleição. E o destino de um país por ora condenado à tragédia de um terceiro mandato presidencial de Lula.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Aí teve início uma conversa igualzinha àquela que deve estar até agora ecoando entre você e seus amigos e familiares nos lares, bares e redes sociais da vida. “E você por acaso acha que isso vai dar em alguma coisa?”, pergunto. Logo me arrependo do “por acaso”. Soou agressivo, como se a esperança insistente da amiga no "devido processo legal" fosse um sinal de loucura. Não é. A amiga é inteligente e sabe que a representação não vai prosperar. O Tribunal Soberbo Eleitoral jamais admitirá qualquer problema com o sistema de votação brasileiro.

O diálogo ganha outros contornos quando, menos agressivo (espero), confesso não estar sabendo lidar com todos as promessas de reviravolta eleitoral que pontuaram o noticiário desde o começo de novembro. Por um lado, me incomoda a sensação de estar alimentando nos leitores uma esperança falsa de que as circunstâncias como um todo mudarão de um dia para o outro, graças a uma bala de prata, uma carta na manga, uma representação no TSE ou um gesto tresloucado. Por outro, quem sou eu para tirar a esperança das pessoas?! Ninguém.

Além disso, confesso agora, no exato momento em que a França empata o jogo, que parte de mim quer que eu esteja errado. Muito errado. Ridiculamente errado. Parte de mim quer que você, leitor, possa zombar deste texto desesperançado num futuro bem próximo, dizendo algo como: "perdeu, seu fracassomaníaco mané". Mas claro que você seria incapaz de uma indelicadeza dessas.

Fiapos de esperança

Penso no desespero que leva pessoas a se apegarem a qualquer fiapo de esperança diante dos quartéis, nas estradas e nas redes sociais. É admirável e ao mesmo tempo preocupante. Muita gente se manifesta apenas porque quer que sua ideia de mundo prevaleça. Mas entre os manifestantes também há muitos (entre os quais me incluo) cujo desespero tem outra tradução: medo de que o Brasil se transforma numa Argentina, numa Nicarágua ou numa Venezuela.

Errando mais uma vez

Allan dos Santos

Quando o povo foi às ruas no fim do ano de 2014 e assim permaneceu até 2016, ninguém estava pedindo o impeachment de Dilma Rousseff. O pedido surgiu dentro dos gabinetes dos políticos que com facilidade usaram o MBL para “orientar” a massa para encontrar uma “via institucional” que fosse “viável”.

De uma insatisfação popular legítima, o país foi levado a uma ação tática politiqueira que conduzia o povo para uma estratégia totalmente alheia ao que se ouvia nas ruas. Sem representatividade, o povo foi aos poucos engolindo as próprias reivindicações para aceitar o que vinha “de cima”, do alto do poder constituído, era o patrão ouvindo o funcionário.

Após o teatral impeachment, o povo continuou a reivindicar as mesmas coisas, elege Bolsonaro e nada mudava o desejo do povo: ver os criminosos atrás das grades. Durante quatro anos, a população estava se “segurando” para que nada atrapalhasse o mantenimento do único representante que queriam no poder executivo. Toleraram tudo para que Bolsonaro fosse reeleito. Isso não ocorreu e quem deveria estar na cadeia, teve não apenas a “absolvição” garantida pela Globo e pelo TSE/STF. A coisa piorou e o LADRÃO foi “eleito” pelos mesmos que o consideram “inocente”, ou seja, Globo e STE/STF.

Liberdade de Opinião

 John Stuart Mill

Antes de deixar o assunto da liberdade de opinião, é adequado tomar nota daqueles que dizem que deve ser permitida a livre expressão de todas as opiniões, desde que seja com moderação, e não se ultrapassem os limites de uma discussão justa. Muito se podia dizer acerca da impossibilidade de fixar esses supostos limites; pois se o teste for o fato de aqueles cuja opinião é atacada ficarem ofendidos, penso que a experiência demonstra que haverá uma ofensa sempre que o ataque for eficaz e poderoso, e que qualquer oponente que puxe muito por eles (e a quem eles tenham dificuldade em responder) lhes parece imoderado, bastando para tal que mostre um sentimento forte sobre o assunto.

