domingo, 2 de fevereiro de 2020

Sexo na adolescência: por que no te callas?

Vitor Geraldi Haase

Tudo que esse Governo faz ou diz encontra uma resistência insensata por parte da imprensa e da esquerda, que são a mesma coisa. Admito que o Bolsonaro e o Weintraub falam muita besteira e todos ganharíamos se calassem a boca. Seria o caso de dizer-lhes, como o Rei da Espanha para o Hugo Chávez: “Por que no te callas?”

Mas eles não falam apenas. Fazem muito. E algumas coisas que fazem são ótimas, apesar de desagradarem aos justiceiros sociais, os ungidos pela superioridade moral advinda do petralhismo.

O que Lula e Dilma faziam? O que faz o Bolsonaro? Chegava o Carnaval na era petralha e o governo fazia propaganda do uso de drogas e do sexo casual. A mensagem era:
a) “Transem à vontade, comportem-se como bichos. Não tem problema. O governo fornece camisinha e pílula do dia seguinte”;
b) “Usem drogas, o governo fornece seringas”.

Agora vem o Weintraub e diz: “Pais e mães, contem histórias para seus filhos, construam uma família. Isso é importante para que as crianças aprendam a ler”.

Agora vem a Damares e diz assim: “Gurizada, refreiem o ímpeto. Começar a transar muito cedo não é uma boa”.


E o mundo desaba, como se eles estivessem falando coisas absurdas. Vamos ver por que não são absurdas. Vamos pegar o caso do sexo. Minha geração é culpada pela tal revolução sexual. Lutamos pelo direito ao “sexo antes do casamento”. E fomos bem-sucedidos. Atualmente, os jovens têm liberdade para transar na adolescência. Nem por isso são mais felizes. Se fossem, não teriam proliferado os 700 gêneros que existem atualmente.

Essa proliferação dos gêneros apenas reflete infelicidade, profunda insatisfação com a própria sexualidade. Comportam-se como adolescentes auto-referenciados, acreditando que as outras pessoas estão se preocupando com a sua (deles) sexualidade. Cada uma das pessoas felizes está tão ocupada com seu sexo que não tem tempo nem motivação para se ocupar da sexualidade alheia.

Facilita, a vida sexual da Damares deve ser mais satisfatória do que a de toda essa turma que a critica. Como evangélica, a Damares entende que qualquer relação sexual envolve (ou deveria envolver) um componente afetivo, de relacionamento interpessoal. Sexo envolve (ou deveria envolver) responsabilidade interpessoal. Lord Scruton tratou desse assunto em um livro brilhante sobre o desejo sexual (Scruton, 2006).

A diferença é gritante. A política da era petralha era orientada por wishful thinking ideológico.

A política de direitos humanos da Damares é, sim, orientada por valores morais, mas também por uma reflexão filosófica sólida (de Carvalho, 2020) e por evidências científicas.

Vamos às evidências científicas. Reis e cols. (2020) acabaram de publicar um estudo demográfico muito interessante. O estudo foi conduzido com mais de 4 000 crianças de 11 a 15 anos de diversos estados brasileiros. Os resultados mostraram que a chance de se envolver com sexo precoce e sexo inseguro dobra para crianças que relatam uso de drogas e que vêm de famílias com estilo parental negligente.

O que significa estilo parental negligente? Na década de 1970, Diane Baumrind desenvolveu um tipologia dos estilos parentais, baseada em duas dimensões, controle e envolvimento:
a) Autoritário (controle sem envolvimento);
b) Indulgente (envolvimento sem controle);
c) Negligente (ausência tanto de controle quanto de envolvimento);
d) Authoritative (presença tanto de controle quanto de envolvimento).

Os resultados de Reis e cols. (2020) confirmam para a população brasileira aquilo que tem sido observado de forma consistente, há décadas. As crianças de famílias authoritative são mais felizes, se desenvolvem melhor.

As famílias autoritárias só funcionam para os asiáticos.

Uma família indulgente ou negligente é um importante fator de risco psicossocial para o desenvolvimento humano. Como o estudo foi feito no Brasil, não dá para dizer que isso é coisa de gringo e que não existe (ou não deveria existir) pecado ao Sul do Equador.

O pior para os "resistentes" do #EleNão é que essa preocupação dos pais em postergar o início da atividade sexual dos filhos faz todo sentido evolucionário. Quando as ferramentas estão prontas o cara quer usá-las. Só que o uso muito precoce das ferramentas desvia recursos escassos do estudo e qualificação sócio-competitiva (Belsky et al., 1991, Geary, 2004).

Quanto mais o indivíduo postergar o início da atividade sexual e quanto mais ele se qualificar sócio-competitivamente, melhor o seu posicionamento no mercado de casamentos. Maior a chance de construir um relacionamento sólido, satisfatório e duradouro. Maior a chance do indivíduo e sua prole se darem bem profissional e socialmente. Não podemos esquecer que a gravidez na adolescência compromete o desenvolvimento de duas pessoas. Sendo inclusive fator de risco para problemas do neurodesenvolvimento.

Do ponto de vista moral, orientar os filhos a postergar o início da vida sexual não é apenas um direito, mas uma obrigação dos pais.

Essa política da Damares vai impedir que os adolescentes transem? Claro que não. O objetivo não é coagir ninguém. O objetivo é sinalizar uma direção moral. As pessoas de bem não têm direito a votar em governos que implementem políticas consistentes com seus valores morais?

Precisamos todos nos submeter aos valores imorais de uma elite de iluminados, oriundos do Leblon ou da Vila Madalena? Os brasileiros tiveram oportunidade de se pronunciar e disseram #EleSim. Não seria o caso de perguntar para esses iluminados: “Por que no te callas?
Título e Texto: Vitor Geraldi Haase, Facebook, 30-1-2020

Referências:
Belsky, J., Steinberg, L., & Draper, P. (1991). Childhood experience, interpersonal development, and reproductive strategy: an evolutionary theory of socialization. Child Development, 62, 647-670.
de Carvalho, G. (2020). A ideologia dos direitos humanos. Gazeta do Povo, 24 de janeiro
(https://www.gazetadopovo.com.br/…/a-ideologia-dos-direitos-…).
Geary, D. C. (2004). Origin of mind. Evolution of brain, cognition and general intelligence. Washington, DC: American Psychological Press.
Reis LF, Surkan PJ, Valente JY, Bertolla MHSM, Sanchez ZM. Factors associated with early sexual initiation and unsafe sex in adolescents: Substance use and parenting style. J Adolesc. 2020 Jan 18;79:128-135. doi: 10.1016/j.adolescence.2019.12.015.
Scruton, R. (2006). Sexual desire: a philosophical investigation. London: Phoenix.

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