sábado, 18 de janeiro de 2020

Pensamento mágico

José Mendonça da Cruz

Uma maioria relativa de portugueses, ajudada pelo descaso dos abstencionistas, a apatia da direita, e um número indeterminado de ovinos confiou aos socialistas a gestão da coisa pública. Os socialistas passaram, portanto, a crer-se donos disto tudo, e vê-se que consideram que não há nada que os trave.

Nos momentos de serenidade e boa disposição, fazem como um ministro que manda povoações mudarem-se de sítio para evitar cheias provocadas pela incúria e a incompetência; ou como o secretário de Estado que, para remediar o caos e a espera nos hospitais públicos recomenda que se sirva chá e bolos a quem espera; ou, então, como a inenarrável patroa desse secretário, mandam criar um gabinete ou um observatório qualquer para darem mais uns lugares aos amigos, e fingirem que assim resolvem problemas como o da violência contra o pessoal dos hospitais.

Nos momentos de irritação e destempero, chamam nomes aos empresários que resgataram o país do fosso de onde eles o meteram, como o trauliteiro Santos Silva; ou, como o senhorito Fernando Medina [foto], resmungam contra quem critica a apropriação de dinheiro alheio (da Segurança Social, desta vez) para investimentos úteis como propaganda, mas medíocres e irresponsáveis financeiramente; ou dizem uma patetice diária com um esgar sorridente, e depois, na calma dos gabinetes, põem fim a todas as PPPs hospitalares que garantem bom serviço aos utentes com poupanças para o Estado, para as entregarem a clientes e primos.  Se os criticam, exaltam-se contra tudo e todos, de reizinho na barriga.

Chefia-os, nas boas e nas más horas, um homem que esta semana na Assembleia da República se espantou com sugestões de baixar os impostos para reanimar a economia, por as considerar «pensamento mágico». Portugal vai sendo ultrapassado por países que praticam, exatamente, esse «pensamento mágico», ou seja, uma governação não socialista, e resvala firme e consistentemente para a situação de país mais pobre da Europa. Mas por cá estamos assim; gostam deste caminho e deste destino uma maioria relativa de portugueses, o descaso dos abstencionistas, a apatia da direita e um número indeterminado de ovinos.
Título e Texto: José Mendonça da Cruz, Corta-fitas, 18-1-2020

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