sexta-feira, 26 de abril de 2019

[Aparecido rasga o verbo] Era uma vez a “AMIGA DA AMIGA DO AMIGO DA AMIGA DO AMIGO DE MEU PAI...”.

Aparecido Raimundo de Souza

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.
Rui Barbosa

O CASO JÁ PASSOU, muita gente deu em cima, o país se revoltou, meteu a boca no trombone, até que o senhor miSInistro voltou atrás. Revogou. Apesar disso, é sempre bom estarmos atentos. Diz um velho ditado que “lembrar é como desfrutar de um bom prato de canja de bunda de galinha. Nunca faz mal”. O problema é que o fato pode se repetir. Devemos ter em mente, que, embora o deus de toga tenha jogado a toalha, seguimos, a passos largos, voltando indubitavelmente no tempo.

Estamos retrogradando.  Com tantas coisas mais importantes para serem decididas, finalizadas, encerradas, o STF (Superior Tribunal das Falcatruas) através de um de seus representantes, Alexandre de Moraes, decidiu, e colocou sob “CENSURA” por ordem expressa a Revista “Crusoé” e, por extensão, igualmente, o “Antagonista”, sob pena, caso houvesse desobediência, de uma multa de cem mil reais por dia.  Isso porque uma delas citou o nome de outro “jesus cristo” igualmente de meia tigela indevidamente, ou seja, o segundo jesus, o nosso salvador DIAS TOFOLLI.

O cidadão se sentiu como diríamos, melindrado, exasperado, abespinhado, espicaçado, lacerado, contundido em sua moral. Que vergonha! País de safados, de bandidos, de espertalhões, de embusteiros, e os Nossos Representantes Maiores falando, ou melhor, vomitando, no que cognominaram ou taxaram, por conta própria, de “claro abuso no conteúdo da matéria veiculada”, matéria essa, não outra, senão a publicada nas revistas acima citadas. Aliás, faz temmmpooo... o STF mudou o rumo de suas prioridades, ou o que deveria ser entendido, num primeiro momento, como “supremacia”.

Eis a reportagem (na íntegra) escrita pelos jornalistas Rodrigo Rangel e Mateus Coutinho.



O amigo do amigo de meu pai

NA ÚLTIMA TERÇA-FEIRA, um documento explosivo enviado pelo empreiteiro-delator Marcelo Odebrecht foi juntado a um dos processos da Lava Jato que tramitam na Justiça Federal de Curitiba. As nove páginas trazem esclarecimentos que a Polícia Federal havia pedido a ele, a partir de uma série de mensagens eletrônicas entregues no curso de sua delação premiada.

No primeiro item, Marcelo Odebrecht responde a uma indagação da Polícia Federal acerca de codinomes que aparecem em e-mails cujo teor ainda hoje é objeto de investigação. A primeira dessas mensagens foi enviada pelo empreiteiro em 13 de julho de 2007 a dois altos executivos da Odebrecht, Irineu Berardi Meireles e Adriano Sá de Seixas Maia. O texto, como os de centenas de outras e-mails que os executivos da empreiteira trocavam no auge do esquema descoberto pela Lava Jato, tinha uma dose de mistério.

Marcelo Odebrecht pergunta aos dois: “Afinal vocês fecharam com o amigo do amigo do meu pai?”. É Adriano Maia quem responde, pouco mais de duas horas depois: “Em curso”. A conversa foi incluída no rol de esclarecimentos solicitados a Marcelo Odebrecht. Eles queriam saber, entre outras coisas, quem é o tal ”amigo do amigo do meu pai”. E pediram que Marcelo explicasse, “com o detalhamento possível”, os “assuntos lícitos e ilícitos tratados, assim como identificação de eventuais codinomes”.

A resposta do empreiteiro, que após passar uma longa temporada na prisão em Curitiba agora cumpre o restante da pena em regime domiciliar, foi surpreendente. Escreveu Marcelo Odebrecht no documento enviado esta semana à Lava Jato: “(A mensagem) Refere-se a tratativas que Adriano Maia tinha com a AGU sobre temas envolvendo as hidrelétricas do Rio Madeira. ‘Amigo do amigo de meu pai’ se refere a José Antonio Dias Toffoli”. AGU é a Advocacia-Geral da União. Dias Toffoli era o advogado-geral em 2007.

