Em sua primeira manifestação
após a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, o secretário geral
da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, não escondeu o tom de amargura e
desgosto. Pelas palavras cuidadosamente escolhidas, percebe-se claramente que a
CNBB não recuará nenhum milímetro, não cederá em absolutamente nada de sua
posição favorecedora do petismo. Não adianta esperar o contrário!
Não se enganem, eles não vão mudar!
“Como será o futuro nós ainda
não sabemos, dependerá muito de como se comportará o Supremo Tribunal,
o próprio Executivo, mas também o Legislativo”, disse, ensejando uma eventual
intervenção de um poder no outro.
“Vai depender muito destas
alianças, e das propostas e as uniões que acontecerem especialmente entre o
Legislativo e o Executivo. Ali existe uma preocupação porque muitas das
afirmações durante o tempo das eleições não eram favoráveis aos indígenas, não
eram favoráveis aos quilombolas, não eram favoráveis aos pobres, não eram
favoráveis aos direitos humanos. Inclusive dizer que mandaria
prender as pessoas. Quem manda prender as pessoas é o judiciário, não o
executivo”. Aqui, ataca de modo praticamente explícito o presidente eleito,
descontextualizando as suas declarações durante a campanha.
Um pouco mais adiante, Dom
Leonardo começa a fazer como que uma autocrítica, como se estivesse falando em
nome da esquerda, que precisa reaprender a fazer política e convencer o povo de
que o seu discurso não é ideológico.
“E talvez um elemento
importante que nós deixamos de fazer durante vários anos, e talvez por isso é
que chegamos a essa divisão, é reaprendermos a fazer política. Nós
reaprendermos a fazer política no sentido de discutirmos a política,
porque uma democracia morre na medida em que não se faz mais política,
isto é, não se discute política, não se educa para a democracia. Política no
sentido do cuidado da cidade, do cuidado do país. Isso nós vamos ter
que fazer de novo para que os brasileiros percebam que não se
trata de ideologia. Política não se trata de ideologia, política se
trata de um país. Política não se trata de excluir as pessoas, política se
trata de integrar as pessoas. Então, nós temos uma tarefa muito grande pela
frente”.
Ele chega a afirmar a
necessidade de reformular os partidos políticos, dizendo “nós não temos mais
partidos”… Nós, quem? O país?
“E, como disse,
independentemente do governo que haveria de assumir – nós temos aí agora um
novo presidente eleito que vai assumir em janeiro –, nós temos que, a partir de
agora, trabalhar em vista de uma boa política, é preciso reformular os
nossos partidos políticos. Nós, na realidade, estamos sem partidos políticos”.
Criticando o engajamento do
povo através das redes sociais e defendendo uma política hegemonicamente
partidária, ele prossegue:
“O que aconteceu foi uma propaganda,
uma política entre aspas através do WhatsApp. E isso não é política, isso é
convencimento através de notícias que nem sempre são verdadeiras –
muitas delas eram verdadeiras, mas nem todas eram verdadeiras. E nós temos que
ajudar a recuperar agora a alma do cidadão brasileiro e vermos que o
que está mais em jogo é o Brasil. Não está em jogo uma ideologia”.
O entrevistador sustenta que o
país está dividido, baseado nos números da eleição e pergunta como fazer as
duas metades se encontrarem. A surpreendente resposta de Dom Leonardo foi:
“Será muito difícil se
encontrarem, mas eu penso que, passado o tempo da eleição, há mais
possibilidade de escuta. E mesmo um governo quando assume precisa ouvir
a sociedade, ele não pode impor simplesmente à sociedade, senão começam os
movimentos sociais a se manifestar e as ruas começam a encher, e nós temos
uma tensão maior e uma divisão maior”. Trata-se de uma ameaça?
“Então, da parte do governo é
preciso estender a mão, é preciso abrir-se ao diálogo. Agora, a parte da
Igreja, a parte da CNBB – é claro, muitos católicos votaram no Haddad, muitos
católicos votaram no Bolsonaro… são as opções de consciência que cada um
faz. A CNBB nunca indicou partido, a CNBB nunca indicou nenhum
candidato. O que nós sempre indicamos foram critérios. E esses critérios nós
vamos levar adiante, que é o critério da democracia, o critério do diálogo, o
critério da opção pelos pobres, o critério da integração de todas as pessoas, o
critério da defesa da vida em todos os sentidos – não estou falando aqui apenas
da questão do aborto, estou falando aqui de toda a abrangência que a palavra
vida tem, inclusive a questão do meio ambiente”.
Mas, não basta recordar, é
preciso articular um novo movimento político:
“Então, tudo isso é preciso de
novo recordar, mas, como Igreja, é preciso de novo ajudar, articular
para o diálogo e criar um movimento dentro do Brasil para que nós, de
novo, possamos nos sentar junto à mesa, tomar um café juntos – aqueles
que desejarem tomar uma pinga juntos, que tomem uma pinga juntos–,
mas nós precisamos de novo nos sentar ao redor da mesa. Nós não podemos
continuar a bradar nas ruas uns contra os outros. É um trabalho
difícil, mas a Igreja não vai se furtar a essa tarefa que o Evangelho
nos confia de criarmos uma fraternidade. Fraternidade significa um reino, um
reino que é de justiça, de verdade e de amor”.
O entrevistador pergunta que
augúrio ele faz a Bolsonaro. Ele responde:
“Um bom governo. Que
ele possa governar para os brasileiros, para todos os brasileiros, todos
eles. Se ele o fizer, certamente terá feito um bom governo. Existem muitos
problemas: existe o problema econômico, existe o problema ético, existem muitos
problemas. Mas, se ele procurar governar para todos os brasileiros, ele
certamente fará um bom governo”.
Enfim, o discurso de Dom
Leonardo vai na mesmíssima direção do discurso de derrota de Haddad: reanimar
as bases, “fortalecer a democracia”, etc. Seria este o discurso de derrota da
CNBB? Pois é exatamente para o abismo que a Igreja no Brasil irá se assim se
mantiver. Os esquerdistas ditos católicos, seja por seu raso nível intelectual,
seja por cegueira ideológica, são impenitentes, incapazes de enxergar um palmo
diante do nariz. Depois, não adianta reclamar do protagonismo dos
protestantes. Os bons bispos brasileiros assistirão passivamente — mais
uma vez — à instrumentalização da Igreja para fins políticos escusos?
Título, Imagem e Texto: FratresInUnum.com,
1-11-2018
Ele como descendente de alemães, está se borrando de medo dos judeus pra não ser acusado de "nazista"!!!
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