Mas esta consideração, embora seja importante do ponto de vista prático, funde-se com uma objeção mais básica. Sem dúvida que o modo de defender uma opinião pode ser bastante objetável e pode incorrer justamente em censura, ainda que a opinião seja verdadeira. Mas as principais ofensas do gênero são tais que é quase sempre impossível, a não ser que inadvertidamente revelemos os nossos pensamentos, que produzam convicção.

A mais grave entre elas é argumentar sofisticamente, suprimir fatos ou argumentos, deturpar os elementos do caso, ou descrever enganosamente a opinião oposta. Mas tudo isto é tão continuamente feito em boa-fé até ao cúmulo da exasperação por pessoas que não são consideradas ignorantes e incompetentes, e que em muitos outros aspectos poderão não merecer ser consideradas como tal, que raramente é possível classificar conscienciosamente a representação errada como moralmente culpável, com base em fundamentos adequados; e ainda menos podia a lei ter a presunção de interferir neste tipo de má conduta controversa.

Em relação àquilo que geralmente se entende por discussão imoderada, nomeadamente invectivas, sarcasmo, ataques pessoais e coisas do gênero, a denúncia destas armas mereceria mais compreensão se alguma vez se propusesse que fossem interditadas a ambos os lados; mas apenas se deseja restringir o seu uso contra a opinião prevalecente; contra a opinião não prevalecente, não só podem ser usadas sem desaprovação geral, como também aquele que as usar receberá elogios pelo seu empenho honesto e justa indignação.

Todavia, qualquer mal que resulte da sua utilização será maior quando forem usadas contra as opiniões comparativamente indefesas; e as opiniões dominantes são as beneficiárias quase exclusivas da vantagem injusta que se possa adquirir através deste modo de as defender.

Daqui a pouco estreia "OESTE Sem Filtro"

Não perca a estreia do programa hoje! AO VIVO! 

Oeste Sem Filtro pretende transformar-se no embrião de um canal de notícias orientado pelos mesmos valores que há dois anos balizam a trajetória da revista e do site: a defesa incondicional do liberalismo econômico, da democracia, do capitalismo e da liberdade de expressão. 

Com Augusto Nunes, Ana Paula Henkel, Guilherme Fiuza e Paula Leal. Quatro olhares sem medo. Quatro vozes sem censura. Quatro jornalistas comprometidos com a luta pela liberdade de expressão e pelo direito à informação. 

Oeste não aceita verba de nenhum governo ou partido. São os assinantes que financiam e garantem a independência do nosso jornalismo.  

Lucro vs Segurança

Alberto José

Assim como acabaram com os mecânicos de voo e navegadores, a fim de diminuir os custos e reduzir as demandas para obter mão de obra, a Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA), bem como empresas da Alemanha, Nova Zelândia e Reino Unido, estão iniciando um movimento para mudar os regulamentos internacionais com o objetivo de regulamentar o uso de apenas um piloto (comandante) em voo comercial!

Ou seja, para maximizar o lucro, a agência e essas empresas pretendem deixar de lado a segurança da aviação em geral, dos passageiros e a saúde do piloto, que vai depender do computador até para ir ao banheiro.

O computador processa informação e programação com rapidez e precisão, mas não tem a capacidade de raciocinar frente a eventos imprevistos como os que ocorreram com o voo 447 da Air France.

Há ainda uma ideia remota de disponibilizar um tripulante "tecnicamente preparado" para auxiliar o único piloto em uma emergência; quem poderia ser? O comissário Chefe de Equipe?

