segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

[Daqui e Dali] De maçônico a Cristo

Humberto Pinho da Silva

Vitorino Nemésio [foto] era professor universitário, de cultura invulgar, e grande erudito; mas as lições monótonas e muito maçadoras, não despertavam o interesse dos alunos.


Certa ocasião, João Nobre – conhecido maestro e compositor português, – ia adormecendo, ao assistir à aula, do professor. Cansado e entediado, resolveu levantar-se, e sair.

O Mestre, estava atento. Parando a dissertação, virou-se e perguntou-lhe:
“Então, vai sair?!”
João Nobre, jovem irreverente, respondeu-lhe, sem refletir:
”Não aguento mais. O Senhor Professor, é um grande maçador!”
E sem mais, abandonou a sala de aula.

Vitorino Nemésio retomou a exposição como se nada tivesse passado.

Mais tarde, João Nobre, pensando melhor, receou que a precipitada atitude poderia ser considerada afronta, ao Mestre. Receoso, deixou de aparecer na Faculdade. Certificando-se, por colegas, que nada constava sobre o assunto, começou a frequentar as aulas; mas não as do Professor Vitorino.

Por fim, ganhando coragem, sorrateiramente, entrou na sala do Mestre, sentando-se na última fila. Mas, o Professor, ao vê-lo, disse-lhe, em alta voz:
”Pensei no que me disse, e considerei: que tinha razão. Vou tentar ser menos pesado”.

Nemésio tornou-se o intelectual mais popular do seu tempo, graças à rubrica: “Se Bem me Lembro”, na televisão.


O Professor nasceu, a 19-12-1901, na Terceira (Açores).

Foi católico, mas no correr dos anos, afastou-se de Cristo. Em Coimbra colaborou em revistas culturais e aderiu à Maçonaria, na loja: “A Revolta”.

Formou-se com alta classificação em Filologia Românica, pela Faculdade de Lisboa.

Casou, em 1926, com Dona Gabriela Monjardino Azevedo Gomes, e teve quatro filhos.

Mas… quarta-feira santa, do ano de 1954, foi visitar D Manuel de Almeida Trindade (Bispo de Aveiro).

Falaram durante três longas horas. No final, Vitorino Nemésio, tinha os olhos húmidos, e a voz trancada pela comoção.

As lágrimas, escorriam-lhe pela face, quando o notável professor – e futuro diretor do matutino: “O Dia”, – rogava, ao sacerdote, a absolvição.

Toda essa cena comovedora é narrada em: “Memórias de um Bispo”, por D. Manuel Almeida Trindade.

O Professor, congraçou-se, definitivamente, com Deus. O maçônico e “velho” republicano, nascera de novo.
Título e Texto: Humberto Pinho da Silva

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