segunda-feira, 3 de setembro de 2018

A renovação

Haroldo P. Barboza


Parece título de filme de ficção.
Talvez no futuro elaborem um filme. Ficção é imaginar que nosso podre cenário político se renovará antes de 250 anos através de eleições infestadas de ratazanas que cultivam a impunidade. Isto se a convulsão social não puder ser contida com os factoides que iludem a população deliberadamente alienada.

Vejamos as “esperanças” de mudanças que podemos ter dentro do quadro atual.

Teoricamente as alterações fundamentais para recuperarmos a dignidade do povo seriam redigidas pelo grupo legislativo federal. Tal grupo possui quase 600 elementos oriundos de 35 corporações suspeitas chamadas de “partidos”. Nome apropriado para a turma que “parte” nossa dignidade, “parte” nossas oportunidades de crescimento, “parte” nossas esperanças, “reparte” nossa grana entre eles. Só os impostos não são partidos (fracionados).

É possível que uns 15 ou 30 frequentadores da “casa” tenham boas intenções para com seus eleitores. Mas pelo fato de não se desligarem do grupo nem denunciarem as maracutaias regularmente arquitetadas (muitas durante as madrugadas ou durante festejos populares) que crescem ao lado de suas salas, acabam se transformando em “inocentes úteis” para dar uma aparência de “honestidade” ao fedorento local.

Então a maior parte do povo (que acredita em urna-E sem recibo) imagina que numa nova eleição será possível efetuar uma faxina para exterminar as ratazanas que comprometem a saúde (orgânica, mental e financeira) da nação.

Sem perceber os seguintes detalhes (breve resumo) deduzíveis:
- alguns com a ficha encardida, saem. Mas com a grana acumulada depois de 30 anos lesando nossos cofres, patrocinam seus herdeiros que manterão as artimanhas de seus mentores distantes (nada de CPI) dos holofotes. E criarão novas mutretas tendo aquelas como exemplo;
- novos nomes ainda não relacionados (nenhuma coligação) às raposas esfomeadas, terão poucas chances de serem eleitos por falta de verba e pelo temor dos eleitores de que mais uma “quadrilha” esteja sendo montada. Se apenas 20 ou 30 jovens conseguirem esta proeza, terão seus projetos rejeitados pelo bando que não abre mão do poder tirano através de suas canetas criminosas. Estes sonhadores jovens correm o risco de reforçar o grupo de “inocentes úteis” que acabam sendo motivo de chacota dos mal-intencionados.

A NÃO SER QUE ...

... o novo partido que os lança, dê uma CLARA demonstração de que está chegando ao tablado para uma luta em prol da limpeza. E como ganhar a confiança da população que já não mais acredita no velho discurso que começa com “se eu for eleito, prometo blá-blá-blá”?
Com comprometimentos anotados em cartório (disponíveis aos eleitores por meios eletrônicos) e atitudes que possam ser conferidas por “balancetes” frequentes.

Seguem apenas duas sugestões.
Como o novo rumo tem como carro-chefe a eliminação das mordomias imorais atualmente “legalizadas”, o regimento interno (RI) do novo partido deve conter os seguintes compromissos a serem assinados pelos integrantes quando da filiação ao novo partido:
Art 1 – qualquer integrante de nosso partido, caso venha ocupar qualquer cargo eletivo, abrirá mão de “complementos” salariais (disfarçados) do tipo: (*0*)
( *0* ) = a regra vale para qualquer idade do “complemento” (antigo ou recém criado).
§1 – Sua verba para contratar assessores, patrocinar eventos e adquirir artefatos será reduzida em 75%.
$2 – Suas viagens jamais serão efetuadas em aviões da FAB (nem outra entidade militar) nem “emprestadas” por governadores amigos.
$3 – Caso deixe de comparecer (*) ao seu local de trabalho mais de 10 dias por ano, pedirá a renúncia de seu cargo.
(*) = sempre que a falta for justificável, o motivo constará do “balancete” que ilustraremos a seguir.
$4 – Abrir mão de 75% de “auxílios” (moradia, gasolina, selo postal, assemelhados).
$5 – Enquanto estiver ocupando o cargo eletivo, matricular filhos em escola pública de sua região de moradia ou adjacências.

Prezado leitor: acrescente algo mais que seja viável.

Art 2 – Caso o comando legislativo alegue que ninguém pode abrir mão do que está “definido” (eles não querem que parceiros demonstrem que é possível exercer o cargo sem estas verbas), isto será feito (e exibido no “balancete”) através de cheques emitidos pelos comprometidos com a lisura (isto o comando da “casa” não poderá impedir) que norteia nosso partido. Os valores de cada cheque ou comprovante de transferência (BD de digitalizados de fácil acesso por meios virtuais) serão destinados às instituições (diversos municípios) que há dezenas de anos (**) prestam serviços úteis à sociedade (SUIPA, ABBR, creches, abrigos, desabrigados, outras do gênero) e atualmente NADA recebem do poder público.
(**) = isto evita que uma “nova” ONG se torne “laranja” de algum esperto.
Art 3 – Trimestralmente nosso partido editará um “balancete” (acesso por meio virtual) de fácil compreensão para todas as camadas de eleitores. Qualquer estagiário elabora e alimenta este BD.

Neste documento (em forma de tabela) constarão:
nomes dos doadores + quantidade de faltas dos parlamentares;
Itens complementares de ganhos adicionais;
valores destes itens;
valores doados;
entidades beneficiadas + CNPJ; (***)
códigos dos documentos (para consulta ao BD digitalizado).
 (***) = quatro adendos aqui:
- nenhuma entidade poderá receber mais de 15% do montante acumulado que o benfeitor reservou para as doações;
- nâo poderá receber doações do mesmo benfeitor mais de seis vezes por ano;
- não poderá receber doações de mais de 5 benfeitores no mesmo mês;
- fica obrigada a exibir estas doações em seu site ou em sua página no facebook (quem não tiver este espaço, que o crie. Não é caro) para conferirmos contra o “balancete” do partido que abriga os benfeitores.
Art 4 – Nas convenções que antecedem as eleições da época, cada candidato será convidado a assinar documento (com firma reconhecida) concordando com os artigos anteriores. Sem isto, seu nome não será homologado para a disputa eleitoral. A mídia estará acompanhando a convenção.
$1 – Em tendo assinado e não praticando o que aqui ficou acordado, será excluído do partido e o povo será adequadamente informado (mídia pesada) sobre a prática do “cidadão” que fere nossa ética comprometida com a transparência.

Se estes 4 “artigos” constarem do RI (fonte tamanho 16 negritado) de algum partido novo, até eu passarei a orientar meus colegas (104, que como eu) estão propensos a votar NULO (teoria dos alimentos vencidos).

E posteriormente, passaremos aos nossos herdeiros a certeza (apesar daquele túnel que abrigava luz lá no fundo ter desabado faz tempo) de que ainda temos onde ancorar para seguir na luta (áspera) por um futuro digno numa trilha isenta de ervas daninhas.
Vamos ver quem realmente é coerente quando em busca de votos.
Nossa sociedade é um colosso. Sobrevive no fundo do poço.
Título, Imagem e Texto: Haroldo P. Barboza, Rio de Janeiro, 2-9-2018

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