Título e Texto: Alberto José, ex-Comissário de Voo na Varig, 23-11-2022

Relacionados: 
Tenerife, O MAIOR acidente aéreo de todos os TEMPOS 
AF 447 - A história do ACIDENTE que MUDOU a aviação comercial 
Voo Varig 967 – Tóquio/Los Angeles, 30 de janeiro de 1979

Máscaras: Anvisa determina uso obrigatório nos aeroportos

A medida passa a valer a partir de sexta-feira (25)


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu pelo retorno da obrigatoriedade do uso de máscaras em aeroportos e aviões. A medida passa a valer em todo o país a partir desta sexta-feira, 25. A decisão foi votada pela maioria da diretoria da agência em uma reunião extraordinária realizada na noite de terça-feira 22.

A agência considerou o atual cenário epidemiológico da covid-19 para determinar a volta das máscaras. A proximidade das festas de fim de ano e as férias escolares também foram mencionadas pelo diretor-presidente Antonio Barra Torres como determinantes para a decisão.

O diretor e relator da pauta, Daniel Pereira, votou pela recomendação do uso de máscara em aeroportos e aeronaves, mas não pela obrigatoriedade.

Marcellum Falcon

Pedro Candeias

Decidi espreitar:
O Falcon 50 da Presidência da República tem 6,97 metros de altura e 18,86 metros de envergadura, leva uma tripulação de três e suporta 12 passageiros e duas macas, consegue voar a 887 km/h e durante sete horas no máximo, e tem combustível suficiente para 5.500 quilómetros.

Ora, como o Catar fica a 7.500 km de Lisboa, o Falcon 50 em que Marcelo viaja para o Mundial2022 terá de fazer uma paragem para reabastecimento: o voo partiu às 07h30 do Aeródromo de Trânsito n.º1 de Lisboa e o Presidente da República esteve acompanhado por meia dúzia de militares que lhe bateram continência antes de entrar nesta aeronave construída por uma empresa chamada, adequadamente, Marcel Dassault.

O protocolo presidencial foi cumprido em Figo Maduro, um dia depois de o Presidente ter sido protocolarmente libertado na Assembleia da República, com alguns votos contra, para viajar até ao Mundial e assistir ao jogo de Portugal na quinta-feira. Tudo isto seria absolutamente normal – é assim há 200 anos –, não fosse um ligeiro problema reputacional deste pequeno emirado absurdamente rico com área equivalente à de Trás-os-Montes e Alto Douro.

E é aqui que se entrincheiram as convicções.

É normal que a mais alta figura do estado português se desloque a um evento cujo anfitrião viciou comprovadamente o sorteio de atribuição a seu favor? Marcelo não estará assim a validar um país sobre o qual recaem acusações de escravatura, intolerância perante as mulheres e a comunidade gay? Ou, pelo contrário, isto é uma oportunidade para entreabrir a porta de um mundo fechado ao progresso? Ou estaremos todos – jornalistas, comentadores, cidadãos, adeptos – apenas a ser hipócritas? Ou uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa completamente diferente?

Torcedor inclui a palavra ‘Vasco’ no registro de nascimento do filho

Fato inusitado aconteceu em São Gonçalo, na Região Metropolitana do RJ

Raphael Fernandes

Foto: Daniel Ramalho/CRVG
Um torcedor cruzmaltino incluiu a palavra ”Vasco” no registro de nascimento do filho, ocorrido em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A criança se chama Bryan da Silva Magalhães Vasco e nasceu na Maternidade Municipal Dr. Mário Niajar, no bairro Alcântara. O fato foi divulgado pelo jornalista Juninho Pimps, do canal Machão da Gama, amigo do pai do menino.

