José Manuel
A internet trouxe enormes
avanços para a humanidade e como consequência, também para os idiomas em todas
as suas nuances. Imaginar que até a alguns parcos anos atrás ainda fazíamos
pesquisas sobre assuntos desconhecidos e com enorme perda de tempo, em livros
de enciclopédia é simplesmente hoje, inacreditável.
A velocidade com que podemos
escrever, pesquisar e publicar os assuntos é espantosa, e também
proporcionou o aparecimento de talentos literários desconhecidos até para os
próprios usuários do sistema, que jamais poderiam supor ter esse dom. Até então
a mídia protagonizada por grandes grupos econômicos era a dona absoluta de tudo
o que se escrevia, e se publicava desde Johannes Gutenberg.
O cidadão mediano, mesmo
formado em letras ou jornalismo, se quisesse se expressar democraticamente ou
dentro de uma linha editorial, se empregava em algum dos grupos de imprensa
para ter algo seu publicado e ter acesso a um público, mas mesmo assim sempre
restrito ao editorial do grupo que o empregava.
Hoje em dia ainda coexistem alguns
grupos editoriais, mas em quantidade menor, porém a livre expressão, essa,
ganhou um espaço extremamente democrático na área da comunicação.
Hoje dispomos de sites, blogs,
redes sociais como Facebook por exemplo ou o twitter, onde a
expressão e o conteúdo são massivos e praticamente livres no universo virtual
sem limites. Os grandes grupos de mídia começam a ficar realmente preocupados
com as suas edições impressas cuja tendência é diminuir, algumas mesmo já
desapareceram. Isso é o resultado da rapidez com que se processam hoje notícias
e tantas outras coisas escritas no ciberespaço.
Na realidade, precisamos
começar a prestar mais atenção a essa rapidez e o porquê do desmoronamento tão
rápido da imprensa secular escrita.
Isso já está nos afetando de
certo modo, mas ainda não nos demos conta o quanto isso começará a nos
prejudicar com relação à forma de nos comunicarmos daqui para a frente.
Em paralelo ao que imaginamos,
mesmo com essa riqueza de tecnologia que nos traz com facilidade a informação a
todo momento e nos brinda com assuntos dos mais variados, estamos conversando
menos, estamos discutindo menos, estamos escrevendo menos. Há muita pressa no
ciberespaço e não conseguimos administrar essa pressa.
Estamos deixando de ler textos
longos, que são exatamente aqueles em que podemos desenvolver uma ideia, ter um
foco, um objetivo, discutir um fato, nos comunicarmos melhor.
Estamos escrevendo poucos
caracteres para desenvolver uma ideia e isso não é bom. O Facebook e
principalmente o twitter estão nos levando a um estágio perigoso para
a humanidade e para as suas formas de expressão, os idiomas. "Cui prodest?"
Hoje não é mais raro e sim
trivial, observar-se na comunicação virtual afirmações truncadas por
abreviações ininteligíveis como por exemplo para não nos estendermos muito: tbm, vdd, qdo,
c, sdss, bj, pq, vc, eh, expressões causadas pela pressa, pela
preguiça inerente à internet, pelo pouco espaço e pela angústia de um retorno
rápido.
Não raro vemos respostas
completas por meio de Emoticons, emojis ou carinhas, pelo qual
se constata que a paralinguagem está sendo fortemente usada, e a distância
entre ser moderno, atualizado, e ser uma pessoa chata na comunicação está
ficando realmente curta. É preciso saber decidir entre um e outro."Carpe diem".
Isso pode ser muito ruim para
a comunicação humana e a longo prazo, ajudado pela colonização linguística,
significar até a morte de um idioma.
É preciso que controlemos esse
novo desafio para que não cheguemos a algo muito parecido como um "efeito Chewbacca" onde
sons e sinais acabarão se tornando um meio de comunicação.
É bem provável que isso esteja
longe ainda de acontecer, mas também a um curto espaço de tempo passado,
escrevíamos melhor em nosso idioma e com mais desenvoltura, tínhamos um
vocabulário melhor em nosso idioma, menos preguiça em expor as nossas ideias e
nos comunicávamos melhor.
O mais recente absurdo da era
virtual, se inicia exatamente hoje, 20 de janeiro de 2017, com a posse de um
fanfarrão boquirroto, que conseguiu iludir a maior potência do planeta com a
diplomacia dos 140 caracteres. Não se conhece um texto sequer escrito em
formato carta, que nos mostre ser a pessoa indicada à presidência do seu país.
Apenas 18 livros medíocres de
autoajuda sobre o mesmo tema surrado, pela qual dá a vida. Dinheiro.
Vive navegando no ciberespaço
enviando mensagens bizarras, e acha que pode governar o seu país
pelo twitter. Perto de 50.000 tuítes é o seu currículo
conhecido, todos sem substância qualitativa, apenas quantitativa de poucas
palavras ao vento.
Em paralelo, o ciberespaço
embute uma cilada perigosa, que não acontecia com a imprensa convencional. As
mensagens falsas, por exemplo, e que o povo americano está sentindo isso
agora "in situ". E são muitas, que levam pessoas incautas,
pela tal pressa ou mesmo pela ignorância a se incumbirem de repassar a milhões,
notícias falsas, certamente com prejuízo para alguém, a candidatos postulantes
a governos e até mesmo corporações.
Tenho observado muitas pessoas
com horror a um "textão" e até se desculpando por apresentar ao
interlocutor algo parecido. Pois o textão é a base dos idiomas, é a
expressão de uma ideia com princípio meio e fim, ou por acaso em exames de
faculdade ou mesmo em concursos, é pedido uma redação em "formato twitter"?
Nada contra o ciberespaço e as
redes sociais, mas por que a pressa? “Quo Vadis?"
José Manuel - certamente, pedras vão voar na minha direção, mas é
dever de todos, começar a refletir sobre o assunto que pode vir realmente a
incomodar.
Mudar é preciso, ser
inteligente é imprescindível.
20-1-2017
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Como sempre, admiro o text, concordo em partes, e discordo em outras.
ResponderExcluirO QUE O LÁPIS ESCREVEU, UMA SIMPLES BORRACHA APAGOU.
O que mais podemos acrescentar a esse texto sem ser prolixo.
Ele tem princípio meio e fim.
Acho que grandes textos são desinteressantes, podem conter princípios, meios e fins e serem apenas prolixos.
Não tenho nada contra o Senhor a Aparecido, cujos textos se resumem a um simples:
Estamos fodidos ou tudo está na merda.
Sou contra as ridículas abreviaturas internautas.
Grandes textos escrevem a mesma coisa do que textos pequenos bem explicitados.
Hoje lendo David Coimbra, ele escreveu que Moro deveria ser o indicado para o STF.
Não li o texto mediano dele todo.
Já havia escrito merda no início.
Tirar Moro da lava-jato é inocentar a mula predestinada retirante de Garanhuns.
Por isso dou valor aos introitos.
Por isso 300000 tiraram ZERO em redação.
fui...
Parabenizo o nobre colega. É vero, a internet deu chances a muitos de desenvolverem seus talentos e expor suas ideias livremente sem o arbítrio da imprensa formal. Belo texto! E conteúdo apropriado para os internautas refletirem...
ResponderExcluirValdemar