segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Crivella sobre a Linha Amarela: 'Tomamos medidas para que o pedágio não fosse cobrado'

Felipe Grinberg

Em uma transmissão ao vivo na tarde desta segunda-feira em sua página pessoal, o Marcelo Crivella voltou a defender a liberação do pedágio da Linha Amarela. O prefeito ainda afirmou que o município, sabendo que a empresa iria recorrer na Justiça, tomou medidas para evitar que a Lamsa, concessionária da via, não voltasse a cobrar a tarifa nos próximos dias. Neste domingo, retroescavadeiras destruíram placas e cancelas da Linha Amarela.


O prefeito ainda afirmou que há um ano vêm cobrando com a empresa sobre criticou a decisão do Tribunal de Justiça, que no plantão judiciário, ordenou a volta da cobrança do pedágio. Crivella disse também que espera reverter a decisão na Justiça:

— Não fui eleito para ser omisso e para me acovardar. Não sou um homem de desfilar na Marques da Sapucaí. Não sou de aparecer, mas cumpro meu dever, que era esse. Sabíamos que a Lamsa iria recorrer ao Tribunal de Justiça. E numa decisão liminar, de madrugada e sem muitas informações, a juíza determinou que voltassem a cobrar. Bem, vai demorar. A prefeitura, como dona da concessão e da Linha Amarela tomou medidas para que o pedágio não fosse cobrado e vai demorar um tempo para que volte — afirmou o prefeito, completando que pretende recorer da decisão da juíza.

Praça do Pedágio nesta segunda-feira. Foto: Jose Lucena/Futura Pressa/Estadão Conteúdo
Crivella voltou a defender que há um "grande desequilíbrio econômico-financeiro" no contrato firmado entre a prefeitura e a Lamsa.

— É por isso que a prefeitura se sente no direito e no dever de fazer que essa concessão termine.

Temos outras medidas judiciais e a Câmara de Vereadores do nosso lado. Vamos tomar ações que vão facilitar que mais rapidamente tomemos posse disso, em benefício da nossa população — disse Crivella, comparando o preço da Linha Amarela com a ponte Rio-Niterói:

— Na ponte é cobrado cerca de R$ 0,15 por quilômetro. Lá eles fazem a conservação e uma operação complicada. A Linha Amarela é R$ 15 ida e volta. Se fossemos cobrar proporcionalmente, deveria ser R$ 2,25 indo e voltando — comentou.

Pedágio da Linha Amarela deve ficar sem cobrança por mais de um mês
O presidente da Lamsa, concessionária que administra a Linha Amarela, Eduardo Dantas, disse que a cobrança da tarifa de pedágio pode voltar a ser feita somente daqui a um mês, em razão dos danos provocados pela ação da Prefeitura do Rio na noite de domingo. As cabines foram destruídas, assim como as câmeras instaladas para monitorar o movimento de veículos. Dantas disse que ainda é muito cedo para avaliar o prejuízo. Ele afirmou que os serviços da concessionária — como mecânico, reboque, assistência médica e a manutenção da via — foram restabelecidos às 5h30 desta segunda-feira, quando a Lamsa conseguiu uma liminar da Justiça suspendendo a intervenção da prefeitura.

— Ainda vamos avaliar o impacto dos danos. E isso vai levar algum tempo. Vamos fazer toda a recuperação possível. Obviamente que o dano, o valor financeiro impactado, nós vamos cobrar do poder concedente, da prefeitura. Ainda é muito preliminar afirmar quando o serviço (de cobrança de pedágio) será restabelecido. Vamos fazer uma avaliação detalhada, mas acredito que essa situação vai durar um pouco mais de um mês — disse Dantas.

Por causa da intervenção municipal e dos danos causados aos equipamentos, a pista reversível que costuma ser aberta em direção ao Centro, durante a parte da manhã, não foi delimitada nesta segunda. O tráfego ocorre em quatro pistas abertas em ambos os sentidos.