Título e Texto: Raphael Fernandes, Vasco Notícias, 23-11-2022, 7h18

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Diversidade de opinião

John Stuart Mill

Falta ainda falar sobre uma das principais causas que fazem da diversidade de opinião uma coisa vantajosa, e que continuará a fazê-lo, até a humanidade entrar num estádio de desenvolvimento intelectual que de momento parece estar a uma distância incalculável. Até agora consideramos apenas duas possibilidades: que a opinião dominante pode ser falsa, e outra opinião, consequentemente, verdadeira; ou que, sendo a opinião dominante verdadeira, um conflito com o erro oposto é essencial para uma clara compreensão, e para um sentimento profundo, da sua verdade. Mas há um caso mais comum do que qualquer destes; aquele em que as doutrinas em conflito partilham a verdade entre si, em vez de uma ser verdadeira e a outra falsa; e a opinião discordante é necessária para fornecer o resto da verdade, da qual a doutrina dominante incorpora apenas uma parte.

As opiniões populares, em assuntos não palpáveis aos sentidos, são frequentemente verdadeiras, mas raramente ou nunca constituem toda a verdade. São uma parte da verdade; por vezes uma parte maior, por vezes uma parte menor; mas, exageradas, distorcidas e separadas das verdades das quais deviam estar acompanhadas e pelas quais deviam ser restringidas. As opiniões heréticas, por outro lado, constituem geralmente algumas destas verdades suprimidas e negligenciadas, que quebram os grilhões que as aprisionavam, e ou procuram reconciliar-se com a verdade contida na opinião comum, ou enfrentam-na como inimiga, pretendendo assim estabelecer-se, com semelhante exclusividade, como a verdade por inteiro.

Este último caso tem sido até aqui o mais frequente, dado que, no espírito humano, ver tudo só de um ponto de vista tem sido sempre a regra, e ver tudo de vários pontos de vista a exceção. Por isso, mesmo em revoluções de opinião, uma parte da verdade submerge, ao mesmo tempo em que outra sobe à superfície. Até o progresso, que devia acrescentar verdades, em geral só substitui uma verdade parcial e incompleta por outra; a melhoria consistindo principalmente nisto: o novo fragmento da verdade é mais desejado, mais adaptado às necessidades do tempo, do que o fragmento que substitui.

[Aparecido rasga o verbo – Extra] Quem ficará agora sentado à beira do nosso caminho?!

Aparecido Raimundo de Souza

VEIO A ÓBITO, no dia de hoje, no Hospital Barra D’OR, o cantor e compositor ERASMO CARLOS, “O TREMENDÃO” vitimado pela síndrome edemigênica, ou seja, aquele mal que causa um desequilíbrio nas forças bioquímicas responsáveis por manter os líquidos dentro dos vasos sanguíneos. Grosso modo, é o excesso de líquido preso nos tecidos do corpo humano.

Erasmo Carlos deixa a mulher Fernanda Passos, com quem se casou em 2019, além de dois filhos Gil Eduardo Esteves e Leonardo Esteves, com a primeira esposa, Sandra Sayonara Saião Lobato Esteves (a Narinha), bem ainda o saudoso Alexandre Pessoal, falecido aos 40 anos em um acidente de moto ocorrido em 14 de maio de 2014. 

O artista era carioca nascido no bairro da Tijuca, aqui no Rio de Janeiro, onde veio ao mundo aos 5 de junho de 1941.  Ganhou uma série de prêmios famosos, entre eles, o Grammy, e o da Excelência Musical da Academia Latina de Gravação. Parceiro de Roberto Carlos, compôs junto com o rei mais de 700 músicas.

Alguns de seus sucessos ficarão em nossas lembranças eternas, como “Festa de Arromba”, “A carta”, “Mulher”, “Gatinha Manhosa”, “Será mentira ou será verdade” e “Mulher Sexo Frágil, em parceria com sua ex, a Narinha, falecida em 1995.

A música brasileira está efetivamente de luto. Perdeu um de seus maiores representantes. Que o Pai Maior conforte seus familiares e a enorme legião de fãs deixada Brasil e mundo afora. Vá em PAZ!

