sábado, 10 de dezembro de 2016

[Aparecido rasga o verbo] O ENEM e o pendulado pêndulo de Galileu

Aparecido Raimundo de Souza

Assisto aos telejornais e tomo conhecimento das aberrações contidas na última edição das provas dos candidatos que pretendem seguir carreira, cada um na sua respectiva área, e, na formação escolhida, representarem nosso país amanhã. Chamou a minha atenção, em especial, a prova do estudante paulista Fernando Maioto, que dedicou dois parágrafos de sua escrita, transcrevendo o hino do Palmeiras, seu time de coração.  Diante disso, me reporto ao longínquo ano de 1583, quando o físico Galileu, então no albor das suas dezenove primaveras, observou, pela primeira vez, que as oscilações dos candelabros da Catedral de Pisa não dependiam do respectivo peso e sim do comprimento da corrente que os prendia ao teto.

Descoberto isso, passou o jovem mancebo a utilizar a sua visão clínica para avaliar a febre dos doentes a seus cuidados, embora não dispusesse  em seu vasto currículo, de profissional formado em medicina. O fato é que, imbuído pela sede e vontade de novos conhecimentos, Galileu, com uma das mãos, tomava os pulsos desses pacientes e, com a outra, encurtava ou alongava a dimensão de um pequeno pêndulo que trazia consigo, de modo a tornar suas oscilações numa mesma linha meridiana aos batimentos dos pulsos dessas pessoas.


Notem, senhores, que há quatrocentos e trinta e três anos atrás, o astrônomo não dispunha de nenhum tipo de equipamento ultramoderno, ou com tecnologia avançada. Não havia, por exemplo, a televisão, o rádio, a luz elétrica, a Internet, o notebook, o computador ou o tablet. Sequer uma máquina de calcular ou qualquer outra invenção que trouxesse a comodidade ou o vantajoso que nos assiste nos dias atuais.

Apesar da deficiência de todas essas parafernálias, o sétimo filho do alaudista Vincenzo Galilei, ao transpor para o papel (que também não existia), se utilizou apenas e tão somente da espreita miudamente estudada, atrelada às vigias incansáveis que o inspiravam a seguir adiante. Igualmente, se precaveu da vivência das dezenove primaveras, lembrando, mais uma vez, num tempo onde não se conhecia o progresso nem a cultura. Apesar de toda essa retrógrada em sua vidinha de garoto de calças curtas, Galileu concluiu com singular eloquência, que a queda de um corpo, assimilado aos movimentos alternados em sentidos opostos da bilha metálica suspensa, não necessitava estar sistematicamente sobreposta ao longo de um arco de círculo. Dessa forma, deduziu com brilhantismo ímpar, que o declive do corpo, como um todo, não dependia exatamente da sua carga real.

Imaginem meus caros, um desses imberbes, com toda essa tecnologia de ponta posta a seu favor, na pele de Galileu, redacionando, numa dessas provinhas do ENEM (SIGLA QUE SIGNIFICA “ENXAME NACIONAL DO ENSINO DE MERDA”), as suas observações em torno de um desses sólidos indeformáveis, num texto de vinte ou trinta linhas. Como usaria as palavras certas, as vírgulas nos lugares corretos, os períodos e as orações, sem cair no ridículo de truncar a verborragia vernacular pátria transcrevendo, por exemplo, uma cagada estupidamente fedorenta numa privada suja de um banheiro público de Viena? Como e quais seriam seus erros entrelaçados as concordâncias verbais e outros recursos da língua? Vejamos:


“... A pozição do pendulo fica perfeitamente definida pelo valor da elongassão, pois, como se verifica na fassílima verificação, as tais vassilações não dão volta, são plana. Para evitar qualquer ambiguidade ambígua, convém conciderar como positivas as elongassãos que se encontram do outro lado, que é o lado direito e não o do meio, mas, lógico, o esquerdo. Para não me tornar xato, nesse açunto, contarei em rápidas palavras como foi uma dor de barriga que me acometeu dias desses, quando passeava pelas ruas de Piza. Me deu uma vontade de cagar dos diabos e ai me acomodei e a  minha única bunda, que sempre andam juntas com o olho do cu, aos jardins de Piza e como o pendulo ossilando junto com a bosta, me fartei de peidos e boa merda, que me desseu pelas pernas atarantadamente. Nessa confusão toda, descobri que  os santos em seus altares, dentro da nave da capela sistrina, não ossilam com o vento, mas balanssam balanssadamente pelo fato das roupas pesadas que os padres da cúria vestem neles...”.

Nos idos de 1583, portanto, o então jovem adolescente Galileu, poderia ser considerado uma aberração, posto que possuía uma mente mais que brilhante. Nos dias de hoje, certamente um maluco, um doido, um noia, um sem noção, destituído do óbvio, ou do mínimo, para a sobrevivência, conseguiu, com um simples olhar, direcionar a intensidade do peso de um corpo, corroborado, “a depois”, por Newton, que,  efetivamente, deixou claro que a gravidade não é senão um caso particular da atração universal e  por sua vez, a mesma causa que faz cair os corpos na superfície da Terra é idêntica a que retém os planetas girando em suas respectivas órbitas.

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COMO? SE PRETENDO CALAR A BOCA? SIM, MEUS AMADOS, QUANDO MORRER...
Título, Imagens e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, 63 anos, jornalista, 10-12-2016

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