domingo, 14 de junho de 2020

Os fascistas de hoje chamarão a si mesmos antifascistas

Cristina Miranda

Começo a ter profundas saudades de um tempo em que as mulheres podiam ser mulheres e gostar de tudo o que entendessem. Ficar em casa a tomar conta da família ou trabalhar fora a ajudar o marido. Fazer carreira ou simplesmente não fazer absolutamente nada. De querer ter uma família patriarcal, monoparental ou não ter família nenhuma. Sem pressões. Sem rótulos. Em total liberdade de escolha e não por imposição.

Tenho saudades do tal piropo que fazia parte do engate e a quantidade de piropos que conseguíamos arrancar dizia-nos tudo sobre o nosso “sex apeal”. E ninguém via “assédio sexual” nisso.

Da nostalgia dos tempos de elegância da mulher e do homem. Do glamour. E não da valorização do maltrapilho e desleixo. Do Festival da canção que era mesmo da canção e não da aberração com letras parvas. Dos Globos de Ouro que eram do cinema e não da imposição da agenda política “progressista”. Dos sexos definidos pela natureza e não por uma ideologia que criou uma miscelânea de mais 71 gêneros de coisa nenhuma.

Saudades das escolas ordeiras, sem violência, sem sinais de vandalismo, sem armas brancas, sem tráfico nem consumo de drogas. Onde o ensino era rigoroso e só se passava por mérito. Onde a escola era para aprender – a 4ª classe valia mais do que hoje o 10º ano – porque a educação, da boa, já vinha de casa,  e se algum aluno se esquecesse de respeitar um colega, um funcionário ou a professora, levava uma valente sova ao chegar a casa.

Do respeito pelos mais velhos, da cultura do cuidar dos mais fracos e da solidariedade pelo próximo que era ensinada desde cedo com o exemplo dos próprios pais a cuidarem dos seus entes e a darem esmola a quem precisava sem pedirem nada em troca.

Da transmissão de valores que vinha do berço. Da valorização do trabalho como forma de independência. Da não vitimização por não ter, mas antes aprender a aceitar as adversidades lutando para conquistar. Frustrar e privar para dar valor ao que se tem. Das palmadas de amor em criança birrenta. Das boas maneiras que se não as respeitássemos levávamos um carolo logo ali sem que os pais fossem presos. Onde não se retiravam crianças aos pais por serem pobres menos ainda por corrigir com um tabefe. Da noção dos nossos deveres muito antes dos direitos.

De um tempo em que as sociedades eram mais sustentáveis porque nos era ensinado a valorizar tudo o que tínhamos. Onde nos negavam quase tudo para termos apenas o essencial que era preciso estimar para durar muito. Porque o consumismo era desperdício e poupar era a palavra de ordem que levávamos muito a sério a vida toda.

De um tempo em que havia ordem pública e segurança. Onde não se batia em policiais, médicos, enfermeiros, professores ou juízes. Onde os criminosos não eram desresponsabilizados, nem vitimizados e muito menos tratados como hospedes em cadeias.

De um tempo em que as pessoas viviam mais remediadas, mas mais livres. O que tinham era delas e não dos bancos. Havia menos depressões, menos ilusões, menos bancarrota pessoal. Eram genuinamente mais felizes. Não ambicionavam o que não podiam alcançar e eram gratas por tudo o que tinham. Sabiam que era com trabalho que conquistavam os sonhos, que ninguém lhes daria nada sem esforço por isso trabalhava-se desde cedo para alcançar objetivos. Ninguém vivia à sombra de ninguém.

Era assim no tempo dos meus bisavós, avós, pais e depois no meu, mas em poucas décadas transformou-se nesta ditadura de desconstrução social por uma falsa liberdade onde só podemos ser o que eles consideram ser correto e o correto não é ser-se defensor de valores.

Se não estivermos de acordo, ofendem-se, ostracizam. Porque hoje tudo é ofensa. Tudo é racismo. Tudo é extremismo de direita. Tudo é homofobia. Tudo é xenofobismo. Tudo é violação ou assédio sexual. Tudo é crime. A menos, claro, que se esteja do lado do criminoso ou do ofendido ou da agenda progressista de desconstrução social.

Tudo o que outrora era uma sociedade de valores defendida por pessoas de bem, hoje é “fascismo” quando é a própria sociedade destes intolerantes que não percebe o fascismo deste comportamento doentio de imposição do pensamento único. Que não percebe que há mais liberdade numa sociedade defensora de valores que numa ditadura social de pensamento único.
Título, Imagem e Texto: Cristina Miranda, Blasfémias, 13-6-2020

Um comentário:

Não aceitamos/não publicamos comentários anônimos.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-