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. 22-11-2022

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Celebridades instantâneas 
[Aparecido rasga o verbo – Extra] Não há vitória sem peleja 
Velhice 
[Aparecido rasga o verbo – Extra] Um dia, quem sabe, o milagre se faça real... 
Crotildo 
[Aparecido rasga o verbo – Extra] Pequenas diferenças entre o Deus verdadeiro e o “deus” cabeça de ovo

A gota que faltava para levar o povo às ruas

Estado de exceção

Alexandre Garcia

Há 22 dias estão na frente dos quartéis, principalmente diante do Quartel-General do Exército, manifestantes inconformados com a maneira como ministros do Supremo vêm tratando a Constituição e a eleição. Começou em 2015, quando no julgamento de Dilma, conduzido pelo presidente do Supremo, fingiu-se desconhecer parte do artigo 52, que mandava que a condenada ficasse inelegível. Mas Dilma virou candidata ao Senado por Minas Gerais. Depois veio o “inquérito do fim do mundo”, como chamou o ministro Marco Aurélio, em que a vítima é que começou a ação, sem Ministério Público, nomeou um relator sem sorteio, e o relator virou delegado, promotor, juiz e vítima, ao mesmo tempo.

Quando veio a pandemia, passaram por cima de direitos pétreos da Constituição. A livre expressão do pensamento, a liberdade de opinião, ficaram à mercê do arbítrio; a censura foi instituída por um único juiz. O Congresso foi atropelado até com prisão de parlamentar, que, pela Constituição, é inviolável por quaisquer palavras. Enquanto isso, o Supremo, tal como no julgamento de Dilma, inventou um entendimento de territorialidade que anulou processos em que o réu, condenado, já cumpria pena. Depois de solto, ainda ficou excluído do impedimento da Lei da Ficha Limpa e se tornou candidato – palavra que quer dizer “cândido”, limpo.

A Constituição exige do serviço público publicidade – isso é um pleonasmo. Com o hermetismo das apurações digitais, e para evitar repetição das dúvidas da reeleição de Dilma, o Congresso aprovou o comprovante impresso do voto digital. Dilma vetou, e os deputados derrubaram o veto com 368 votos; os senadores, com 50 votos. Mas esses 418 parlamentares foram derrotados por oito ministros do Supremo. Se tivessem respeitado a decisão dos representantes do povo, seria fácil esclarecer as suspeitas de hoje. Essas suspeitas foram a gota que faltava para levar o povo às ruas. Tiveram força para acordar qualquer passividade remanescente na cidadania deitada em berço esplêndido. As pessoas descobriram a prática do poder que emana do povo, consagrado no primeiro artigo da Constituição e base da democracia.

Como nos tempos do AI-5, as instituições brasileiras pararam de funcionar

J.R. Guzzo

O Brasil se acostumou a viver na ilegalidade e não há sinais, até agora, de nenhuma reação efetiva contra isso – declarações de protesto, manifestações na frente dos quartéis, críticas aqui e ali, mas nada que mude o avanço constante do regime de exceção imposto ao país pelo poder judiciário. As autoridades cumprem ordens ilegais. Os poderes Executivo e Legislativo não exercem mais suas obrigações e seus direitos. As instituições pararam de funcionar. É como no tempo do Ato Institucional Nº 5. Ficou determinado pela força, na ocasião, que nenhuma decisão do poder Executivo estava sujeita à apreciação judicial. Na ditadura de hoje nenhuma decisão do ministro Alexandre de Moraes e dos oito colegas que seguem a ele no STF está sujeita a qualquer tipo de recurso – só se pode recorrer a eles mesmos, o que obviamente não adianta nada.

Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

A Constituição Federal e as leis brasileiras em vigor, quaisquer que sejam, são violadas diariamente pelos ministros do STF; as liberdades públicas e os direitos civis dos cidadãos foram eliminadas. Deixou de funcionar, para efeitos práticos, qualquer sistema de controle aos atos do STF; e sem controle de ninguém, os nove ministros que mandam no tribunal estão governando o Brasil de hoje através de um inquérito policial, de ordens pessoais e decretos sem nenhum fundamento legal. O último episódio, numa série que está aí há quatro anos, é o bloqueio das contas bancárias de 43 empresas de transporte, por ordem do ministro Moraes. Não há legalidade alguma nessa decisão – é pura e simples violência.

Na ditadura de hoje nenhuma decisão do ministro Alexandre de Moraes e dos oito colegas que seguem a ele no STF está sujeita a qualquer tipo de recurso

Uma conta bancária não pode ser bloqueada sem um processo previsto em lei, por nenhum juiz brasileiro – nem as contas dos traficantes de droga estão fora desta determinação. A solicitação do bloqueio tem de vir do Ministério Público, obrigatoriamente – como qualquer denúncia criminal. No caso, as contas foram bloqueadas sem processo legal nenhum; foi apenas uma ordem de Alexandre Moraes, mais nada. O Ministério Público não pediu coisa nenhuma; na verdade, sequer foi informado do bloqueio pelo ministro. Em suma: está tudo errado, mas o Banco Central apenas obedece. Está cumprindo uma ordem ilegal, e fica tudo por isso mesmo. As transportadoras não têm a quem apelar – só podem recorrer ao próprio STF, e o STF nega todo e qualquer recurso feito contra as suas decisões.

Ucrânia: o acordo de paz que só atrapalha

Tiago Franco

As atenções no conflito ucraniano passam agora para a mesa das negociações e, até nesta temática, conseguimos formar barricadas de opinião. Discute-se sobre quem está de boa-fé ou a quem um acordo de paz não interessa.

Por vezes, fico com a sensação de que nos embrenhamos tanto num tópico, que acabamos por perder o contacto com a realidade e, sem querer, assumo, estamos a debater a paz como quem troca o Rossio pela Avenida da Liberdade no Monopólio.

Nesse caso, do Rossio, todos sabem que é mau negócio, mas no caso das conversações de paz, poderíamos baixar o nível de arrogância e tentar vestir a pele de quem está no terreno. 

Dos vários discursos que ouvi, o prémio “pimenta no cu dos outros é refresco” vai para o major Isidro de Morais Pereira, que anda há seis meses a vender a receita da NATO para conflitos de longa duração. Dizia ele que, neste momento, um acordo de paz não faria qualquer sentido para a Ucrânia, porque, segundo a doutrina dos conflitos, o tempo seria desfavorável aos russos e a iniciativa estava do lado ucraniano. Traduzindo, queria ele dizer que o poder negocial da Ucrânia aumentaria com o tempo e o inverso aconteceria com os russos.  

Esta é a posição de quem analisa o conflito a 5.000 quilómetros de distância e que, quando chega a casa, vê paredes inteiras, aquecimento e a família dentro de portas. Tenho alguma dificuldade em conceber que quem está na linha da frente, a morrer todos os dias (seja de que lado for), pense lá no seu íntimo que é melhor aguentar mais um mês ou dois a fugir de bombas para o Zelensky ou o Putin terem mais cartas para meter na mesa.

É um pouco aquele pensamento das elites que se dignam a pensar e escolher como deve a plebe morrer. Aguentem, vão morrendo mais uns pais de família em nome do melhor timing de negociação. E não se preocupem porque, se faltar dinheiro, há mais uns milhões de europeus para esmifrar. Para tudo, menos o Inverno frio, as elites parecem ter uma solução. Sempre, obviamente, à custa do couro alheio.

Elon Musk has HILARIOUS response after AOC tries to shame him for Twitter layoffs

On “The Rubin Report," BlazeTV host Dave Rubin talked about Elon Musk’s hilarious response after Rep. Alexandria Ocasio-Cortez (D-N.Y.) attempted to shame him over mass layoffs at Twitter.

