quarta-feira, 14 de agosto de 2019

[Foco no fosso] Não esqueça o cadeado

Haroldo P. Barboza

Sabemos que a massificação do esporte é um fator de alta importância para educar populações, que aprendem a respeitar regras e não “aplica” para “se dar bem”. Mas esta diretriz não interessa ser adotada num país onde políticos se perpetuam justamente pela ignorância do povo.

Apesar de não estarmos concorrendo contra as grandes forças mundiais do esporte, não podemos deixar de enaltecer a participação do Brasil (2º lugar) no Pan2019 no Peru conquistando 171 medalhas. Fundamentalmente pela dedicação extrema de nossos atletas apesar de inadequadas condições estruturais oferecidas pelos governantes.

Este sopro de esperança no sentido de evoluir para atrair mais jovens (e tirá-los da marginalidade) costuma arrefecer dois ou três meses depois das conquistas. Na verdade, não sabemos lutar por nossos ideais, pois a Natureza sempre foi generosa e nos forneceu alimentação de forma fácil, sem muita luta.

Pelo menos temos de ficar alertas com os políticos que apreciam pegar “carona” em eventos (como benfeitores) de esportes que nunca presenciaram ao vivo. Por absurdo que pareça, sempre aparece um “malandro” com um discurso usando uma das frases (falsas) históricas para justificar o sucesso dos corajosos atletas:

- nosso PIB está num patamar fenomenal, apesar da condição de miserabilidade da maior parte da população;

- nosso serviço de saúde pública está entre os cinco “primeiros” do mundo, apesar da falta de médicos em quantidade adequada, falta de equipamentos, medicamentos, higiene e conservação das instalações prestes a desmoronar;

- nossos centros de treinamentos são de primeiro mundo, apesar dos atletas terem de se deslocar por dezenas de quilômetros (sem asfalto e luz) para treinar após pesadas jornadas de trabalho e transitarem em vestiários inundados, com pouca luz, sem armários para guarda de pertences e outras mazelas.

- nossa educação gratuita ser de “alta qualidade”, apesar da “alfabetização” pública se resumir a habilitar um aluno acima de 10 anos a escrever seu próprio nome, “ler” placa de porta de banheiro, linha de ônibus (*) e nome de programa de tv (**);


(*) = se mudarem a cor do ônibus, o “leitor” pegará transporte trocado;
(**) = se trocarem o logotipo do BBBB o “anestesiado” vai perder um episódio de alta “cultura”;

Os mais “críticos” dirão que não fizemos melhor por falta de investimento responsável pelos governantes na formação de atletas desde a infância.

Eu vou mais longe: por falta de seriedade e vontade na formação de cidadãos conscientes.

Para os legisladores aproveitadores da boa-fé popular, oferecemos me(r)dalhas cunhadas com as fezes que eles produzem ao longo de seus mandatos.

Que cada um destes atletas heróis possam perceber que aos governantes só servem como trampolim eleitoral.

Que tenham a certeza que cada um de nós torce para que ainda possam nos oferecer novas alegrias com suas conquistas. E que de alguma forma, possam orientar as futuras gerações.

ALERTA FINAL: se tiverem de comparecer a alguma cerimônia pública com a presença de alguns políticos, coloque sua medalha no pescoço com cadeado.

Nunca se sabe o que mais vão roubar do povo domesticado.

Nossa sociedade é um colosso. Sobrevive no fundo do poço.
Título e Texto: Haroldo P. Barboza – Vila Isabel/RJ, 14-8-2019
Autor dos livros: Brinque e cresça feliz e Sinuca de bico na cuca

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