sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Os percalços da vida... Velhinhos e velhinhas do Aerus...

Valdemar Habitzreuter

Ilustração: Anne Renaud
Nada na vida se traduz como absoluto, tudo é relativo, temos de nos relacionar sempre com as coisas e fatos. Isto é: o mundo das coisas e fatos apresenta-se-nos contingencialmente, ora é assim, ora assado; e não podemos fugir dessa contingência da vida.

Se há uma realidade absoluta, isto seria algo como uma causa de si e por si, que se basta a si mesmo, não necessitando de nada – comumente chamamos isto de Deus. Nós não vivemos nessa realidade (talvez depois da morte), nós dependemos das coisas neste mundo material, precisamos nos relacionar com elas e uns com os outros, somos seres relacionais.

É claro, muitos tentam viver de modo absoluto agarrando-se a verdades que dizem preenchê-los plenamente na vida. Ledo engano, essas suas supostas verdades não são absolutas, cedo ou tarde estarão às voltas com outras realidades, relacionar-se-ão com outras verdades que não aquelas que achavam ser as derradeiras e absolutas – portanto, tudo é relativo.


A vida é um dinamismo, tudo está em permanente mutação. Quando pensamos que temos algum sossego, acontecem-nos coisas que nos tiram esse sossego até que outros fatos nos sobrevêm e nos proporcionam alívio e ficamos novamente contentes. Sempre precisamos nos relacionar com o que nos acontece, tanto com as coisas boas como com as coisas ruins.

Talvez saber entender a vida assim possa nos dar a compreensão de como levá-la com mais sabedoria e não nos deixar abater quando o infortúnio nos assalta. À infortuna sobrevém a fortuna e vice-versa, como num “eterno retorno”. A sabedoria justamente consiste em entender que é assim e tentar pautar-se em procedimentos para ajustar-se a esse “eterno retorno”. Uns podem querer dedicar-se a alguma religião onde vislumbram um Absoluto o qual queiram alcançar. Outros, simplesmente, pretendem fortalecer-se neste vaivém relativo da vida e, quem sabe, tornar-se ‘super-homens’, ir além do humano, e estar de bem com a vida. 

Pautar-nos em procedimentos frente à vida não quer dizer que devemos nos acomodar com o que nos acontece, e sim, valer-nos de nossas forças para conquistar o que nos é útil e nos faz feliz. Mas saber, também, que vivemos num mundo onde forças opostas também atuam; e saber equilibrar-nos entre o sim e o não da vida faz-nos verdadeiramente humanos.

Nesta semana tivemos o episódio da greve de fome do colega Josè Manuel, no aeroporto Santos Dumont, que nos representou a todos na luta contra a força contrária à reaquisição de nossos direitos concernentes aos proventos do Aerus. Este protesto do colega pode nos beneficiar ou não, tudo depende da boa ou má vontade dos responsáveis que podem nos dar a alegria da vitória ou o infortúnio da tristeza. Eis aí a contingência da vida, pode ser que no dia 2 de setembro tenhamos um sim afortunado com o PL02, ou um não.

A vida está cheia de percalços, somos obrigados a vivê-la relativamente onde o sim e o não se altercam. De qualquer forma, nossa gratidão ao colega José Manuel que nos alertou de que precisamos lutar por nossos direitos, mesmo que vivamos sob as forças da contingencialidade em que tanto pode ocorrer sermos contemplado pela fortuna quanto pela infortuna. Se for pela fortuna, não se empolgar demais; se for pela infortuna, não se deixar levar pelo desespero, pois o “eterno retorno” sempre estará acontecendo.

A vida é isso: cheia de percalços. Convém saber equilibrar-se entre o sim e o não que ela nos dita, é seguir a admoestação de Aristóteles: “In medio virtus”... 
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 28-8-2015


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6 comentários:

  1. Heitor Rudolfo Volkart28 de agosto de 2015 23:13

    Habitzreuter, muito bem escrito, temos que ter em mente, sempre, as nossas Realidades. Abs.