"Shout out to all the workers at Twitter. You all built a vital place for connection and deserved so much better. Millions of people appreciate the space you built and the hard work that went into it. Thank you," tweeted Ocasio-Cortez.

"You’re welcome," came Musk's simple response.

"He's getting good at this," Rubin commented. "But Elon Musk has not come in and said I'm going to censor people on the left. He has not said I'm going to trample on anyone's free speech. He has said we are going to allow more voices here. He has said we are going to try to respect free speech a little more, and we're gonna be a little more upfront about our policies ... now who's that upsetting? Isn't this so interesting that it's upsetting to all the lefties?"

Watch the video clip below or find full episodes of "The Rubin Report" here. Can't watch? Download the podcast here.

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BLAZETV STAFF, November 21, 2022   

Q.E.D.

Henrique Pereira dos Santos

Quando vi anunciar uma reportagem bombástica "Quando o ódio veste farda", não liguei muito porque suspeitei que uma reportagem com esse nome, atualmente, não passasse de um panfleto.

Quando um ou dois dias depois vi que o Público tinha também uma peça sobre o mesmo assunto e vi o nome de Paulo Pena como um dos autores, desliguei totalmente do assunto, há jornalistas cuja assinatura me poupa o tempo de ler o que escrevem.

Agora, Nuno Gonçalo Poças confirma integralmente que eu tinha razão para não dar importância a esses trabalhos jornalísticos: "No segundo episódio, por exemplo, aborda-se o fim da experiência do policiamento de proximidade no bairro da Cova da Moura, em 2005, sem um contexto e uma explicação, como se tivesse sido uma simples vontade de uma polícia pejada de racistas. Convém, pois, relembrar o que sucedeu em 2005: os polícias recusaram continuar a patrulha de proximidade depois de três agentes terem sido assassinados no bairro, com recurso a arsenal de guerra, um dos quais com mais de 20 tiros no corpo, 6 dos quais na própria face. Há por ali, de facto, não uma intenção jornalística de mostrar uma realidade, mas de deixar clara uma perspectiva política".

Eu não entendo, mas não entendo mesmo, como é possível a generalidade dos jornalistas, com honrosas excepções, claro, sentir-se confortável com um jornalismo que sabem, bem melhor que eu, que não tem o mínimo dos mínimos de respeito pelos factos e pelas regras da profissão.

Título e Texto: Henrique Pereira dos Santos, Corta-fitas, 22-11-2022

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[Aparecido rasga o verbo] Celebridades instantâneas

Aparecido Raimundo de Souza

O PROFESSOR GODOFREDINHO, filho do radialista Godofredo Fungoso, ensinava matemática para Isaurinha, a filha de quinze anos de seu Ariscorno Benzadeus, dono da única papelaria do bairro. Para cumprir essa finalidade à risca, todas as tardes ele se dirigia à residência da estudante, onde além dela estava dona Ofélia Benzadeus, mãe da garota e Magda, a empregada. Coisa de um mês e vinte dias, por algum motivo que não ficou muito claro para a menina (pelo menos naquele momento), o professor Godofredinho passou a dar por encerrada as aulas meia hora mais cedo.

Dessa forma, o estudo-reforço (que deveria começar às treze horas, ou uma hora depois da chegada da escola, tempo de a criatura fazer um rápido lanche e, em seguida, se dirigir à sala ficando aos cuidados do preceptor), tomou outro rumo. Pelo combinado com o pai, do nada, o sujeito passou a finalizar seus ensinamentos as quatorze e trinta. Isaurinha, de início, não se incomodou. Meia hora a menos, ou a mais, não faria muita diferença. Como a coisa acabou virando rotina, a beldade ligou o pisca alerta.