O empreiteiro prossegue, acrescentando que mais detalhes do caso podem ser fornecidos à Lava Jato pelo próprio Adriano Maia. “A natureza e o conteúdo dessas tratativas, porém, só podem ser devidamente esclarecidos por Adriano Maia, que as conduziu”, afirmou no documento, obtido por Crusoé.

Adriano Maia se desligou da Odebrecht em 2018, depois do turbilhão que engoliu a empreiteira. Ex-diretor jurídico da construtora, seu nome já havia aparecido nos depoimentos da delação premiada de Marcelo Odebrecht. Ele é citado como conhecedor dos negócios ilícitos da empresa. O empreiteiro diz que Adriano Maia sabia, por exemplo, do pagamento de propinas para aprovar em Brasília medidas provisórias de interesse da Odebrecht. Ele menciona, entre os casos, a MP que resultou no chamado “Refis da Crise” e permitiu a renegociação de dívidas bilionárias após acertos pouco ortodoxos com os ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci.


Adriano Maia também aparece em outras trocas de mensagens com Marcelo Odebrecht que já constavam nos inquéritos da Lava Jato. Em uma delas, também de 2007, Odebrecht o orienta a estreitar relações com Dias Toffoli na Advocacia-Geral da União. Àquela altura, a Odebrecht tinha interesse, juntamente com outras construtoras parceiras, em vencer a licitação para construção e operação da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira. Na AGU, Toffoli havia montado uma força-tarefa com mais de uma centena de funcionários para responder, na Justiça, às ações que envolviam o leilão.

Havia um esforço grande do governo para dar partida às obras. O leilão para a construção da usina de Santo Antônio foi realizado em dezembro de 2007, cinco meses após a mensagem em que Marcelo Odebrecht pergunta aos dois subordinados se eles “fecharam com o amigo do amigo de meu pai”. A disputa foi vencida pelo consórcio formado por Odebrecht, Furnas, Andrade Gutierrez e Cemig. A Lava Jato trabalha para destrinchar o que há por trás dos e-mails – e dos codinomes que, agora, a partir dos esclarecimentos de Marcelo Odebrecht, são conhecidos.

A menção à Dias Toffoli despertou, obviamente, a atenção dos investigadores de Curitiba. Uma cópia do material foi remetida à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para que ela avalie se é o caso ou não de abrir uma frente de investigação sobre o ministro – por integrar a Suprema Corte, ele tem foro privilegiado e só pode ser investigado pela PGR. Os codinomes relacionados às amizades de Marcelo e do pai dele, Emílio Odebrecht, já apareciam nas primeiras mensagens da empreiteira às quais a Polícia Federal teve acesso, ainda na 14ª fase da Lava Jato, deflagrada em junho de 2015. No material, havia referências frequentes a “amigo”, “amigo de meu pai” e “amigo de EO”.

Demorou pouco mais de um ano para que os investigadores colocassem no papel, pela primeira vez, que o “amigo de meu pai” a que Marcelo costumava se referir era Lula – o ex-presidente conhecia Emílio Odebrecht desde os tempos em que era sindicalista. As mensagens passaram a fazer ainda mais sentido depois. Elas quase sempre tratavam de assuntos relacionados ao petista. Se havia a certeza de que o “amigo de meu pai” era Lula, ainda era um enigma quem seria o tal “amigo do amigo de meu pai”. Sabia-se que, provavelmente, era alguém próximo a Lula. Mas faltavam elementos para cravar o “dono” do codinome e, assim, tentar avançar na apuração. A alternativa que restava era, evidentemente, perguntar ao próprio Marcelo Odebrecht. E assim foi feito.

Há fundadas razões, como se diz no jargão jurídico, para Dias Toffoli ser tratado por Marcelo Odebrecht como “amigo do amigo de meu pai” – amigo de Lula, portanto. O atual presidente do Supremo foi, durante anos a fio, advogado do PT. Com a chegada de Lula ao poder, ascendeu juntamente com os companheiros. Sempre manteve ótima relação com o agora ex-presidente, que está preso em Curitiba.

