segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Sínodo Pan-Amazônico, um balanço

Fratres In Unum.com

Leonardo Boff afirmou em 2013, para o Estadão, que “Francisco não é um nome, mas todo um programa de Igreja”. De fato, desde a escolha do nome, passando pela publicação de Evangelii Gaudium e Laudato si, pela convocação e realização do Sínodo sobre a Amazônia, o Papa argentino está apenas realizando um mesmo e único programa, que está chegando ao seu desfecho.

Basílica de São Pedro, 27 de outubro de 2019: Papa Francisco na Missa de encerramento do Sínodo Pan-Amazônico
Precisamos ler em profundidade os acontecimentos para perceber além das aparências superficiais.

Um povo perdido
A Igreja foi instituída por Deus para ser um reflexo do rosto de Jesus Cristo no mundo. Quando ela não realiza esta sua finalidade, o povo simplesmente se afasta, não corresponde mais aos estímulos da hierarquia ou, o que é mais grave, responde negativamente, como resistência e oposição.

A pergunta crucial é: para o povo, a tal “igreja amazônica” que os progressistas querem inventar é um reflexo de Jesus Cristo ou dos falsos deuses demoníacos da floresta?

A resposta parece bastante óbvia. Basta verificar as reações inflamadas em todos os continentes, as quais não puderam sequer ser ignoradas pelos meios oficiais de comunicação da Igreja, dentro e fora do Vaticano. A página do facebook do Vatican News teve de banir centenas de pessoas, dados os comentários furiosos contra os atos blasfemos perpetrados durante o Sínodo. O mesmo se deu por todas as redes sociais.

Por parte de Francisco e de sua corte, partiu-se ostensivamente para a hostilização do povo católico. Em seu discurso na última seção de trabalho sinodal, Bergoglio pediu desculpas pela petulância, depois de dizer que as críticas ao Sínodo provêm de uma elite preocupada com mesquinharias… Esta é uma inversão psicótica da realidade: ele está na função de Papa, com um séquito de cardeais, arcebispos, bispos, fundações milionárias, respaldo de acadêmicos, de políticos de esquerda, organizações internacionais, mas a elite é o… povo!

Ao pedir desculpas também pela retirada do ídolo de Pachamama, atirado no rio Tibre, Francisco demonstrou completa falta de sensibilidade para com os fiéis católicos, agredidos por aquele culto pagão dentro de suas igrejas. Pior! Na homilia da missa de encerramento do Sínodo, Francisco colocou em nível inferior os atos de piedade da religião católica, dizendo que “a ‘religião do eu’ continua, hipócrita com os seus ritos e as suas ‘orações’, esquecida do verdadeiro culto a Deus, que passa sempre pelo amor ao próximo. Até mesmo cristãos que rezam e vão à Missa ao domingo são seguidores desta ‘religião do eu’”.

Não se trata de ignorar o povo. É muito mais grave: ele agride os fiéis católicos propositalmente, insultando-os, enquanto afaga pagãos e os seus ritos satânicos. Não tenhamos dúvida: os atos violentos de Francisco contra a Igreja são calculados e propositais. Ele quer provocar os católicos autoritariamente para se impor como um tirano, um verdadeiro ditador.

Este racha entre Francisco e o povo já não é mais disfarçável. Ele perdeu realmente as ovelhas e, ao que tudo indica, não conseguirá recuperá-las.

“Novos caminhos para a Igreja”?
O lema do Sínodo era bastante eloquente: “Novos caminhos para a Igreja”. No entanto, tudo o que nós vimos foram os mesmos refrões contestatórios da década de 70, já respondidos pelo magistério, e apenas reeditados como uma grande revanche.

Até o “Pai-nosso dos mártires”, cantado pelas CEBs na década de 80, foi entoado na Igreja da Transpontina. O clima rançoso de uma Teologia da Libertação já ultrapassada e extremamente brega foi o ambiente mesmo que se respirou nos dias desse Sínodo.

Os revolucionários sinodais são tão alérgicos para conservarem as tradições católicas, mas rivalizam em zelo quando o assunto é conservar ideologias fracassadas de décadas passadas, ideologias que não deram certo, ideologias que não se reproduziam, por isso, nas gerações seguintes, ideologias que ninguém mais leva a sério!

Pela sua completa incapacidade de se reinventar e, ao mesmo tempo, de se enganar por causa da própria euforia e da confirmação mútua, eles se isolaram eclesialmente, tanto do ponto de vista do tempo quanto do espaço. Enquanto isso, o tempo vai passando e eles vão perdendo o bonde da história, convencidos de que já estão no futuro, enquanto perecem como loucos, agrilhoados a um passado que só existe em sua cabeça.

