Luis Sepúlveda, Porto Editora, outubro de 2009, 160 páginas.
Luis Sepúlveda regressa ao romance com uma grande homenagem ao idealismo dos perdedores.
Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários
esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo
Garmendia e Lucho Arencibia, antigos militantes de esquerda derrotados pelo
golpe de estado de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e
cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas
ordens vão executar uma arrojada ação revolucionária. Mas quando Nolasco se
dirige para o local do encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre
atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na
sequência de uma desavença conjugal…
Prémio Primavera de Romance
2009, A Sombra do que Fomos é um virtuoso exercício literário
posto ao serviço de uma história carregada de memórias do exílio, de sonhos
desfeitos e de ideais destruídos. Um romance escrito com o coração e o
estômago, que comove o leitor, lhe arranca sorrisos e até gargalhadas,
levando-o no fim a uma reflexão profunda sobre a vida.
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Foi a 4 de outubro de 1949, na
localidade chilena de Ovalle, a mais de 300 km a norte da capital, Santiago,
que nasceu Luis Sepúlveda.
Filho de um militante do Partido
Comunista e proprietário de um restaurante, e de uma enfermeira de origens
mapuche (um povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da
Argentina), Luis Sepúlveda cresceu no bairro San Miguel de Santiago e estudou
no Instituto Nacional, onde começou a escrever por influência de uma professora
de História.
Aos 15 anos ingressou na Juventude Comunista do Chile, da qual foi expulso em 1968. Depois disso, militou no Exército de Libertação Nacional do Partido Socialista. Após os estudos secundários, ingressou na Escola de Teatro da Universidade de Chile, da qual chegou a ser diretor. Anos mais tarde, licenciou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha.
Da sua vasta obra – toda ela traduzida
em Portugal –, destacam-se os romances O Velho que Lia Romances de Amor e
História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar. Mas todos os seus
livros conquistaram em todo o mundo a admiração de milhões de leitores. Em
2016, recebeu o Prémio Eduardo Lourenço – que visa galardoar personalidades ou
instituições com intervenção relevante no âmbito da cooperação e da cultura
ibérica –, uma honra que definiu como «uma emoção muito especial».
Para além de romancista, foi
realizador, roteirista, jornalista e ativista político. Em 1970 venceu o Prémio
Casa das Américas pelo seu primeiro livro, Crónicas de Pedro Nadie, e também
uma bolsa de estudo de cinco anos na Universidade Lomonosov de Moscovo.
No entanto, só ficaria cinco meses na
capital soviética, uma vez que foi expulso da universidade por “atentado à
moral proletária”.
Membro ativo da Unidade Popular
chilena nos anos 70, teve de abandonar o país após o golpe militar de Augusto
Pinochet. Viajou e trabalhou no Brasil, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Peru.
Viveu no Equador entre os índios
Shuar, participando numa missão de estudo da UNESCO.
Em 1979 alistou-se nas fileiras
sandinistas, na Brigada Internacional Simon Bolívar, que lutava contra a
ditadura de Anastácio Somoza.
Depois da vitória da revolução
sandinista, trabalhou como repórter.
Em 1982 rumou a Hamburgo, movido pela
sua paixão pela literatura alemã.
Nos 14 anos em que lá viveu, alinhou
no movimento ecologista e, enquanto correspondente da Greenpeace, atravessou os
mares do mundo, entre 1983 e 1988.
Em 1997, instalou-se em Gijón, em
Espanha, na companhia da mulher, a poetisa Carmen Yáñez. Nesta cidade fundou e
dirigiu o Salão do Livro Ibero-americano, destinado a promover o encontro de
escritores, editores e livreiros latino-americanos com os seus homólogos
europeus. Luís Sepúlveda vendeu mais de 18 milhões de exemplares em todo o
mundo e as suas obras estão traduzidas em mais de 60 idiomas.
Em Portugal, era presença assídua na
Feira do Livro de Lisboa, em sessões de autógrafos onde era bem visível o
carinho do público português pelos seus romances, e esteve presente em quase
todas as 21 edições do Festival Correntes d’Escritas, na Póvoa do Varzim, a
última das quais entre 18 e 23 de fevereiro de 2020.
A 29 de fevereiro de 2020, Luis
Sepúlveda foi diagnosticado com Covid-19, naquele que seria o primeiro caso de
infeção nas Astúrias, e consequentemente internado no Hospital Universitário
Central de Astúrias, onde veio a falecer a 16 de abril.
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Tenho ojeriza a Marx e a tudo o que
ele inspirou e gerou.
Todavia, contudo, este livro está muito bem escrito. Li-o num fôlego só.
A última frase do livro remete ao filme de Helvio Soto, “Chove sobre Santiago”.
👍👍👍👍
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