sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Os dois dias de silêncio e reflexão eleitoral podem alterar resultados das pesquisas anteriores. Técnicas de abordagem e não de panfletagem


Cesar Maia
           
1. Em vários países, a lei eleitoral proíbe qualquer tipo de propaganda ou campanha três dias antes das eleições. Aqui mesmo, na América Latina, são os casos do Chile e do Peru, entre outros.
               
2. No Brasil, embora sem a abrangência da lei de vários países, nesta eleição de 2016, viveremos um processo semelhante. A lei brasileira, de 2015, ao proibir propaganda eleitoral nas ruas, construiu, de certa maneira, um cenário público de reflexão e silêncio eleitorais.
               
3. Com isso, coube às inserções e programas, através das TVs e das Rádios, ocupar quase plenamente os espaços públicos de propaganda eleitoral. Quinta-feira é o último dia de propaganda via TVs e Rádios, assim como último dia de debates nos meios de comunicação (que antes terminavam na sexta-feira).
               
4. Dessa forma, a partir desta sexta e deste sábado, teremos uma espécie de “lei” de fato, de silêncio e reflexão. O eleitor, em sua casa, será certamente impactado por esta nova situação. E no caso específico de 2016, esse impacto do silêncio e da reflexão será ainda maior pela proporção dos eleitores que afirmam que ainda poderiam mudar o seu voto.
                
5. Na Cidade do Rio de Janeiro essa proporção alcança 40%, segundo o Datafolha. Com a interrupção das inserções e programas nas TVs e nas Rádios, a sensação do eleitor é que esses 2 dias servirão para, mais que avaliar, decidir seu voto. No Rio, o candidato que lidera as pesquisas com 30% das intenções de voto, mesmo que seja afetado, não o será sobre a sua presença no segundo turno.

6. Mas para os demais candidatos embolados entre 5% e 10% das intenções de voto, esses dois dias de silêncio e reflexão, vis a vis a alta porcentagem dos que afirmam que ainda podem mudar o seu voto, podem afetar todos e cada um, mudando a escala de suas posições e impulsionando qualquer um deles para o segundo turno.
               
7. Aqueles que conseguiram, durante os 35 dias de Rádio e TV, fixar suas imagens e seus temas, a resistência a terem suas porcentagens em pesquisa abaladas pelo silêncio e reflexão é provavelmente menor. E maior probabilidade de, neste caso, terem suas candidaturas impulsionadas, desde o degrau que ocupam, seja ele qual for. Da mesma maneira, uma presença nas ruas de eleitores e militantes com pouca estridência e com muita conversa poderá produzir um impacto sobre as candidaturas.
              
8. A estridência nesses dois dias de silêncio provavelmente produzirá resultado contrário, irritando o eleitor. Nesse sentido, as panfletagens tendem a produzir pouco resultado. E muito trabalho para a Comlurb. Para colher bons resultados afirmando e/ou mudando a intenção de voto dos eleitores, trata-se muito mais de usar técnicas de abordagem com elegância, educação, civilidade e suavidade.
                 
9. Existem equipes profissionais para isso, mas poucas e de alcance limitado. Os partidos deveriam ter treinado seus militantes diretamente, ou mesmo seus eleitores através de redes sociais fechadas para fazer isso com milhares de eleitores.
               
10. Os institutos deveriam se preparar para realizar pesquisas no sábado a tarde de forma a captar as mudanças que possam estar ocorrendo ou terem ocorrido.
Título e Texto: Cesar Maia, 29-9-2016

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