sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dois delatores investem contra o governo FHC, e petralhas comemoram

Pedro Corrêa diz que houve, sim, compra de votos na emenda da reeleição; Cerveró relata pagamentos de propina ligados à Petrobras

Reinaldo Azevedo

Os petralhas estão em festa. Dois delatores premiados da Lava-Jato resolveram fazer acusações contra o governo Fernando Henrique Cardozo. Se há coisa neste mundo que deixa felizes os petistas é poderem arrumar companhia nas páginas policiais. Vamos ver.

O ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), o corrupto incorrigível, estrela do mensalão e do petrolão, disse em sua delação premiada que Sérgio Motta, ministro de FHC, e o então deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) — os dois morreram em 1998 — lideraram uma ação para a compra de parlamentares em favor da emenda da reeleição, aprovada em 1997. Cada voto teria custado R$ 200 mil. O banqueiro Olavo Setúbal teria se encarregado da operação financeira.

Impressionante! Corrêa diz que, associado a Paulo Maluf, ele também pagou propina: para os deputados votarem contra a emenda — que, no entanto, saiu vitoriosa.

FHC afirmou que Corrêa “apenas repete o que foi veiculado na época” e que já expressou sua repulsa ao episódio no livro “Diários da Presidência”. Roberto Setúbal, presidente do Itaú e filho de Olavo — que morreu em 2008 —, se disse “profundamente indignado” e afirmou não há “nenhum indício de que essa história possa ter fundamento”.

Cerveró
Já Nestor Cerveró disse, em sua delação, que, quando subordinado de Delcídio do Amaral na diretoria de Gás e Energia da Petrobras, por volta de 1999 ou 2000, foi orientado a fechar um acordo com a PRS Participações para a construção da Termoelétrica do Rio de Janeiro (Termorio). Essa empresa seria ligada a Paulo Henrique Cardoso, filho de FHC.

Cerveró diz que ele próprio recebeu propina de US$ 300 mil por esse negócio. Calma! Embolsou entre US$ 600 mil e US$ 700 mil da Alstom e da General Electric na compra de turbinas. Delcídio teria levado US$ 10 milhões. Afirmou ainda que a compra, por US$ 1 bilhão, da empresa Perez Companc, no fim de 2002, ordenada pelo então presidente da estatal, Francisco Gros, rendeu US$ 100 milhões de propina “destinada ao governo de Fernando Henrique Cardoso”.

Paulo Henrique negou qualquer relação com a tal PRS Participações. FHC afirma que Gros era um homem honrado, que nem tinha militância partidária, e que acusações vagas, “sem especificar pessoas envolvidas, servem apenas para confundir e não trazem elementos que permitam verificação”.

Bem, meus caros, dizer o quê? Que se investigue o que tiver de ser investigado. Parece estranho que se tragam à baila só agora eventos que teriam acontecido há quase 20 anos.

Se isso provoca satisfação psicológica nos petistas, eles que se divirtam e se refestelem. À diferença dos petistas, não sairei gritando “Fogo, fogo na floresta!”.

Quem tenta impedir investigação é petista. Que se apure o que tiver de ser apurado. 
Título e Texto: Reinaldo Azevedo, VEJA, 3-6-2016

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