domingo, 25 de agosto de 2019

[As danações de Carina] Pequenos pedacinhos de mim mesma – Parte dois

Carina Bratt

1 Perguntas inúteis
Em que parte da nossa estrada eu me apartei de você? Onde consigo um retorno que me faça voltar ao aconchego dos seus braços?


2 Incondicional
Fiquei carente do seu amor.  Agora, sozinha nem meu espelho reflete aquela imagem de outrora. Aquele ontem onde somente a sua presença, ali, ao meu lado, bastava para cobrir de felicidades plenas todas as minhas horas, tornando meu dia inteiro numa sintonia única embaralhada entre a harmonia de ser feliz e a paixão de saber que você era inteiramente meu.  

3 Descoberta
Desde então, há um silencio tétrico percorrendo as entranhas de meu ser. Era você... Sim era você que fazia um barulho ensurdecedor, e, com ele quebrava em mil pedacinhos as amarguras que insistiam em se fazer presente quando não estava ao meu lado.

4 Nada além...
Lembranças pujantes por todo o meu corpo falam numa linguagem única que entendo perfeitamente: eu me amo você. Eu me amo VOCÊ!

5 Ponto pacífico
Seu rosto reflete o brilho do meu olhar. Seu olhar reproduz a magia que me faz sentir a intensidade de ser a única na perpetuação do seu gostar.

6 Ciúmes
As tuas mãos alisando um rosto que não era o meu.

7 Sepultamento
Minhas lágrimas escorreram, rosto abaixo, nos funerais de meu coração. Acredite! Você o mantinha vivo e pulsante batendo descompassado na velocidade do meu amor.    

8 Livre arbítrio
Correr atrás de você como uma desvairada, idealizando um porvir que nem sei se algum dia existirá à frente de minha insensatez.

9 Nossa cama
Ficou vazia depois que você nos abandonou e passou a dormir no sofá da sala.

10 Pesadelo
No meio da noite acordei assustada com gritos que vinham de algum lugar em derredor da nossa casa. Era meu coração chamando você.

11 Tal e qual
Sou gaiola vazia quando seu passarinho não está perto.

12 Arma branca
Seu punhal me feriu a alma abrindo um buraco enorme na minha decepção.

13 Fatal
Vou lá, venho cá. Torno a ir e voltar. E nem sinal da minha realidade.

14 Incurável
Um dia fugi para de dentro de mim e me tranquei com meu coração. O cupido descobriu jogou a chave fora. Desde sempre... Só pulso nós dois.

15 Cachaça braba
Bebi você a tragos ligeiros até me embriagar do seu sabor e virar meu próprio pesadelo. 

16 Final dos tempos
Minha calcinha procura urgente pelo calor da sua cueca.

17 Trágica dependência
Amarrei a minha vida à sua, assim como quem se deixa envolver por uma trilha de paisagens exóticas, todavia, sem destino certo. Um vício que prende e mata aos poucos e onde somente um desfecho se faz real. Começar tudo de novo e se perverter mais e mais e mais... Até a consumação da existência.

18 Celular
No meio da noite o telefone tocou e eu atendi. Do outro lado da linha o silêncio da sua voz me envolveu. Apesar de nada ouvir de sua boca, eu sabia, pelo descompasso da respiração ofegante:  era seu medo de me perder querendo se entrelaçar aos encantos de meus afagos na voragem doentia de nossas almas em profusão.

19 Espere só
Um dia eu esqueço que te amo e me apaixono por outro. O outro você. Aquele lado obscuro da sua existência que ainda não consegui penetrar.

20 Devaneio
Escuto teus passos na calçada. São como gotas de chuva no telhado da minha inquietação.

21 Muito distante
Você se lembra daquele dia? Sua pessoa ainda era desconhecida quando lhe dei um beijo no rosto... Agora (homem feito) quero lhe entregar o que guardei de melhor para nós: meus sonhos que construí para vivermos a dois.

22 Conclusão
Você é o meu dono. Dono e senhor. Faz de mim gato e sapato. Em seu brinquedo preferido me transformei enleada ao sabor de travesseiros e lençóis. Somos, em resumo, uma fogueira ardendo em nossa cama em festa.

23 Historinha curta demais para ser mentira
Ontem apenas um ‘talvez!’ Quem sabe ‘pode ser’ ou ‘não!’ Hoje, ah...  Hoje o ‘talvez’ de ontem se fez imenso e vastíssimo. O ‘Pode ser’ virou um tudo, descomunal e o ‘Não’, coitado, o pobrezinho se perdeu vencido nas brumas de um passado que deixou de existir. Somos um porvindouro que se renova a cada amanhecer.

24 Historinha curta demais para ser verdade
Eu era uma menina perdida num mar de rostos sem vida. O olhar distante, as mãos vazias de fome... Caminhava sem eira nem beira, seguindo uma multidão de desvalidos, à trajetória de vielas à sombra negra de uma vida ingrata demais me fazendo chorar. Então, num final de tarde você surgiu do nada. Apareceu numa esquina, como fumaça. De repente, tipo um cavaleiro montado num alazão invisível, me resgatou para dentro de seu coração. Uau! Ainda hoje aqui estou... Ainda hoje, tantos janeiros depois... Sigo por essas ruas e avenidas sonhando... Talvez outra esquina... Outro você... Louca ilusão! Meu príncipe encantado não passou de um monstro perdido saído de um desses contos infantis que ouvia na minha infância distante enquanto contava estrelas no colo aconchegante de mamãe. 

25 Carência afetiva
Sabe o que é imprescindível para mim? Precisar ouvir seu coração todos os dias batendo em meu peito. Dessa forma quase surreal, confirmo, a cada segundo, como é grande e imenso o meu amor por você.
Título e Texto: Carina Bratt, de Vila Velha, no Espírito Santo. 26-8-2019

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