sábado, 15 de outubro de 2016

Pezão, Crivella e Freixo. Edir Macedo e Garotinho

Cesar Maia
              
1. Na eleição de 2014, a campanha de Pezão, preocupada com o crescimento de Crivella nas pesquisas de intenção de voto, aplicou uma dose tripla de publicidade negativa fazendo memória de matérias da imprensa que tratavam das relações entre Crivella e Edir Macedo e hipotéticos desvios. Na época, Cesar Maia, numa entrevista ao jornal Extra, sublinhou o erro dessa campanha publicitária de Pezão no segundo turno.
               
2. Um excesso, até porque a vitória de Pezão estava garantida com a votação em todo o Estado, onde, no final, Pezão obteve 56% dos votos válidos contra 44% de Crivella. Na Capital, Pezão venceu no segundo turno por 52% contra 48% de Crivella. A fortíssima campanha publicitária de Pezão produziu ganhos muito pequenos que não justificavam tamanho ódio.
               
3. Agora é a vez da campanha de Freixo atacar Crivella através dos comerciais e, como na campanha de Pezão, assinando apenas no final com o nome da coligação. Nem Pezão, nem Freixo entraram em cena para atacar direta e pessoalmente Crivella. A campanha de Freixo foi surpreendida pelas primeiras pesquisas que abriram a favor de Crivella uma grande vantagem. Este Ex-Blog lembrou que os vencedores do primeiro turno carregam essa memória para o início do segundo turno e abrem a vantagem. Em 2000, Conde abriu 17 pontos segundo o Ibope. Mas a campanha com tempos iguais de TV foi corrigindo e Cesar Maia terminou vencendo.
              
4. Em geral, as campanhas eleitorais “acabam quando terminam”. A menos que tenham deixado um rastro de ódio nos perdedores. Há sempre que lembrar um princípio do marketing de produtos, especialmente de restaurantes. Um serviço considerado muito positivo gera um pequeno multiplicador no usuário. Conta para pouca gente. Mas um serviço muito negativo num restaurante gera uma forte memória e um fortíssimo multiplicador pelo usuário. Algo como dez vezes mais que o multiplicador positivo.

5. As campanhas eleitorais são pontos – certamente importantes, mas apenas pontos – do processo político. Encerrada a campanha eleitoral e após a posse do vencedor, a política volta a seu leito. A menos que a campanha tenha deixado um rastro de ódio pelos excessos. O PMDB do Rio pagou pelos excessos da campanha de Pezão, sendo alvo de forte ataque negativo através da TV que tem proximidade com Crivella.

Um ano depois, com a quebra do Governo do Estado, vários pastores diziam que Crivella tinha sido protegido pelos Céus. Se não é “vero” é bem “trovato”.
             
6. A forte carga negativa da campanha de Freixo, trazendo de volta Garotinho junto a Crivella, em antigas manchetes de jornais sobre hipotéticos desvios, alguns não confirmados pela justiça, foi um erro triplo.

Primeiro, porque mesmo gerando perdas eleitorais em Crivella, o que produziria mesmo uma inversão do quadro eleitoral seria uma campanha proativa de Freixo. Segundo, porque vitima Crivella e, com isso, seus comerciais e programas ganharam uma muito maior suavidade.
           
7. Terceiro, porque precipitaram a decisão de Crivella de não ir a debate. Se os ataques tivessem sido reservados para o debate na TV Globo, apenas dois dias antes da eleição, com uma proximidade nas pesquisas imediatamente anteriores, os ataques nesse debate poderiam ter sido decisivos. E nem precisava essa agressividade toda.
           
8. Cesar Maia sempre lembra duas campanhas suas. A de 1998 em que Garotinho venceu e Cesar Maia decidiu não ir ao debate na TV Globo, onde Garotinho falou sozinho. Com isso, a memória da derrota sem imagens na TV rapidamente foi apagada. Dois anos depois Cesar Maia voltava à prefeitura. E sobre a importância do debate na TV Globo apenas dois dias antes (no primeiro turno foram três dias antes, o que suaviza a memória como afirmam os publicitários) em 2000, na sexta-feira do debate as pesquisas apontavam vantagem de Conde por cinco pontos. No domingo, Cesar Maia venceu por dois pontos, num salto de sete pontos.
           
9. Com apenas quatro dias de campanha na TV, ainda há tempo de sobra para a campanha de Freixo ser recolocada nos trilhos. Isso não é difícil. 50% dos eleitores ainda não decidiram definitivamente o seu voto ou não sabem em quem ou se vão votar. E ainda há o feriado de sexta-feira (28), do dia do Servidor Público.
Título e Texto: Cesar Maia, 14-10-2016

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Um comentário:

  1. Se tudo der certo o Rio vai ficar ainda mais ferrado .. para não dizer pior !!

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