Em 2003, Dias Toffoli foi escolhido para ser o subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil. Naquele tempo, o ministro era José Dirceu. Toffoli ocupou o posto até julho de 2005. Em 2007, foi nomeado por Lula chefe da Advocacia-Geral da União, um dos cargos mais prestigiosos da máquina federal. Em 2009, deu mais um salto na carreira: Lula o escolheu para uma das onze vagas de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Nesta quinta-feira, Crusoé perguntou a Dias Toffoli que tipo de relacionamento ele manteve com os executivos da Odebrecht no período em que chefiava a AGU e, em especial, quando a empreiteira tentava vencer o leilão para a construção das usinas hidrelétricas no rio Madeira. Até a publicação desta edição, porém, o ministro não havia respondido.

Os outros e-mails listados na resposta de Marcelo Odebrecht ao pedido de esclarecimentos feito pela Polícia Federal trazem mais bastidores da intensa negociação travada entre a empreiteira e o governo em torno dos leilões para a construção das usinas na região amazônica – projetos que, na ocasião, eram tratados por Brasília com grande prioridade e que, como a Lava Jato descobriria mais tarde, viraram uma fonte generosa de propinas para a cúpula petista.

Ao explicar uma das mensagens, Marcelo Odebrecht volta a envolver o ex-presidente Lula diretamente nas controversas negociações com a companhia. Ao se referir à decisão da empresa de abrir mão de um contrato de exclusividade com seus fornecedores no processo de licitação da usina de Santo Antônio, Marcelo afirma que a medida foi adotada a partir de uma conversa privada entre Lula e Emílio Odebrecht.

Diz ele: “Esta negociação foi feita entre Emílio Odebrecht e o presidente Lula (‘amigo de meu pai’) que prometeu compensar a Odebrecht em dobro (de alguma forma que só Emílio Odebrecht pode explicar)”. Também há menção a Dilma Rousseff, tratada em um dos e-mails como “Madame”. A então, ministra da Casa Civil de Lula era vista, àquela altura, como um empecilho aos projetos da Odebrecht na área de energia na região norte do país. As mensagens trazem, ainda, referências aos pedidos de propina relacionados aos leilões, que chegavam por intermédio de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.

Com as respostas do empreiteiro-delator, a Lava Jato deverá dar mais um passo nas investigações sobre os leilões das hidrelétricas. Uma das frentes de apuração, que mira a construção da usina de Belo Monte, já está avançada. Quanto à menção de Marcelo Odebrecht a Dias Toffoli, não se sabe, até aqui, se a Procuradoria-Geral da República pedirá algum tipo de esclarecimento ao ministro antes de decidir o que fazer. Como advogado-geral da União, Toffoli tinha a atribuição de lidar com o tema. Até por isso, não é possível, apenas com base na menção a ele, dizer se havia algo de ilegal na relação com a empreiteira. Mas explicações, vale dizer, são sempre bem-vindas.


Imaginem a que ponto os demais deuses do olimpo chegaram. Nele, no olimpo, ou trocado em miúdos, no STF, os Intocáveis, os que não podem ser melindrados, desonrados ou falados. Percebam caros leitores, que nossos ilustres “tocagados”, perdão, togados, estão cuidando de julgar (além de nos impor, goela abaixo, a CENSURA), picuinhas de cidadãos do povo, tipos esses infelizes que roubam comidas em supermercados para matarem a própria fome.

Idêntico norte, estão julgando, nossos miSInistros, ladrões de galinhas, catadores de latinhas, se atendo a pautarem e punirem com severidade jornalistas que militam com a verdade, estão cuidando de estupradores de porcos, e de elementos que desvirginam cabritos solitários. Nossos Beneméritos Representantes do STF, caríssimos leitores, no mesmo pontapé, pisam e sapateiam na Constituição.

De novo, em repeteco, que vergonha!  Estamos, de fato, voltando no tempo. Desandando, recuando, desmarchando, ou desprosperando. Que lástima! Que azar, que absurdo, que falta de senso para um país que tem tudo para seguir em frente, prosperar e se tornar uma grande nação. Dentro deste contexto, amados leitores, uma indagação necessária salta dos cafundós de nossa irritação: nossos miSInistros estão pisando ou cagando na Constituição?! Pela altura como anda o campeonato, dirão alguns, o resultado final é o mesmo.