    Heitor Rudolfo Volkart

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  2. Muito bom Valdemar, mas vou discordar de um tema.
    O que são verdades e o que é absoluto?
    Posso até admitir que na sociedade e no social há apenas percepções e opiniões.
    Posso até tentar dizer que uma verdade absoluta na ética e na moral.
    A lei da gravidade, da transformação das massa e os números, são verdadeiros e absolutos.
    Se não houvessem os absolutos seria um caos.
    Nossa ética e moral pode ser absoluta para nós.
    Se não houvessem verdades absolutas não poderíamos dizer o que é certo ou errado.
    Não haveria leis da ciência, da física nem da matemática, nem códigos de ética e constituições.
    Afirmar que não existe a realidade absoluta já se torna um pensamento real e absoluto.
    A vida e a morte são realidades absolutas.
    Dia 2 os nossos veneráveis congressistas depois de 8 meses deste ano, vão tentar faze a primeira plenária do congresso este ano, as outras foram todas canceladas porque o PT e os aliados não completaram o quorum, essa é uma realidade absoluta.
    Se eles vão boicotar esta do dia 2 é de uma relatividade imensa mas não é absoluta.
    E vou discordar do Grande Aristóteles, para ele o PMDB seria o partido mais correto do Brasil, vive em cima do muro, sua virtude é se aliar a qualquer governo, a ele interessa apenas os cargos.
    Para mim a virtude está em decidir qual lado você, vai ficar, do certo ou do errado, e há a virtude maior, saber-se errado retornar ao ponto de partida, refazendo o percurso pelo lado certo.
    O erro que nos custa a vida, não pode ser perdoado ou desculpado, os outros você não perde nada em tentar quantas vezes for preciso, tente até alcanças seus objetivos, in medio virtus, espera-se para ver o que vai dar.
    bom dia


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    1. Muito bem, VSROCCHA, vc tem faro filosófico. Não lhe saberia dar uma resposta a contento às suas discordâncias. O conceito de absoluto é bastante problemático. A própria palavra de per si já nos indica (ab+solutus) uma coisa que não depende de outra. Esta coisa não é efeito de uma causa, ela existe porque se causa a si mesmo. Assim, podemos dizer que existem dois tipos de absoluto. O absoluto puro como sendo um só (solutus) e separado (ab) de tudo, independente, não precisando relacionar-se com nada, se basta a si, pois engloba tudo, sendo, por isso, um absoluto. Este tipo de absoluto é tido na filosofia (com a Escolástica) como sendo Deus, a Causa Primeira, o Ser, justamente porque Deus não é causado por nada, ele é causa de si mesmo e não necessita de nada para ser Deus. E podemos falar de outro tipo de absoluto, o absoluto das ciências, um absoluto simples que contém as verdades demonstradas pela ciência, como vc mesmo demonstrou a respeito da vida, morte, gravidade, que a terra é redonda, etc. Se não acreditássemos nestas verdades demonstradas pela ciência, é claro, que estaríamos vivendo num caos. Mas estas verdades científicas tidas como absolutas nos são evidenciadas através da experiência e podem sempre ser modificadas se alguma outra experiência assim o demonstrar através de outros paradigmas científicos. Assim, estas verdades científicas são também relativas, pois em ciência não há provas definitivas, a ciência demonstra o que no momento ela verificou como certo, mas pode acontecer que no futuro tenha que desmentir aquilo que tinha como certeza. A ciência não consegue produzir verdades absolutas e, sim, veracidades aproximadas, ela sempre está aberta a rever aquilo que proclama como verdade. Ela tem, por exemplo, uma teoria da gravidade, mas não um conhecimento absoluto dela, qual sua causa final ou sua origem, etc. A verdade sobre a morte, a ciência também não se posiciona como uma verdade absoluta. É claro, é uma constatação lógica de que existe a morte porque as pessoas morrem e com isso se deduz que todo homem é mortal. Para ser uma verdade absoluta, a ciência precisaria demonstrar que todos são mortais, e para isso precisaria verificar a morte de todos os homens do planeta, pois pode ser que exista alguém que é imortal. Mas, claro, acreditamos que todos os homens vão morrer. Só que a ciência não consegue provar isso, teria que esperar até que o último homem tivesse morrido. Entende, meu amigo VSROCCHA, por quê neste nosso universo tudo é contingente? Tudo é relativo? As coisas podem ser assim ou assado?... Mas isso é bom. Já pensou ficar atrelado a uma verdade absoluta, sem que possamos nos divertir com outras verdades, verdades relativas? ... Um grande abraço, meu amigo.
      Valdemar