Perícia nas cabines
A Lamsa registrou a destruição das cabines do pedágio na 26ª DP (Todos os Santos) como crime de dano, informou a concessionária. Por volta das 11h desta segunda-feira, policiais civis do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) chegaram ao pedágio da Linha Amarela para fazer perícia.

Técnicos da concessionária fazem avaliações nas cabines destruídas pela ação da prefeitura. O objetivo é calcular o valor dos danos e saber se algum equipamento escapou da ação dos funcionários municipais. Eles estão usando celulares para tirar fotos de todos os equipamentos.

'Reduza a velocidade'
A concessionária está fazendo um alerta em seus painéis eletrônicos sobre a situação na praça do pedágio. "Atenção: cabines destruídas. Para sua segurança, reduza a velocidade", diz o aviso.
Mesmo assim, a velocidade dos veículos que cruzam o pedágio é elevada. A Lamsa faz um apelo para que os motoristas cruzem a praça devagar.

Vários motoristas passam pela praça do pedágio ovacionando o prefeito Marcelo Crivella.

— Não sou a favor do quebra-quebra que aconteceu. Mas sou a favor do fim da taxa do pedágio de R$ 7,50, na ida e na volta. Você vai daqui para Niterói e paga R$ 4,30 na Ponte Rio-Niterói. Só na ida. E é uma rodovia intermunicipal. E dentro da nossa cidade temos que pagar R$ 7,50. Isso é um absurdo! — disse o motorista de aplicativo Carlos Cleber da Silva Barroso, de 35 anos.

Ele contou que passa pela Linha Amarela diariamente, às vezes mais de dez vezes por dia, para levar passageiros ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, que fica na Ilha do Governador, na Zona Norte:
— Por que eles não reduzem o preço? Poderiam cobrar só a ida e não cobrar a volta. Seria uma forma de resolver.

Carlos, porém, disse achar que a prefeitura não conseguirá fazer a manutenção da Linha Amarela.
— Não sei se a prefeitura vai dar conta de manter a via. Porque as ruas da cidade, por exemplo, estão todas destruídas. Será que a prefeitura vai conseguir manter? Essa é uma dúvida também — pontuou.

PM multa motoristas
Enquanto muitos motoristas passam pelo pedágio da Linha Amarela buzinando, gritando o nome do prefeito ou frases como "Caiu o muro de Berlim", um policial militar do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) está aplicando multas a quem esteja dirigindo infringindo a legislação. Até as 11h30, mais de 30 penalidades há haviam sido aplicadas.

Parte delas foi para motoristas que passaram fazendo imagens das cabines com o celular e, portanto, com apenas uma mão no volante. A multa, nesse caso, é R$ 293. A infração é considerada gravíssima, com perda de sete pontos na carteira de habilitação.

Quem passa buzinando muito, sem justificativa aparente, também está sendo multado. E são muitos os motoristas que passam pelo pedágio usando as buzinas de forma incessante para comemorar a suspensão da cobrança do pedágio. O PM explicou que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê multa de R$ 80 e três pontos na habilitação para quem buzinar continuamente sem justificativa.

Lamsa: 'Crivella rompeu limites do bom senso e da legalidade'
Em nota, a Lamsa repudiou "veementemente a decisão ilegal e abusiva do poder municipal, que só causa transtornos à sociedade carioca. Os danos causados à Lamsa ainda serão avaliados pela equipe da concessionária. A cobrança do pedágio permanecerá suspensa até o restabelecimento das condições mínimas de operação e de segurança da concessionária".

Para a concessionária, "Crivella rompeu todos os limites do bom senso e da legalidade. O prefeito não pode cancelar um contrato de concessão unilateralmente dessa forma. A Lamsa lamenta os atos de vandalismo físico, jurídico e administrativo praticados pelo prefeito, e confia na Justiça para o restabelecimento definitivo do respeito ao cumprimento dos contratos, à ordem e ao Estado de Direito para que possa continuar oferecendo serviços de qualidade à sociedade carioca".
Título, Imagem e Texto: Felipe Grinberg, EXTRA, 28-10-2019

Um comentário:

  1. E aí, Carioca, você concorda com a decisão do Prefeito do Município do Rio de Janeiro?

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