Viri probati, não. Velhos probati.
É esta perda de contato com a realidade e de enclausuramento nos velhos caminhos que já fracassaram que os fez perder a completa relevância para as novas gerações.

Nas dioceses e congregações em que prevalece a Teologia da Libertação, tudo é morte! Não há mais vocações. Assim como no Evangelho, eles repetem o milagre da figueira seca: “Jamais nasça fruto de ti”, disse Cristo (Mt 21,19).

Por outro lado, nos lugares em que se reacendeu a chama da fé tradicional, mesmo que ainda revestida de modos excessivamente sentimentalistas, as vocações voltaram a aparecer. O clero jovem não tem nada a ver com a teologia da libertação! E os bispos sabem disso, mas ficam com as mãos atadas: precisam de padres, mas os que aparecem são todos “conservadores”.

O princípio para a difusão de uma ideologia é sua “reprodução”, em outras palavras, a doutrinação através da educação. Sem isso, a ideologia morre! Esta é a única maneira de ela se propagar. Ora, com a miséria intelectual da esquerda, especialmente dos teólogos da libertação, esta “reprodução” ficou chagada, totalmente comprometida, não consegue mais atingir os jovens. Eles não conseguem quadros! Faltam-lhes militantes!

O modo mais rápido de resolver este problema e neutralizar a ação do clero jovem é ordenando “velhos probati”, já formados naquela mentalidade antiga. Obviamente, este recurso será suplementado pela readmissão de padres que abandonaram o sacerdócio para casar e amargaram décadas de revolta contra a Igreja para, agora, despejarem todo o seu veneno sobre o povo.

O problema desta estratégia dos libertadores é que, mesmo com essas medidas, eles não conseguirão superar uma barreira inexpugnável: o limite biológico, a duração das vidas humanas individuais. Eles estão morrendo, já estão idosos e senis, não têm mais tempo e, por isso, estão agindo com pressa, tendo de sacrificar, para isso, sua própria honra. Francisco é o último trem da estação!

O que lhes sobrou foi uma mera tentativa de sobrevida. E só! Eles estão sem perspectivas reais. Nenhuma preocupação com sacramentos ou com evangelização, é tudo estratégia de reprodução. Aliás, o documento final do Sínodo propõe desde já uma “abordagem universal” ao assunto.

Obstinação flagrante. O momento dos leigos.
Todos os padres que levantaram a sua voz contra Bergoglio foram excomungados. Por isso, o desespero completo da ala bergogliana é que a verdadeira reação contra ela não é oriunda do clero – amordaçado pela patrulha criada por eles para inibir qualquer crítica –, mas do povo, e não é uma prerrogativa de grupos tradicionalistas.

O Vaticano simplesmente não sabe o que fazer com os protestos clamorosos. Finge que são brados isolados, rotula-os como psicóticos, mas não tem o que fazer contra isso.

Ao mesmo tempo, Bergoglio radicaliza na mesma medida em que vai se aproximando o fim de seu pontificado. Teimoso, turrão, obstinado, ninguém o para: ele segue adiante como um trem e não recua nem um milímetro em sua agenda.

Por isso, precisamos nos persuadir de que esta é a hora dos leigos. Não podemos recuar, não podemos afinar. Há uma grande parte do clero que, apesar de não dizer nada, apoia-nos tacitamente, ao menos com o seu silêncio. Existem aqueles padres que são bajuladores e carreiristas, mas que também fazem corpo mole diante do progressismo de Francisco: elogiam-no com a boca, mas continuam com as mesmas atitudes, pois não querem se indispor com povo. Afinal de contas, o Papa está em Roma.

Agora é hora de gritarmos, de nos manifestarmos pelas redes sociais e de não nos acovardarmos em um silêncio cúmplice. Não entregaremos a nossa religião no colo do demônio. Não ficaremos inertes enquanto usam a nossa Igreja para recrutá-la nas fileiras dos maiores inimigos de Cristo.
Em certo sentido, a pressa dos progressistas é sinal de que eles são muito conscientes de que lhes resta pouco tempo.

Papado versus Francisco.
O volume das críticas contra Bergoglio é a prova de que, na consciência do católico médio, as suas ações o estão descolando do papado — em outras palavras, ele tem a potestas (o poder), mas não tem a auctoritas (a autoridade).

Desde o começo ficou muito clara a sua falta de autoridade intelectual, incomparável com a de Ratzinger. Mas, quanto mais o tempo foi passando, mais ele mesmo sepultou a sua autoridade moral, que praticamente não existe mais. O pouco que lhe resta de certo respeito é pela áurea artificialmente criada pela mídia, a qual só afeta os católicos não praticantes. No mais, já estão todos cansados deste pontificado.

