segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Nossa responsabilidade em permitir que a mídia de esquerda use e abuse do viés contra a direita

Luciano Henrique
Rodrigo Constantino lança uma crítica interessante em um texto intitulado “Temos um socialista radical do lado democrata, mas a imprensa só fala do ultraconservador de extrema-direita”. Leia, e depois comento:


O resultado em Iowa, que abre oficialmente a disputa pela vaga nas eleições desse ano, teve duas surpresas. Em primeiro lugar, a chegada de Ted Cruz à frente de Donald Trump, que terminou encostado no terceiro lugar, Marco Rubio, pelo lado Republicano. Em segundo lugar, o empate técnico entre Hillary Clinton e Bernie Sanders [foto] pelo lado Democrata.

Mas a reação da nossa imprensa é resultado de décadas de lavagem cerebral nas faculdades de jornalismo. Quando lemos as notícias, mesmo em jornais como “O Globo”, tido como de direita pelos boçais de esquerda, abundam os termos “extrema-direita” ou “ultraconservador” para se referir a Ted Cruz, que assusta mais do que Trump por não ser um fanfarrão excêntrico, e sim um senador sério do Texas, formado em direito por Harvard e com espantoso currículo de atuação na área jurídica.

Por ser um cristão devoto, o que é tido como pecado mortal e heresia cruel pelos “tolerantes” da esquerda, e conservador nos valores, é tratado como um alienígena pela mídia “progressista”, que domina nosso país (e os Estados Unidos também, não fosse a Fox News para desbancar a patota, tendo mais audiência que as 3 maiores juntas). Mas o que defende Cruz, filho de cubano, que gera tanto horror assim em nossos queridos jornalistas?

Para começo de conversa, ele defende o respeito à Constituição, algo que Obama não demonstra o menor apreço. Frisa a importância dos valores tradicionais dos “pais fundadores” o tempo todo, como se isso fosse algum absurdo reacionário. Ou seja, enaltecer Thomas Jefferson, John Adams, George Washington e Benjamin Franklin deve ser mesmo coisa de um neandertal, já que os moderninhos preferem ir de Thomas Piketty…

Cruz quer resgatar ou preservar os valores que fizeram da América o que ela é: não algo que se deve ter vergonha e pedir desculpas, como querem os esquerdistas, mas o experimento mais bem-sucedido da humanidade, casa dos bravos e livres. A campanha de difamação “progressista” surtiu efeito, porém, e muitos acreditam na narrativa ridícula de que os Estados Unidos são uma nação que representa a “supremacia branca opressora”, que deveria sair pelo mundo pedindo desculpas por seu passado.

Obama, que já era bem radical à esquerda, é um dos que pensam assim. Ele queria, não custa lembrar, transformar “fundamentalmente” a América, e só quem não ama deseja mudar tanto alguma coisa. Hillary Clinton, também de esquerda e inspirada em gente com Saul Alinsky, vem adotando discurso igualitário e abusando da cartada das “minorias”, o que vai claramente contra a tradição de mérito individual do país. São ambos defensores de um modelo de “welfare state” que mais parece com o europeu, quiçá com o latino-americano.

Mas não são tratados como radicais pela imprensa. E pior: agora temos um tão radical, mas tão radical, que faz até Obama parecer moderado! Sim, Bernie Sanders é socialista assumido, ninguém precisa acusá-lo de ser isso. Ele detona a mídia, o capitalismo, o mercado, o “sistema”, e quer uma revolução em seu país. Ou seja, poderia estar disputando pelo PT ou pelo PSOL no Brasil. E não vemos um só rótulo de extremista colocado nele por nossos jornalistas, os mesmos que chamam Cruz de “extrema-direita”.

É ridículo, eu sei, e demonstra o viés esquerdista de nossa imprensa. Mais um motivo para torcer para Ted Cruz. Mais um motivo para perguntar: onde está a Fox News do Brasil? Precisamos dela com urgência…

Primeiramente, reclamar da mídia de extrema-esquerda faz muito bem. E minhas críticas aqui não se referem a Rodrigo Constantino, mas ao todo dos formadores de opinião republicanos, sejam eles de direita ou centro, ou até, em alguns casos, de esquerda moderada.

Eu acesso o Feedly e recebo atualizações de praticamente todos os formadores de opinião de direita. Quase nunca vejo um deles chamar os petistas, por exemplo, pelo termo adequado: extrema-esquerda. Ora, se os próprios formadores de opinião se recusam a atribuir o rótulo “extrema” a quem é extremista mesmo, não vejo como podemos cobrar que o resto da imprensa faça o mesmo, já que a coisa sempre tem que começar pelos formadores de opinião alinhados a um dos lados. Somente depois é que isto se multiplica pela mídia.

A missão é nossa: nós temos que começar a utilizar os rótulos primeiro – e, nesse caso, estaríamos corretos ao definir Bernie Sanders como de extrema-esquerda -, e, somente depois de fazermos isso por alguns anos, avaliar os resultados. Por enquanto, ainda estamos devendo muitas rotulagens. Como diria Gandhi, “você precisa ser a mudança que você quer no mundo”. Logo, primeiro devemos mudar a mania de não rotular o oponente, e, em seguida, vamos cobrar os resultados de nossas ações, que nem sequer começaram em termos de guerra de rótulos. 
Título, Imagem e Texto: Luciano Henrique, Ceticismo Político, 7-2-2016

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