sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

[Aparecido rasga o verbo] Nosso Zé cotidiano ou as falcatruas de um cadeirante nada preso às suas desditas de nascença?!

Aparecido Raimundo de Souza

O ZÉ É O CADEIRANTE mais canalha e safado, mais cachorro vira lata tipo esses que andam por ai, sarnenteados e gafeirosos  que conhecemos na face da terra. Escudado no seu assento de rodas, faz dele o seu refúgio mágico, o seu esconderijo quimerado, o seu recanto de sonhos, o seu abrigo de orgias. Isso mesmo, de orgias. Dito de maneira mais clara: o Zé faz da sua cadeira amiga, ou do seu estado de “doente-infeliz”, o patamar unglo para se autopromover a vagabundo e flibusteiro.

E acreditem. O infeliz consegue. Nesses cinquenta tons de escuro, todo bandido que se presa, necessita ter um unglo ou uma cava oculta, uma depressão desconhecida que as pessoas de bem, notadamente aqueles que o cercam cotidianamente e o têm e o vêm como honesto, não saibam onde fica a localização exata da sua insanidade anunciada. Nesse mausoléu enfurnado dos olhos da vida plena, ele maquina e engendra seus golpes sepulturados à sanha de sua mente conturbada.

Tudo com a intenção predeterminada de se autopromover a pobre-coitadinho. O desgraçado, até agora, ou até ontem conseguiu. Indubitavelmente o Zé do nosso dia a dia é um salafrário, um vigarista, um verme da marca Wilton, um aproveitador, um desonesto de mão cheia. As pessoas (vizinhos e amigos que o encontram casualmente) enfim, os que não o conhecem, ao ouvirem suas histórias e lorotas, acabam comprando a sua imagem manchada, deturpada, desfocada de bom samaritano do pau oco, quando na verdade o ilustre cidadão não passa realmente de um grandessíssimo filaucioso e charlatão.

Em outras palavras: bazofiador, farsante, impostor... Se não fosse pelo sobrenome, diríamos sem margens de erros (ainda que distante), teria além da felonia pelos que o cercam, parentesco com o nosso ilustre cachaceiro famoso de São Bernardo do Campo.  Quando dona Maria sua mãe vivia, o cara honrava todos os seus compromissos. Inclusive pagava seus advogados e demais credores à vista. Muitas vezes até adiantadamente. Quando a nobre senhora veio a óbito, as pessoas descobriram o outro lado do Zé. O lado negro. Chegaram à conclusão de que o filho das unhas, além de cadeirante, também se imbuia de uma farsa camuflada.

Trazia sobre seus costados, um ouro de tolo, usque uma criatura que não cumpria com suas obrigações, nem trazia suas contas em ordem. Meses passados, chegou ao nosso conhecimento que saiu fugido, pelas portas dos fundos, de um inferninho (ou casa de prostituição, como os senhores acharem melhor) disfarçado de Carminha Lúcia e o seu banco móvel, também da mesma laia, encapotada de Rosa Weber. Nessa confusão pior que a de Neymar e a modelo Najila Trindade, veio à tona, o estupro mais infame de todos os tempos: quem honrava as despesas que o Zé promovia e as armações (pasmem!), até o dinheiro das vagabas que levava, de contrapeso, no lombo de sua possante quatro rodas, não outra senão a mãe, pobre coitada, que a tudo custeava sem dar um pio.

Dona Maria se transformara por força não de obrigação, mas embaixo de vara em estuprada, ou abusada, vilipendiada em seu caixa-rápido para livrá-lo das encrencas, dos sufocos e até de uma mulher que arranjara lá para as bandas de Piracanjuba. O Zé ardilosamente se casara com essa dama desconhecida, e, por mal dos pecados, fora obrigada, dona Maria, a assumir juntamente com uma renca de filhos (de conluios passados da dita) e a adotar, rebentos que não faziam parte da estirpe, tampouco da consanguinidade de seu querido filhinho paralítico.