Não dá mais pra esconder o caráter eminentemente demagógico de Francisco. Ele fala demais, quer brilhar, mas não convence. Até Nizan Ganaes, na Folha de São Paulo, disse que “sem emoção, cerimônia de Irmã Dulce foi mais bonita na TV. Papa Francisco chegou com a vibe de tirar a Igreja da mão da Cúria e levá-la para o povo, mas foi abduzido pela burocracia”.


O de Francisco é um pontificado em desencanto. Alguns já o sabem desde o dia mesmo da eleição, outros o descobrem com o passar do tempo, mas o número dos descontentes não para de crescer.

O ideal, realmente, é que Francisco não renuncie, para não dar legitimidade a um pontificado que a perde a cada dia. Ele precisa ir erodindo até que todo o povo perceba a farsa e não reste mais aparência alguma, para que a verdade prevaleça e, futuramente, um bom papa possa cancelar os seus atos.

Deo gratias. As máscaras caíram.
Desde a sua eleição, nós temos anunciado continuamente que Francisco faria aquilo que ele fez, mas os cleaners não cessam de alimentar aquele otimismo ingênuo que as pessoas insistem em confundir com fé no papado. Esta mentira está sendo desconstruída sucessivamente pelo próprio Francisco, o qual não faz nenhuma questão de provar a continuidade com os seus predecessores.

Por mais doloroso que seja, que ele atente contra o celibato, contra a natureza da ordenação, contra a catolicidade da liturgia, e que respalde o paganismo, a imoralidade, a transgressão de todas as tradições católicas, tudo acaba tendo um efeito salutar: é o único modo de as pessoas acordarem!

Agora, os cleaners vão se apegar ao fato de que precisamos esperar a Exortação Apostólica, que o Papa não irá aprovar nada disso, e vão cruzar os dedos, fazer pensamento positivo, mentalizar a conversão (seria um milagre, de fato!) de Bergoglio… mas, no fim, ele fará o que está desde sempre decidido a fazer. Isso é um programa! Ele não está blefando!

Em certo sentido, o clero conservador precisa aprender com Francisco. Com 82 anos de idade e apenas um pulmão, é ele pessoalmente que lidera e manda, trata os seus inimigos com despeito e tem completa intolerância com seus adversários. Nós precisamos preparar a revanche dos católicos! Os Papas anteriores sempre quiseram fazer equilíbrio de forças e exatamente por isso colocaram a Igreja neste precipício: a máfia de St. Gallen deu um golpe de Estado, derrubou Bento XVI, elegeu o seu antagonista e agora está humilhando completamente os seus inimigos.

Outra lição que precisamos aprender dos progressistas é como eles são capazes de se unir em torno de um ideal comum. Por mais divergências que eles tenham, como os demônios, eles são capazes de se abandidarem para atacar um inimigo comum. Os tradicionalistas e conservadores, ao contrário, ficam a vida inteira apegados a picuinhas internas e são incapazes de se unirem em defesa da fé, que deve ser a nossa única prioridade.

Por isso, temos de manter a nossa resistência firme, sabendo que nem um próximo pontificado com ares mais conservadores nos enganará. É necessária uma ruptura com as ideias do atual pontificado, que atentam contra a Igreja. Qualquer Papa de boa-fé terá de fazer isto, pois aqui não cabe política. Trata-se de um posicionamento a favor ou contra a Fé Católica.

O elemento principal: a graça divina
Nós estamos presenciando o embate histórico entre a fé e a idolatria pagã dentro dos muros de São Pedro – é inacreditável! E, nesta luta, não estamos abandonados às nossas próprias forças. Existe a graça divina, e ela não é neutra. Apesar de todas as políticas humanas, é Deus o principal protagonista desse combate.

Em geral, preocupamo-nos demasiadamente com a eficácia e com o tempo. Por isso, fazemos tanta política. Em outras palavras, nós pensamos que tal ou qual ação de oposição à impiedade não terá nenhum efeito, que isso pode demorar demais, enquanto Deus está provando justamente a nossa fidelidade, em troca da qual ele pode apressar a intervenção da sua graça.

Deus é eterno. Ele não precisa se apressar. Contudo, Ele é Onipotente, o que significa que esta provação da Igreja pode demorar séculos ou pode acabar em brevíssimo tempo! Não esqueçamos que os sofrimentos da Paixão de Nosso Senhor foram intensíssimos, mas a sua ressurreição aconteceu em apenas três dias.

Não curvemos as nossas cabeças diante de Baal. Sejamos firmes em nossa resistência. Não deponhamos as armas! Hoje, o que se pede a nós é menos preocupação com a eficácia e mais zelo pela glória de Deus!
Título, Imagem e Texto: Fratres In Unum.com, 28-10-2019

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