terça-feira, 7 de janeiro de 2020

[Foco no fosso] Passo perto da independência

Haroldo Barboza

Nenhum de nós deve sonhar com a colocação de nossa pátria na trilha de qualidade de vida em cinco ou vinte anos. Com otimismo devemos pedir aos nossos bisnetos para conferirem o trajeto de nosso projeto dentro de cinquenta/sessenta anos.

Cada passo para frente, isoladamente, representa recuperação de um ano de sofrimento de nosso povo. Juntando vários passos em paralelo na mesma direção (alô, centopeia), nossa desilusão recebe uma injeção de ânimo equivalente a cinco anos, que nos fará respirar um entusiasmo coletivo para tocar o projeto com alta confiança (credibilidade nos governantes) e rapidez.

Cada passo para trás equivale a cinco anos de atraso social a contaminar o “eleitário” já descrente das promessas decenárias.

Mas depois de um ano (2019) da chegada ao poder federal, estadual e legislativos de “novos”(?) elementos com “novas” ideias (aprimoramento dos desvios) já podemos projetar que tipo de plano (pronto para esgarçar) vai nos guiar nesta exaustiva jornada. Vamos ilustrar alguns “passos-a-ré” (sem cronologia) para não alongar este relato.

*** Em tempos de corte de verbas da Educação (para manter o povo no estágio “boiada”?), “sinistro” do STF não se acanha em passear em jatinho da FAB (poderia estar socorrendo habitantes esquecidos no meio da seca “fabricada”). Meio passo-a-ré.

*** Indulto natalino soltando milhares de incautos (metade não retorna) para se juntarem aos colegas que punem a comunidade gratuitamente. Meio passo-a-ré.

*** Numa época em que um satélite localiza um fugitivo da justiça no meio da torcida de futebol, causa-nos surpresa que as origens de manchas de óleo que prejudicam o turismo (R$ milhões) na orla brasileira não tenham sido identificadas. Não há interesse em revelar o responsável por esta devastação ecológica? 2 passos-a-ré.

*** O R$ trilhão de economia pretendido em dez anos (o povo paga as faturas caducadas dos grandes devedores) cai para R$ 800 BI para sustentar as mordomias de legisladores, judiciário e seus parentes “aspones”. 2 passos-a-ré.

*** Demora em escancarar a “caixa preta” do BNDES (estimativa do rombo: três vezes maior que o da PETROBRAS). Parece que desejam evitar respingos em correligionários ainda na ativa. 2 passos-a-ré.

*** Ficamos na expectativa da redução de mais de trinta legendas. Mas não é que ainda vão criar mais uma? 2 passos-a-ré.

*** Redução das queimadas da Amazônia em passo de tartaruga, em função da queda do poder fiscalizador do IBAMA e do ICM. 2 passos-a-ré.

*** Esperadas reduções de “laranjais” e “rachadinhas” entre as mais de trinta quadrilhas não vai progredir mesmo que o “amordaçado queremos voz” se disponha a expor metade das artimanhas de subtração de valores públicos. 1 passo-a-ré.

*** Criação do juiz de “garantia” para que as chances do infrator aumentem com uma canetada de um juiz “laxante”. Fora os custos deste modelo, que visa conduzir o processo para o estágio de “caducar” por decurso de prazo. 2 passos-a-ré.

*** Farta verba de R$ 2 BI para o fundo eleitoral. Com este valor aplicado em dois anos seguidos, cem mil crianças teriam assistência educacional adequada para aprenderem a conduzir a nação. 1 passo-a-ré.

*** Enquanto o SM foi agraciado com 4% de reajuste, legisladores do Pará se auto concederam aumento de 30%. 2 passos-a-ré.

*** Soltura de condenados em 2ª instância. Uma prova que a impunidade com aval de “doutos” ditos defensores da justiça. 1 passo-a-ré.

*** Rodrigo Maia eleito melhor político do ano por uma revista que já teve credibilidade no passado. 2 passos-a-ré.

Depois desta, perdi o entusiasmo em continuar este artigo.

Se pelo menos mais vinte pessoas juntarem dez temas a este relato, vamos criar um roteiro parrudo para um filme de terror. Mas o povo devidamente emburrecido por decênios, não perceberá a extensão do risco de uma futura convulsão social dentro de vinte/trinta anos por um fato muito simples.

Seguindo o exemplo da Bahia (desde os anos 50), o Rio acaba de aderir ao início do Carnaval já em janeiro. Devidamente apoiado pelos dirigentes que possuem boa verbalização para criar o cenário de festa que distrai a galera enquanto estes desviam os recursos destinados à nossa real independência.
Título e Texto: Haroldo Barboza, 7-1-2020

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