quarta-feira, 13 de maio de 2020

O ópio do povo

FratresInUnum.com

A Igreja comemora hoje o aniversário da primeira aparição da Santíssima Virgem em Fátima, onde, para três pastorinhos, Ela falou sobre os maiores problemas da humanidade: a perda de Deus, o pecado, as guerras e os erros da Rússia. A Mãe do céu apresentou-lhes a solução, a Consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados de cinco meses seguidos.

A hierarquia da Igreja se fez de surda aos apelos de Fátima. Não obstante se diga o contrário, a Rússia nunca foi consagrada nominalmente ao Imaculado Coração e os fiéis não aderiram às Comunhões reparadoras na medida esperada, como pedira Nossa Senhora. O desfecho da desobediência é claro: o mundo será punido por causa do pecado e já o está sendo.

Naqueles dias desencadeou-se a revolução Bolchevique e, com ela, a perseguição religiosa mais sangrenta jamais vista na história. O ateísmo militante dos comunistas pretendia expulsar a ideia mesma de Deus dos corações, mas sua pretensão não prevaleceu.

Para atingir os mesmos objetivos, isto é, criar uma sociedade sem Deus, sem religião, sem família, sem liberdade, os comunistas não tiveram dificuldade alguma em mudar de tática. Já Antônio Gramsci entendera que, mais do que suplantar a Igreja, era necessário dominá-la. Se Marx chamava-a de ópio do povo, o marxismo cultural iria usá-la justamente como ópio para primeiro drogá-la e, depois, através dela, drogar a população.

Os sociólogos modernos também entenderam, contrariamente aos cientificistas de então, que a religião era muito útil para arrebanhar as pessoas, pois não seria necessário, segundo eles, fazê-lo mediante o convencimento filosófico, bastaria valer-se do discurso religioso fanatizante, obediente, submisso, e as “ovelhas” seriam facilmente engolidas pelo lobo.

Fiéis rezam diante da praça fechada do Santuário de Fátima
O plano deu certo. Os comunistas conseguiram criar a sua versão do catolicismo, a Teologia da Libertação, incharam partidos políticos através dela, galgaram o poder, acumpliciaram-se com todas as classes dominantes, ganharam o papado, mas, para a sua desgraça, a sua própria ideologia voltou-se contra si mesma: o povo percebeu que eles se tornaram a elite que sempre combateram e os relegou ao ostracismo. Ninguém mais os leva a sério e as igrejas pentecostais souberam tirar proveito disso.

Impressionantemente, o instrumento utilizado para jogar o povo todo no paganismo prático não foi diretamente o Partido Comunista, mas a própria hierarquia da Igreja. Bastou surgir um vírus relativamente letal para todos os pastores expulsarem suas ovelhas para qualquer lugar, menos para dentro do rebanho, enquanto utilizam a ideologia sanitária como método de apavoramento para tentar recuperar a hegemonia perdida.

No Brasil, mais uma vez, o tiro saiu pela culatra. O povo percebeu a mentira do discurso e voltou-se contra os ditadores filiados ao esquema de dominação chinesa e aos capelães que lhes deram suporte. Xingamentos contra os eclesiásticos inundam as redes sociais e eles se afundam no mais podre pântano do desprestígio.

Enquanto isso, o Papa Francisco, que chancelou o fechamento dos templos na Itália, aceitando a proposta do Alto Comitê para a Fraternidade Humana, convocou os católicos e crentes de diferentes religiões a se unirem em oração para pedir a cessação da pandemia, com adesão pública da própria maçonaria. No Brasil, enquanto os fiéis pedem missa e sacramentos, guardados os cuidados necessários, a agenda política dos bispos continua: o presidente da CNBB lança uma nota pedindo que se adie a discussão de uma medida provisória sobre regularização fundiária (!!!)

Em outras palavras, como dizia recentemente a freira Ivone Gebaraa mesma que há décadas foi censurada pelo Vaticano por sua excessiva tolerância quanto ao aborto, analisando a vitória eminentemente neopentecostal nas eleições 2020, a ideia de um Estado Laico deve ser espanada da modernidade: a esquerda precisa é de um Estado multi-religioso, pois a laicidade do Estado é uma ideia ingênua e simplista. Trata-se de usar a religião como um braço da ideologia esquerdista, como um braço do próprio secularismo!

O catolicismo precisa ser censurado, criminalizado, proibido, mas o pluralismo religioso tem de ser defendido, aclamado, promovido… E tudo pela própria Igreja! Note-se que, hoje, solenidade de Fátima, mais de três mil soldados portugueses circundam o Santuário das Aparições e o Altar do Mundo para garantirem que nenhum católico se aproxime daquele lugar sagrado, ao mesmo tempo em que se inaugura na Rússia um templo ortodoxo com homenagens a Stalin, a Putin e aos heróis do comunismo.

Os apelos de Fátima continuam desatendidos. Entretanto, há uma garantia que deve bradar no centro dos nossos corações, que é a promessa da Mãe do Céu: “por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. Nós, leigos, estamos sozinhos em relação à hierarquia da Igreja, mas, ao mesmo tempo, estamos muito bem acompanhados, tanto quanto aqueles pastorinhos: Nossa Senhora do Rosário de Fátima, a Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora das Vitórias, está ao nosso lado e, não sabemos como nem quando, o mundo terá um tempo de paz e o Reino de Maria estender-se-á por toda a terra.
Título, Imagem e Texto: Fratres In Unum, 13-5-2020

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