O Zé, de repente, de homem sério, honesto, reto, justo, passou a crápula, a loroteiro, a pilantra a bandido. Desde a morte de sua genitora, o písquico (variante de caloteiro e velhaco), vem construindo não caminhos sólidos, mas vários, com bifurcações as mais diversas, todos eles, entretanto, cheios de curvas fechadas, de cruzamentos perigosos, sendas e desvãos que de um momento para outro poderão levá-lo a tropeçar num emaranhado de balas de chupar para defuntos desprevenidos, ou até ver a sua vida jogada ao léu de uma forma jamais imaginada. No tapa. 

O Zé de ontem vivia à sombra fresca da mãe, como acima dissemos. O Zé de hoje vegeta a bel prazer das suas canalhices, se prevalecendo da sua condição de deficiente físico, para dar golpes, para pegar empréstimos em casas especializadas, para se escudar, com ênfase, desenhando a poder de picuinhas engodos e tramoias, um emaranhado de coisas tudo como nos buracos escusos do STF, ou seja, por debaixo dos panos. Enquanto isso, seus dois filhos menores (e os agregados da companheira de Piracanjuba), passam fome.

A prima Tereza, que ganha um salário merreca do INSS, é quem mantém a casa enorme, a televisão em funcionamento, as luzes acesas, a geladeira abarrotada, entre outras premências não relatadas. Temos pena de dona Maria. Coitada! Dona Maria deve estar se remoendo, aos prantos, em sua cova esquecida. Ela não gerou um homem de brio, de caráter. Deu vida e forma a um abestado, a um larápio que rouba a si mesmo, e pior passa os cinco dedos nos agasalhos dos filhos para cobrir os anjinhos nada legais e estrepolióticos da arranjada senhorita trazida, em repeteco, de Piracanjuba. 

O Zé, nosso de cada nascer de um novo dia, é um vigarista patifeado, salafrariado que se aproveita da sua “rodante”, para se fazer de vítima, de tadinho, e, como tal, seguir por picadas absconsas, construindo ao seu redor, um mundo sujo, nojento, onde só ele se vê protegido da sua própria estupidez galopante. Em epítome, senhoras e senhores, assim como o Zé do nosso habitual (os prezados podem ter um ao lado, comendo no mesmo prato, acomodado na mesma mesa) faz mais sucesso que “O nada a perder 1 e 2” do bisbisbispopo Pedir Maiscedo, ele, realmente, não tem nada a  perder (ele o Zé, por favor, o Zé, não o bispinho) e pior que o tombo hollywoodiano da Gaby Amarantos, em seu show lá em Belém do Pará.

Gaby depois de “bater cabelo” ou rodar a cabeça como uma piã (feminino de pião) que tomou todas, nosso amigo Zezinho segue rodando a sua cadeirinha (comprou uma nova, no cartão), dando rasteiras aqui e ali, deslealdando seus amigos, atraiçoando seus mais chegados, insidiando seus vizinhos, a ponto de sua cadeira de rodas (a antiga de quase vinte anos de serviços prestados sem reclamar) entrar na justiça por abandono de incapaz, maus tratos, e assédio sexual, em processos que prometem se arrastar e ter mais visualizações que o clássico Rei Leão.

Ops! Já que tocamos no Rei Leão, a nova versão vem como as figuras de Donald Glover, no papel de Simba, e quem diria, da esfuziante e chumbrega cantora Beyoncé Knowles-Carter, como Nala. Pois bem. Se cuidem, amados. Lembrando que temos um Zé em cada esquina. Alguns deles até com a aparência facial e irreconhecível de um galã de novelas e folhetins de terceira categoria conhecido entre os meios carnavalescos de Diamantina como Gilmar Prendes, perdão, Gilmar Mendes.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, no Espírito Santo. 3-1-2020

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