Junto com ele, uma pulguinha marota apareceu e passou a incomodar atrás da orelha. Por assim, resolveu comunicar o fato a seu pai. Antes, decidiu vigiar o professor Godofredinho para saber, “na real”, qual a dele. Na terça-feira, após o sujeito dar por cumprida a sua missão e passar como lição para o dia seguinte uma série de exercícios além do que deveria, a donzela achou estranho os volumes das páginas do livro a serem pesquisadas seguidas de um calhamaço de exercícios que ele nem sequer explicara.

Uma luzinha se acendeu, de vez, na imaginação fértil da bela criança. Não havia dúvidas. O cara de pau flertava (1) com a empregada. Só poderia ser isso. Para confirmar, logo que o professor Godofredinho se preparou para puxar o carro, dizendo a ela que se acomodasse em seu quarto, a espertinha se tocou e concluiu que não restava mais dúvidas. Havia, realmente, algum babado rolando à solta. Suas suspeitas se confirmaram, quando o professor, ao se despedir naquele começo de semana, não cruzou o portão e Rex, o fiel cachorro, não latiu. O Rex sempre estardalhava (2) quando alguém entrava ou saia.

[Livros & Leituras] A Lei – Por que a esquerda não funciona?

Lívia Abreu

A obra foi escrita na França por Claude Frédéric Bastiat, economista e jornalista francês. Datam os escritos de 1850, apenas dois anos após a Revolução Francesa de 1848, também conhecida como Primavera dos Povos, uma série de movimentos revolucionários de viés eminentemente liberal que ocorreram na Europa no citado ano.

Neste mesmo ano, foi publicado O Manifesto Comunista, escrito por Karl Marx e Friedrich Engels, defendendo ideias comunistas e incitando a chamada “luta de classes” entre a burguesia e o proletariado.

No contexto interno, na França, desde a Revolução Francesa, em 1789, vinham ganhando força ideais liberais, sendo a igualdade, a fraternidade e a liberdade erigidas a valores máximos da sociedade. Desde então e especialmente com a chegada ao poder do rei Luís Filipe de Orleans, em 1830, foram ganhando força os grupos de oposição. Tudo isso aliado a uma sequência de péssimas colheitas, com a consequente elevação no preço dos alimentos, gerou uma grande revolta no país, que culminou com a abdicação do rei Luís Filipe, a instauração da República e subsequente eleição de Napoleão Bonaparte para o poder.

Em A lei, Frédéric Bastiat delineia o campo de atuação da lei. A lei tem o papel único de fazer com que reine a justiça – na verdade, impedir que reine a injustiça. Portanto, a função da lei é desenvolvida a partir de um conceito negativo, por exclusão: a lei não deve se preocupar com regulamentar nada, exceto impedir injustiças.

Nesse sentido, importa esclarecer, também, que “a lei” é tratada em sentido lato, como a legislação de determinado Estado. Assim, por “lei” denomina-se o Estado, a Constituição, ou seja, a organização coletiva do direito à legítima defesa.

Qualquer outro uso que se dê à lei incorrerá em opressão ou espoliação legal, pois acabará por afetar a vida, a liberdade ou a propriedade privada, únicos direitos naturais, que precedem (e prescindem de) qualquer legislação positivada.

A liberdade, a propriedade privada e a vida (a pessoa) são os três elementos constitutivos e mantenedores da vida – e a preservação de qualquer um deles depende da preservação dos demais. Assim, se cada homem detém o direito de defender, sempre que necessário, a própria pessoa, liberdade e propriedade – até mesmo mediante uso da força –, todos os homens podem se organizar e, coletivamente, manter uma organização que proteja esses direitos.

Temos, portanto, que a organização coletiva do direito à legítima defesa decorre, antes, do direito individual de cada indivíduo. Por essa mesma razão, o direito coletivo não pode ultrapassar as balizas do direito individual; não pode ter nenhum outro propósito que não defender os próprios direitos. Não pode a lei destruir direitos de outrem. Sempre que a lei excede o campo específico da proteção da pessoa, da liberdade e da propriedade privada, acaba violando o direito de alguém.