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    2. Não quis tematizar sobre religião.
      Há diferença entre teoremas e teorias.
      O teorema de Lavoisier é indiscutível verdade.
      A teoria da relatividade de Einstein é fazendo pleonasmo, é relativa.
      A teoria de Darwin sobre a evolução seria discutível sob a ótica dos religiosos?

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    3. Não sei, VSROCCHA, como definir o que é um teorema, mas faz referência à lógica matemática em que as provas de um enunciado ou hipótese são produzidas matematicamente, sem chances de contestações. Já uma teoria, nas ciências naturais, faz referência à especulação em que se afirma uma verdade através de experimentos e que pode futuramente ser revista. No momento, por exemplo, a teoria da evolução de Darwin é plausível e aceita pela comunidade científica e não surgiu outra que pudesse desmenti-la. Mas, e se surgir uma teoria mais forte e plausível que a derrube? Sim, as teorias estão sujeitas a modificações. A própria teoria de Darwin já foi aperfeiçoada ao longo desses anos todos desde que ela foi anunciada. A teoria genética, que ainda não tinha surgido na época de Darwin, aperfeiçoou tremendamente a teoria evolucionista.
      Quanto à discussão que se trava no âmbito da religião cristã entre criacionismo e evolucionismo não há nenhum fundamento científico de que a Bíblia esteja certa. Aliás, a Bíblia não é um manual científico; então os religiosos, que são contra o evolucionismo, estão equivocados por basear-se na Bíblia. Teriam de contestar a teoria evolucionista com argumento científico e não através da Bíblia. Ademais, a própria Igreja católica já admitiu ser a favor da teoria evolucionista, apenas alguns radicais ainda insistem em deixar-se levar pelo criacionismo segundo a Bíblia. Afinal, no fundo o evolucionismo nada mais é que um criacionismo, mas um criacionismo natural perpetrado segundo a natureza e não imposto por Deus como reza a Biblia...
      Valdemar

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    4. Temos várias definições.
      Muitos chama de teorema de Pitágoras, quase todo mundo sabe que é verdadeiro, não precisa mais de comprovação matemática, tornou-se um axioma.
      O que é um axioma é uma verdade absoluta, por exemplo dizer que tudo engloba todas as partes, mas aí virão matemáticos falarem de postulados, alguém ira dizer que qualquer 2 pontos do universo poderá ser traçado uma reta. Eu posso dizer como postulado que essa reta é um arco de círculo de raio infinito.
      No silogismo estudamos a lógica de uma afirmação após algumas postulações.
      Vejamos:
      - A Bíblia é a palavra de Deus
      - Deus não pode errar
      - Logo, a Bíblia está isenta de erros.
      Veja que depois de duas postulações a afirmativa de que a bíblia é isenta de erros é falsa.
      Porque aplicamos a matemática na lógica.
      O axioma é uma verdade incontestável, o teorema uma verdade que precisa ser comprovada para que o home acredite.
      Se parte de uma comunidade leiga ou científica concorda com o resultado de uma pesquisa não pode tornar-se uma lei, ao contrário, nem todos concordam, então diz-se TEORIA. Em princípio é uma hipótese que alguém lançou não foi testada e é imprecisa.
      Porque até hoje usam a teoria da relatividade em cálculos científicos e jamais virou teorema de Einstein?
      Justamente porque até hoje nunca foi comprovada.
      Certa vez obtive a maior explicação sobre ela no colégio são José de Canoas.
      Se você estiver uma hora com sua namorada, vai parecer um minuto.
      Se você sentar na chapa de um fogão quente por um 10 segundos parecerão uma hora.
      SE ALGUÉM PERGUNTAR SOBRE A MASSA diga eu prefiro à bolonhesa.
      bom dia

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