sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

[Aparecido rasga o verbo] A Tragédia de Mariana. Um ano depois, dois Estados continuam no fundo do poço

Aparecido Raimundo de Souza

A tragédia de Mariana, em Minas Gerais (alguém se lembra desse fato ou já caiu no esquecimento?!). Pois é, senhoras e senhores. Completou um ano. Desde então, nada, absolutamente nada, foi feito. 

A represa situada no subdistrito de Fundão (a trinta e cinco quilômetros do centro de Mariana, Minas Gerais, controlada pela Mineradora Samarco S.A, Vale do Rio Doce e Anglo - Australiana BHP Billiton), com mais de quarenta milhões de metros cúbicos de lama se rompeu, veio abaixo e o povoado de Bento Rodrigues, foi devastado por esses rejeitos, como se por lá tivesse passado um tufão, formando a maior desgraça ambiental do planeta.

De Mariana, a lama desceu pelos Rios Piranga, Rio do Carmo, Rio Gualaxo do Norte e Rio Barra Longa, entre outros, chegando, finalmente, ao Rio Doce, atingindo, com isso duzentos e trinta municípios não só do Estado de Minas Gerais, como igualmente do Espírito Santo.

Com isso, mais de cinco mil famílias foram atingidas. Perderam suas casas, seus pontos de comércio, suas dignidades, seus direitos de ir e vir. Exatos trezentos e sessenta e cinco dias esses filhos de Deus esperam, por auxílios financeiros e indenizações que nunca chegaram, e, talvez, nunca se tornem realidade.

Na época do evento, lembrando, um ano atrás, a imprensa do mundo inteiro espalhou aos quatro cantos do planeta que dezenove pessoas haviam sido mortas, uma desapareceu e mais de duzentos e cinquenta ficaram feridas. Mesmo trilho, a imprensa dos dois Estados, Minas Gerais e Espírito Santo, deram conta de que vinte e duas pessoas foram indiciadas. Todavia, é possível que esses números sejam maquiados para enganar a sociedade. Neste Brasil, enganar a plebe faz parte do cotidiano das autoridades, não importa qual seja o seguimento.



As três empresas envolvidas (ou simplesmente as rés acima citadas, em todas as ações que foram intentadas), até ontem não deram em nada. Pode ser que amanhã, dê alguma coisa e as diversas almas desesperançadas consigam soerguer suas vidas começando da estaca zero. Sem perder o foco, por que todas as ações protocoladas não deram em nada? A resposta está clara e cristalina. A Samarco e a Vale do Rio Doce, bem ainda a tal da BHP Billiton possuem bons advogados, figuras maquiavélicas treinadas para procrastinar, ou seja, para enrolar, empurrar pra barriga.

O pior dos advogados contratados pelo trio (será capaz de dar nó em éter ou cagar na cara da justiça sem tirar a calça e o paletó). As provas robustas e cabais ai estão, ou melhor, lá estão para quem quiser ver. Resumindo, as medidas e mais medidas que são diariamente jogadas nos fóruns, visando protelar o problema, escudados pela morosidade da emperrada máquina justiça e pior, no fim sabemos todos que prevalecerá, haja o que houver, sempre vencerá a figura infame da IMPUNIDADE.  Impunidade virou moda neste país onde os ladrões brotam de todos os ralos de esgotos existentes. IMPUNIDADE dá ibope, gera noticia, gera renda pra beneficiar meia dúzia de pilantras.

Enquanto o barulho pega fogo no castelo da Dinamarca, o POVO DE MARIANA, QUE SE FERROU QUE CONTINUE TOMANDO NO CENTRO DO RABO. Para a Samarco, para a Vale do Rio Doce, e para a BHP Billiton, o povo tem mais é que chorar as pitangas nos quintos do inferno.

Por mais esforços que os ilustres representantes dessa sociedade hipócrita, comprada, vagabunda, capenga e desleal propaguem, alardeando que tomaram ou que beberam essas e aquelas medidas, no final tudo resultará em pizzas. Quer ganhar dinheiro, minha senhora, meu senhor? Abra uma pizzaria em Brasília. Seus problemas financeiros acabarão de imediato.  

Não devemos esquecer nunca, jamais, que as rés, ou melhor, os três cânceres malignos são poderosos, possuem status, dinheiro a rodo, podem comprar promotores, juízes, governadores, prefeitos, enfim, quem se colocar na frente. E a porra da corda, meus caros (desde os tempos em que o mundo se fez mundo) rebenta e continuará se rompendo sempre pelo lado mais fraco.

Neste quadro, só para ilustrar, o lado mais fraco é o povo sofrido, o povo idiota, o povo sem cultura, o povo despreparado, que vive ao deus dará (e continuará vivendo) não tendo sequer, forças para fazer a sua voz ser ouvida, por quem deveria manter os olhos e os ouvidos abertos e em alerta constante.

Para essas três desgraças acima citadas, os sobreviventes de Bento Rodrigues, e a galera de Mariana, que se fodam. Que se explodam. “Que tudo mais vá para o inferno”, como diria o cantor Roberto Carlos na época em que não tinha problemas com “TOC” e vivia uma vida normal. Não devemos esquecer nunca, que essa ralé de Bento Rodrigues e Mariana pertence a banda podre do País. Diante do inevitável, vamos dar vida e glória à Samarco, à Vale do Rio Doce, e bater uma salva de palmas para a BHP Billiton. Vamos enaltecer, vamos nos curvar diante das Poderosas e Intocáveis. Elas fazem parte da caixa preta do Brasil, fazem parte da maçonaria dos deuses eternos, donos deste mundo de famintos e famigerados. 



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Título, Imagens e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, 63 anos, jornalista, da Praça da Sé, Centro de São Paulo, 16-12-2016

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