terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os perigos nos navios de turismo atuais

Foto: AP
Arrigo Lenzi

Surpreende-me que o naufrágio na costa italiana tenha sido causado por um comandante originário de uma maravilhosa região famosa pela beleza das costas, as canções românticas e a pizza, (porém, inapta na formação do caráter), e não pelas peculiaridades dos novos mega navios e pelos donos dos mesmos.

Passaram-se os tempos de navios clássicos como o Eugenio "C", cujo casco em forma de "V" o fazia apto a sulcar os mares mais tempestuosos, suportando ventos laterais que hoje capotariam os modernos navios, chamados, no jargão da marinha, "Kombi do mar", mas cujo pecado capital era de não poder superar as 50 mil toneladas, sob pena de seu calado superar a profundidade da maioria dos portos do mundo, e não comportar mais de mil passageiros. Os novos navios de fundo chato necessitaram de algum avanço na engenharia naval para dobrar a relação passageiro - tonelada (1 para vinte, contra o 1 para quarenta de outrora), tais como poderosas hélices frontais, mas sobretudo a prática eliminação do leme pois os motores são agora alimentados por geradores elétricos e posam em pivôs que rodando no eixo facilitam a manobrabilidade do navio, eliminando as antiga fastidiosas vibrações do eixo cardan e a pesadíssima estrutura do leme. Nem a famosa roda do timão existe mais, substituída por um Joystick. Será por isso que o comandante do navio em naufrágio pensava estar num joguinho eletrônico?

Mas o preço destas Kombi do mar é que não têm suficiente resistência a fortes ventos laterais pelos quais, por exemplo, o porto de Buenos Aires é considerado um dos mais difíceis e perigosos apesar da aparência pacífica. Este perigo está mascarado pelas dimensões mastodônticas do navio. Seu tombamento lateral (raríssimo nos velhos navios) inutiliza 50% do sistema de salvatagem submergendo-o, e outros 50% impossibilitando baixar os barcos salva-vida, além de não prever compartimentos de segurança contra a inundação. O Costa Concordia não afundou em tempo menor do que o Titanic, simplesmente por estar apoiado em rochas. Esvaneceu-se o tão celebrado serviço de bordo, pois atender mais de 4 mil pessoas não é como atender mil, sem falar do sofrimento no embarque.

O prejuízo em faturamento global da perda de tal navio se traduz em cerca de U$ 500 dia por uma média de 3 mil passageiros dias, rapidamente redistribuído entre outros barcos e outras companhias.

Muito silêncio se faz sobre o navio em que se embarca, mas é bom que se saiba, pois outros perigos de natureza sutil e política não são citados, é que a Costa Cruzeiros foi vendida em 1998 para a Carnival, empresa norte americana de proprietários judeus. Alguém viajaria para o Egito ou outro país muçulmano se soubesse disto? Ironia maior é que quando era da família Costa, a Bandeira dos navios era da Libéria, e agora que é Judeu americana, tem bandeira italiana... Uma clássica pizza, mas que lamentavelmente foi mortal
Título e Texto: Arrigo Lenzi, ex-presidente Costa Cruzeiros linhas costeiras e diretor de 1994 a 1999, São Roque.
Publicado no "Estado de S. Paulo", 20-01-2012 
Enviado por Sueli Silva

5 comentários:

  1. O texto escrito pelo sr. Arrigo Lenzi, razoável enquanto eminentemente técnico, porém, totalmente infeliz e até grosseira quando no final passou a referir-se à nova propriedade da Costa Cruzeiros, denotando uma mentalidade antissemita ou , no mínimo, ignorante.

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  2. No aspecto hidrodinâmico, os grandes navios não tem o fundo propriamente "chato" como uma grande barcaça, porém, a citada construção em "V" hoje não pode ser mais adotada tendo em vista as grandes tonelagens de mais de 120 mil toneladas o que só é controlável por meio de hélices elétricas que possibilitaram as pesadas estruturas do leme principal auxiliada por duas ou três hélices na proa e na popa para a movimentação lateral dispensando os caros rebocadores. No aspecto do problema do empresário judeu (falecido) que era dono da Carnival, como todo judeu inteligente, ele era um Midas (que transformava em ouro o que tocava. Ele foi o criador dos navios de cruzeiro pois, com a chegada dos grandes jatos, os navios perderam os passageiros e foram desativados. Em 1970, havia muitos navios encostados em portos asiáticos distantes. Então, ele idealizou a remuneração dos tripulantes por meio da gorjeta. o que viabilizou a execução das viagens de cruzeiro. Como exceção, a tripulação técnica assina contrato com salário estipulado. Por essa razão, hoje a Carnival é proprietária de quase todas as outras empresas, inclusive a famosa Cunard proprietária dos grandes transatlânticos conhecidos! O Queen Elizabeth II, na viagem inaugural arranhou o fundo do casco ao sair do porto de Nova York apesar de estar navegando dentro das normas do porto e do manual técnico. A causa do acidente foi descoberta por um funcionário do porto (um curioso), que gostava de analisar procedimentos de marinha. Ele descobriu uma anomalia hidrodinâmica (cavitação), que ninguém lembrava, e que reduzia o calado quando o navio se deslocava acima de certa velocidade. Por ignorar o fato, o Comandante foi demitido da empresa! Veja como são as coisas! Alberto José

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  3. corrigindo: ... que possibilitaram a retirada das pesadas estruturas do leme principal ... o navio acidentado QEII pertencia a Cunard, que foi vendida para a Carnival. Um navio de 100 toneladas gasta de 8 a 10 toneladas de petróleo pesado por hora para movimentar os motores que impulsionam grandes geradores que mandam energia para a propulsão dos hélices!

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  4. carissimo dom arrigo lenzi come e publico nel nostro tempo le cose com la cia costa cruzeiros dove noi comandavamo era diferente vorrei fare um incontro personale per um risumo del nostro passato nalla cia costa cruzeiros. e cia piu vaticano schettini e papa .mi puoi rispondere al mio email ,vaticanologo@gmail.com oppure via linkedin ok grazie uregente ok;

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