Juridicamente falando, sim, e corroborando na opinião de Danilo Gentili, “a ordem de como os veados dão a bunda, não altera o sacolejar da pica na hora de entrar ânus adentro”. Pois bem! Seria melhor (uma vez que o chiqueiro virou bagunça confusão, desordem e desarranjo, para não sofrermos mais do que sofremos), que os nossos representantes do “Culegiado Maior” pegassem a tal Carta Maior ou Constituição, ou o que sobrou dela, e a rasgassem de uma vez por todas, em mil pedacinhos, ou no pior dos mundos, que a levassem para casa, para usar nos banheiros. 

Verdade que o papel da dita se mostra meio grosso, áspero, irregular, abrupto, irritadiço, todavia, se usado com o devido cuidado...  mais uma vez, em repeteco, para que o Zé povinho não se esqueça, batemos, de novo, na mesma tecla: que vergonha! A que ponto chegamos!  Ou A QUE PONTO ELES DO STF CHEGARAM. Ai está ela, a linda e esfuziante jovem CENSURA.

Moça bonita, bem apessoada, de boa família, garganta profunda, sem precisarmos falar na indumentária: roupas novas, seios cheios, fartos e siliconados, cílios e unhas postiças. Bundinha empinada (a galera adora bundinha empinada), entre outros atrativos para deixar claro a que veio, e o melhor de tudo, alardear aos quatro cantos do planeta, que pintou no pedaço de vez, para ficar. 

A CENSURA voltou gente! Aliás, se formos parar para pensarmos um pouquinho em sua austera figura, chegaremos à conclusão de que ela nunca foi embora. Jamais saiu de cena. Apenas inerciou por um espaço curto nas coxias. Dormiu em silêncio sepulcral nos braços de Morfeu. Hibernou. Saiu à francesa. De regresso, ateou fogo na Catedral de Notre Dame, derrubou alguns prédios na comunidade da Muzema, deixou os milicianos donos do pedaço putos da vida e a Polícia Civil do Rio de Janeiro a ver escombros e cadáveres boquiabertos.

Antes de se fazer presente, de vez, e desta, escudada pela Lei do deus poderoso, ou seja, por ordenzinha do miSInistro Alexandre de Morais, mostrou que tem apoio incondicional, inclusive do peão de rodeio mentor de toda esta balburdia Dias Totoauaufolli. Entre ratos de esgoto e vermes peçonhentos, dizem as más línguas antes de sentar de vez no velho trono, a CENSURA tomou um café da manhã com a Dilma, tirou fotos com o Temer e passeou pela Polícia Federal para dar os pêsames ao Lula (pelo netinho falecido).

De roldão, preparou uma boa guilhotina (no capricho, com todas as “onras de estado” para cortar fora, decepar de vez, as cabeças da galera da “Crusoé” e do “Antagonista” e de outros mais que se fizerem ou se posarem de desentendidos e de bestas). Verdade ou mentira, fake news ou não, vamos comemorar, meu povo de merda. Por aqui, sociedade sem cultura, tudo é motivo para soltar rojões.

Fazer passeata, queimar pneus, atrapalhar o trânsito. Dar um nó na cidade. A CENSURA voltou. Foi expulsa das catacumbas de Hitler. Está morando em Brazzzilia. Vamos, minha gente, a uma só voz sair pelas ruas e praças, becos e avenidas, de mãos dadas, e, em cantochão, berrar, gritar, latir, uivar, grunhir, se necessário, porém vamos à luta: CENSURA, CENSURA, CENSURA, CENSURA, CENSURA, CENSURA, CENSURA, CENSURA...   a maldita  está de regresso. Veio de mala e cuia.  Não esqueçam: “ela é chegada” do miSInistro. Perdão, “chegada não”. Ratificando: Ela é “AMIGA DA AMIGA DO AMIGO DA AMIGA DO AMIGO DE MEU PAI”.   
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Sertãozinho – Interior de São Paulo. 26-4-2019

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