segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Carvalho da Silva 2.0 e Idosos solitários

Pedro Fernandes Antunes
Seria bom ter um líder sindical que percebesse como é que o mundo funciona e trabalhasse com base nisso em vez de uma ficção criada por um Alemão distante (Marx)


1. Cá está ele, Arménio Carlos, o Carvalho da Silva 2.0! 56 anos, eletricista de formação. Integrou uma qualquer subcomissão de trabalhadores da Carris com apenas quatro anos de profissão. Pelos seus 30 anos torna-se dirigente do Sindicado dos Transportes Urbanos de Lisboa. Pelos 34 integra a direcção da União dos Sindicatos de Lisboa, tornando-se seu coordenador por volta dos 41 anos, momento em que passou a integrar também o Conselho Nacional e Comissão Executiva da CGTP. Aos 56 torna-se o novo líder da CGTP. Paralelamente é membro do Comité Central do PCP desde 1988.
Mais um a denunciar a “ofensiva capitalista, patronal e governamental” e a defender os “direitos adquiridos” dos trabalhadores. Um homem que pouco trabalhou como eletricista a fazer-se passar por um de “nós”.
Seria bom ter um líder sindical que percebe de facto os problemas dos trabalhadores. Que não tentasse fazer-se passar por um de “nós” num ano tão complicado como 2012. Que olhasse para as diferentes entidades na economia no papel que têm e não no papel de um qualquer teatro comunista. Patrões como empregadores; capital como investimento, seja de que nacionalidade for; sindicatos como um grupo (importante) de interesse e não como uma Madre Teresa dos trabalhadores (mas só dos empregados). Seria bom ter um líder sindical que percebesse como é que o mundo funciona e trabalhasse com base nisso em vez de uma ficção criada por um alemão distante!
Cá está ele, Arménio Carlos, o Carvalho da Silva 2.0, tão diferente que quase dá vontade de dizer que esta nova versão tem muito poucas novas funcionalidades.

 2. Não está toda a gente farta de ler acerca de como as “democracias ocidentais” falharam redondamente? Voltei a ler que casos como o das duas idosas de 74 e 80 anos que morreram em Lisboa sem que ninguém desse conta eram um sinal de que as “democracias ocidentais” estavam mais vocacionadas para atender os ricos e influentes do que para cuidar dos mais pobres e isolados.
Isto é um erro. É um erro de quem passa muito tempo a pensar nas observações e pouco tempo a pensar nas “não observações”. A esperança média de vida em Portugal ronda os 79 anos (2009). Em 1972, pouco tempo antes de Portugal se tornar uma “democracia ocidental”, rondava os 68. A idosa mais velha morreu acamada de velhice aos 80, a irmã tinha cancro e 74 anos. Claro que o que está em questão aqui não é a idade delas aquando da morte, mas o facto de ninguém ter dado conta destas mortes e por isso culpa-se o Estado, os media, os familiares e agora a “democracia ocidental” – seja lá o que isso for!
Claro que qualquer pessoa que tenha estudado o mínimo de estatística (ou que pense realmente acerca do assunto com honestidade) tem de se perguntar o seguinte: Quantos idosos morreram em condições semelhantes mas com alguém a “dar conta” nas “democracias ocidentais”? São estes milhares de “não observações”, que temos por normal, que realmente contam o sucesso das democracias (ocidentais ou não).
Título, Imagem e Texto: Pedro Fernandes Antunes, jornal “i”, 30-01-2012
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