segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Não me curta, compartilhe-me

José Manuel

Vivemos uma época extremamente interessante, pois se analisarmos que hoje somos parte da mídia, fazemos acontecer o que for, a qualquer momento, movimentamos dezenas, milhares de pessoas de dentro da nossa própria casa ao simples dedilhar de um teclado e com um simples clique de um mouse mostramos amor ou ódio simultaneamente, elevamos aos píncaros ou arrasamos quem desejarmos, isso é apenas fantástico e impensável há poucos anos.

Isto nem a imprensa estabelecida há mais de um século consegue fazer, e a custo zero com rapidez fulminante. É simplesmente extraordinário que o futuro tenha chegado e colocado no nosso colo, a nossa independência como cidadãos que a cada dia vinham perdendo a sua identidade perdidos entre jogos políticos, e usados como massa de manobra em populismos arcaicos, na luta pelo poder.

Mas, nem tudo é festa e tão simples assim, porque mesmo com a tecnologia a nosso favor, ainda estamos patinando sem saber o que queremos e o que não queremos exatamente. Se torna urgente e necessário que saibamos usar esta nova opção, esta nova ferramenta, com inteligência e saber distinguir o que pode e o que não pode, o que deve e o que não deve.

Para exemplificar e para ficar mais perto do nosso caso Aerus, toda a vez que  "curtimos" uma notícia ou mesmo um texto de algum lutador pela causa, passamos a imagem de uma paisagem sendo apreciada, sem o menor valor e sem consequências imediatas. Só falta o copo da cerveja nas mãos.

Ao contrário, quando "compartilhamos " algo sério e que nos diz respeito estamos levando uma ideia, um ideal, cada vez mais longe e que poderá nos trazer benefícios imediatos, ou trazer a nós quem nos falta.

O que se passa no Brasil de hoje é absurdo e assustador que tenha chegado onde chegou. Honestamente temos que admitir a nossa parcela de culpa pela omissão que tivemos causando tudo o que está aí, colocando-os no poder, por exemplo. Agora, parcelas da população esperam que as forças armadas venham resolver e venham castrar o bicho de estimação que criamos.

Não vamos conseguir esse tipo de ajuda, pois quando nos ajudaram, nós os execramos sem dó nem piedade. Deixamos que esses Pixulecos chamassem os Generais de ditadores e não fazemos nada quando esses mesmos chamam a um ignóbil fidel castro, de presidente. E não vai ser com manifestações de fim de semana, e a cada três meses que também vamos tirar esse populismo corrupto que aí está presente. Só o conseguiremos a partir do dia em que fizermos uma greve total de uma semana e com manifestações diárias.

Com certeza, não resistem a uma semana, mas caso contrário e as coisas continuarem como estão, vão continuar a comer brioches e a beber Romanée-Conti, enquanto 50% da população está inadimplente, com o desemprego batendo à sua porta.

Eles, os oficiais das FFAA, vivem nos dizendo isso sejam os da ativa em pequenos detalhes sejam os da reserva com grande veemência.

Até a vice presidente do Supremo nos diz que temos que ter a "ousadia dos canalhas".
Mas a surdez do povo é algo assustador, porque não conseguem divisar o futuro sem se precaver no presente, tendo olhos e ouvidos apenas para o que lhes der maior prazer, seja visual, gastronômico, virtual ou consumista.

Em nosso caso especial, além do que se passa com o país, os participantes do Aerus ainda são obrigados a fazer protestos graves de greves de fome para sensibilizar corruptos que foram a causa dos nossos duplamente males atuais.

Mas assim como a sociedade, que não vai às ruas, não quer enxergar, o nosso público não vem para o aeroporto, e quando o faz, são sempre os mesmos e poucos de sempre. Já se passavam quarenta dias em que nada, absolutamente nada acontecia, porém com este último protesto no aeroporto e logo no segundo dia, uma data foi marcada.

Confesso que estou também cético à marcação dessa pauta da forma como foi anunciada, porém se nada tivéssemos feito nem uma data teríamos para reclamar.
Ter uma data significa ter algo a trabalhar, e sem ela não há horizontes.

Dos vinte mil prejudicados do Aerus entre ativos e aposentados, mais de 1/3 moram aqui no Rio, mas foi um senhor de 75 anos, o colega Vilmar Mota,  de Porto Alegre, que ficou o tempo todo, inclusive as noites, comigo lá no aeroporto, apesar da sua idade e das duas próteses no quadril.
Só nós dois e Deus.

Como se não bastasse ser muito duro ali permanecer à noite, muito pior foi ver a saga daquele homem lutando contra todas as suas dores físicas e psicológicas noite a dentro, por uma causa e por amor a um colega em protesto. Não poderia morrer sem ver esta lição de hombridade.

Aqui em nosso país, temos ainda muito que aprender, em termos de cidadania, democracia, e amor ao próximo.

A partir do momento, em que conseguirmos suplantar este atraso e estas mazelas que nos sufocam há anos, aí sim teremos tudo para ser o país que almejamos, sem precisar nos humilhar para receber aquilo que nos pertence.
Título e Texto: José Manuel, obrigado, Vilmar, pela sua teimosia em ser um gigante. 31-8-2015

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Um comentário:

  1. JM, parabéns, realmente muito bem colocados seus pensamentos, Compartilhar, é um sinônimo de ser Feliz, pode até se dizer que ninguém é plenamente Feliz sem Compartilhar. Abs.
    Heitor Rudolfo Volkart

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