domingo, 22 de janeiro de 2012

Brancos e negros

Ricardo Martins Soares
Filho de portugueses, nasci em Moçambique onde morei até 1971. Na altura era uma colônia portuguesa, onde além dos cerca de dez milhões de negros e alguns milhares de indianos, chineses e mestiços, moravam cerca de 250.000 entre portugueses e descendentes. Com a independência, a instalação de um regime ditatorial e a guerra civil, tal como aconteceu aos portugueses de Angola também os de Moçambique tiveram que deixar a África. Entretanto, milhares de africanos entre angolanos, cabo-verdianos, guinéus e outros mudaram-se para Portugal onde hoje constituem uma importante minoria. Residi cerca de 15 anos na Europa, em Portugal e na Itália, onde me cansei de ouvir e ler comentários em que os portugueses da Africa eram apontados como "colonialistas", "exploradores dos negros", etc. Já no Brasil nos manuais escolares a questão da escravatura vem apresentada como uma barbárie cometida pelos brancos a dano dos negros. Ora, nestes dias muito se tem falado da imigração em massa de haitianos, na sua totalidade negros, para o Brasil. Considerando o "histórico" de exploração a que os negros foram submetidos na Africa e no Brasil, por que razão eles não escolhem um país africano para viver? Por que não vão para o Senegal que lhes ofereceu asilo? E os afrodescendentes brasileiros por que não se interessam por trabalhar e viver na Africa como fazem os italo-brasileiros que há muitos anos fazem fila nos consulados italianos para se mudar para a Europa? A razão é simples. Com exceção da Africa do Sul onde há uma minoria branca digna do nome (10% da população) que mesmo excluída do poder "toca" a economia daquele país, nenhum outro país africano negro oferece condições mínimas decentes de vida. Está na hora pois de rever toda essa literatura esquerdizante que aponta o branco como eterno vilão e o negro como eterna vítima explorada. Ainda que involuntariamente, ao longo dos últimos cinco séculos, as duas etnias têm se complementado: o branco com seu espírito empreendedor e conhecimento técnico, o negro com o auxílio do trabalho braçal, igualmente necessário ao desenvolvimento de um país. Uma complementaridade que não existe, por exemplo, entre africanos e asiáticos.
Título e Texto: Ricardo Martins Soares, Curitiba, 18-01-2012, no “Estado de S. Paulo
Colaboração: Lilica da Silva

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