sábado, 30 de maio de 2020

[Foco no fosso] Deseja se naturalizar?

Haroldo Barboza

Corrupção e impunidade são duas embarcações que navegam tranquilas pelas águas obscuras da “clara” Constituição brasileira. À primeira vista, para um naturalizado que mora no Brasil há seis meses, parece ser incoerente possuir esta navegabilidade confortável.

Vamos ajudá-lo a entender.

As nossas leis são escritas (desde o início do século XX) com parágrafos meio “juridiquês” contendo vírgulas (e ponto-e-vírgulas) de menos (ou de mais) de tal forma que os doutos espertos que burlam as leis escritas por eles mesmos (aprimorando as obras de seus antepassados), contratam advogados gabaritados para convencerem os jurados de que seus clientes são integralmente inocentes (e agora mais treinados para não deixarem rastros), ou no máximo, transgressores culposos (não dolosos), e neste caso, condenados em     primeira e única instância, a pagarem três ou quatro cestas básicas às famílias que tenham sido prejudicadas. Depois, por livre e espontânea vontade, tornam-se “padrinhos” generosos (R$ 10,00/mês) de alguma entidade de apoio aos idosos.

Durante a fase investigatória, usam artifícios tipo ficarem “doentes” (até dor no calo serve) para criarem um sentimento de pena por parte da população. Que jurado não se comove com isto?
Se a quantidade de prejudicados ultrapassar a casa dos milhares, são “afastados” por dois anos de uma diretoria e “promovidos” a chefiar alguma autarquia a dois mil quilômetros do ambiente em foco.

Se possuírem um “dossiê” parrudo (e bem guardado) sobre delitos de mais oitenta ou noventa figuras públicas, logo chegarão à convenção do seu partido (quadrilha) em ponto de bala, prontos para concorrerem a um cargo executivo. Habilidades para tal eles já demonstraram.

Mesmo sem eu explanar outras particularidades deste ambiente nefasto que nos impede de alcançar um melhor patamar de vida, o naturalizado que me acompanhou por quatro ou cinco parágrafos já deve estar pensando em casar-se com uma das herdeiras destas “conceituadas” famílias para galgar um posto de destaque neste cenário sinistro (para os eleitores que pagam as mordomias, é claro) que garantirá seu rico sustento em troca de artimanhas refinadas e sutis para montagem de novos “esquemas” imunes às normas vigentes.

Muito mais condecorado será, se elaborar uma nova “lei” que crie uma fonte de renda a partir da supressão de direitos já conquistados pelos nativos exauridos pelo árduo labor em prol da pátria.

Afinal, alguém precisa trabalhar para manter esta “josta” andando, ainda que de forma cambaleante.
Título e Texto: Haroldo Barboza, 30-5-2020

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