Para chegar ao casamento, a noiva passou
andando pelo meio da roda de samba, com direito a muitos aplausos e um coro
chamando seu nome
Quintino Gomes Freire
Uma cena bem carioca roubou a cena na movimentada Rua do Ouvidor, no Centro do Rio, no último sábado (20/1). Quis que no Dia de São Sebastião, padroeiro do Rio, na mais carioca das ruas, uma noiva que escreve para o mais carioca dos jornais, o DIÁRIO DO RIO, Fernanda Duarte, tivesse com sua marcha nupcial não uma música sacra, mas sim um samba. É que a destemida noiva teve de atravessar uma animada roda de samba do aniversário da mais carioca das livrarias,a Folha Seca, para chegar à imponente Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, onde selou sua união matrimonial. O curioso episódio foi capturado em vídeo e ganhou destaque nas redes sociais, compartilhado por espectadores entusiasmados que testemunharam o peculiar momento. E acabou viralizando.
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Foto: Reprodução/@yaskaracamila |
A protagonista dessa aventura nupcial a bibliotecária Fernanda Duarte, conhecida colunista do DIÁRIO DO RIO, apaixonada por histórias e curiosidades da cidade do Rio e, vejam só, acabou ela fazendo parte de suas crônicas que conta em seu Instagram @fernandacda, onde compartilha conteúdos fascinantes sobre o Rio Antigo. Seu par nessa jornada matrimonial é Ádamis Gonçalves, e juntos protagonizaram uma entrada triunfante, aplaudida e aclamada por uma plateia vibrante.
Nos stories do Instagram,
Fernanda expressou sua surpresa diante da calorosa recepção. Antes mesmo de sua
entrada na igreja, a multidão já entoava seu nome, celebrando a chegada dos
convidados com entusiasmo contagiante.
Yáskara Camila Vandoni, uma carioca que compartilhou o acontecimento em seus stories, revelou que membros da equipe responsável pela organização do casamento contribuíram para criar um corredor especial, permitindo que a noiva atravessasse com elegância entre os músicos e dançarinos da roda de samba.
A roda de samba, embalada por
um piano de cauda, era parte das celebrações marcava os 26 anos da renomada Livraria e Edições Folha Seca,
um evento por si só. Uma fusão encantadora de tradições e festividades que, sem
dúvida, tornaram esse casamento um evento inesquecível e cheio de
personalidade.
Confira o vídeo:
O Sagrado e o Profano
A Igreja da Nossa Senhora da
Lapa dos Mercadores, recentemente recuperada pelo mecenas Cláudio
Castro, atual provedor da Irmandade dos Mercadores, é uma pequena joia na
Rua do Ouvidor. As missas de sábado e domingo têm lotado a igrejinha dos
mercadores, todos os finais de semana. Apinhada de gente interessada em
conhecer a beleza da sua nave, o belíssimo átrio onde estão expostas a bala de
canhão e a imagem que caiu, assim como suas históricas imagens em madeira do
século XVIII, o templo tem recebido centenas de pessoas todos os finais de
semana também para assistir a celebração eucarística.
As missas, conduzidas pelos
padres Victor Hugo e Vítor Pereira, são rezadas em
latim, e sempre acompanhadas de coral e grande orquestra, com direito a metais,
órgão – o instrumento da igreja é de 1873 e foi totalmente restaurado – e
cantores líricos liderados pela soprano Juliana Sucupira, que
entoam clássicos sacros como Zadok the Priest e Aleluia
de Handel, com adições como Panis Angelicus e muitos
outros exemplos de música erudita.
E é certo que aos sábados
aconteça uma roda de samba quase em frente à Igreja e na esquina da Ouvidor com
a Rua do Mercado. Garantindo essa carioquice, algo que só se vê mesmo em nossa
cidade, uma mistura do Sagrado e do Profano.
Título e Texto: Quintino Gomes Freire, Diário do Rio, 22-1-2024
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