terça-feira, 29 de outubro de 2019

"Não há partidos de extrema-direita, nem pode haver, em Portugal"

Cristina Miranda

Já estou com os cabelos em pé de tanto que vejo repetido, as palavras “extrema-direita” colada aos partidos que não defendem os “valores progressistas” da esquerda radical. Não há paciência que aguente tamanha desonestidade intelectual vinda da parte daqueles que deveriam informar em vez de doutrinar. Não, não há partidos de extrema-direita em Portugal nem pode haver. É a própria Constituição Portuguesa que o diz. Não sou eu. Exige-se seriedade.

No artigo 46º – Liberdade de Associação diz assim: “não são consentidas associações nem armadas nem do tipo militar, militarizadas, ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem ideologia fascista” e o artigo 8° da Lei dos Partidos o seguinte:

Assim sendo, como explicam alguns senhores jornalistas e comentadores a insistência em conotar partidos portugueses à extrema-direita?



Fascismo não é nem nunca foi de direita. O facto de ter sido omitido das aulas de História nas escolas públicas não faz desaparecer a sua origem. E qual é ela? O fascismo nasceu com o filósofo italiano socialista Giovanni Gentile que acreditava que existiam dois tipos opostos de democracia: uma liberal individualista que considerava egoísta e outra, a verdadeiramente democrática, na qual os indivíduos se subordinavam ao Estado, uma comunidade que lembrasse a família e em que estivessem todos juntos pelo bem comum.

Gentile era de esquerda portanto inequivocamente o fascismo de que ele é autor é uma forma de socialismo só que mais funcional. Enquanto o marxismo mobiliza as pessoas com base apenas na sua classe, o fascismo mobiliza apelando às suas identidades nacionais e classes. Segundo ele, toda a ação privada devia ser orientada para servir a sociedade. Nesta ideologia não há distinção entre interesse privado e público pois o braço administrativo da sociedade é o Estado. Mussolini resumiu esta ideologia numa frase: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”. Dois socialistas nos anos 30 foram mentores na aplicação deste capitalismo direcionado pelo Estado: Hitler (líder da Nacional Socialista que por contração deu origem à palavra “nazi”) e Mussolini. A UE reconheceu finalmente que o Nazismo e Comunismo, duas ideologias extremistas, têm a mesma origem. Já não há desculpas para os média continuarem com a mesma ladainha.

No lado completamente oposto está o Conservadorismo. Aqui defende-se um governo mínimo e liberdade individual que levado ao extremo transformaria a sociedade numa anarquia (sociedade constituída sem governo) o que inviabiliza completamente a possibilidade de se criar uma ditadura porque é um sistema baseado na negação da autoridade. Mas isto ninguém lhe dirá. É para manter “esquecido” não vá a sociedade acordar do coma.

Concluindo: se não há partidos de extrema direita em Portugal, porque não é permitida por lei, por que razão continuam a rotular certos partidos antissistema como tal?

Bom, só não vê quem não quer. A sociedade que temos hoje é socialista (não confundir com socialdemocracia): Estado enorme com tentáculos gigantes que controlam todos os aspectos da nossa vida retirando gradualmente as liberdades individuais; impostos elevadíssimos que nos empobrecem, para justificar um Estado social cada vez mais deficitário e ineficiente e alimentar o “apetite voraz” dos governantes; um sistema eleitoral que eterniza os grandes partidos no poder impedindo a renovação do Parlamento dificultando a entrada de novas forças políticas; oligarquias nos governos; milhões de dependentes do Estado desde particulares a empresas para maior controlo das massas; ensino doutrinário; censura e perseguição às vozes divergentes. Como fazer frente a partidos que se dizem dispostos a ACABAR com esta sociedade para fazer renascer outra totalmente livre, igualitária, pacífica, inclusiva e justa com valores e ordem social, o maior perigo para a disfuncional sociedade esquerdista? Gritando “vem aí o lobo mau”!

Na verdade o que entrou para o Parlamento não foi a extrema-direita mas sim a verdadeira direita (que nunca existiu em Portugal ) e que através do seu manifesto político promete corrigir os graves atentados à democracia de que fomos vítimas durante décadas. É a reposição dos valores ensinados pelos nossos pais e avós numa sociedade completamente à deriva, perdida nos seus conceitos pseudo-progressistas de desconstrução social.
Título, Imagem e Texto: Cristina Miranda, Blasfémias, 28-10-2019

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