sábado, 5 de outubro de 2019

O legado catastrófico de Costa

Cristina Miranda

Enquanto nos distraem com o “apocalipse” do clima, a verdadeira catástrofe aqui mesmo no nosso país, soma e segue com uma destruição “ciclônica” como não há memória. O pupilo de Sócrates, fiel amigo e braço direito, não desiludiu o mestre e com primor aplicou todo o desgoverno possível para nos tornar na próxima “Venezuela da Europa”.


Se bem se lembram a primeira medida desastrosa em 2015 e lesiva para o contribuinte, foi a resolução do Banif. A compra compulsiva por parte do Santander foi muito bem planeada pelo atual executivo, que com uma notícia falaciosa, acelerou o declínio do banco. Tudo isto para justificar a necessidade urgente de atuação, que na verdade escondia um milionário empréstimo ao Estado, contratações de ex políticos do PS para chefias do Santander e impedir que entrássemos em 2016 para que a normativa da UE, que põe os grandes depositantes e acionistas a pagar os prejuízo não fosse aplicada no Banif, para proteger os amigos envolvidos nesse banco.  Bruxelas que afirmou que “estava disposta a continuar em 2016 qualquer novo plano de reestruturação”  nem sequer foi ouvida.

Depois veio a “CGDgate”. O vazamento de e-mails confirmavam um acordo de Centeno e Domingues para administradores não declararem rendimentos. Como a união faz a força, a geringonça impediu uma comissão de inquérito. Lindo! A juntar a isto a administração cresceu para 19 elementos, aumentou salários aos dirigentes, fechou centenas de balcões e despediu milhares de trabalhadores pois claro, para em seguida injetar 6 mil milhões dos contribuintes neste banco para ele continuar… público.

Na segurança, chegou à tragédia maior: os fogos mortais em julho 2017 de Pedrógão. Centenas de mortos, feridos e desalojados. Gente entregue à sua sorte quando o maior fogo de sempre tudo. Seguiu-se milhões em donativos que foram desviados pela autarquia e pelo REVITA criado pelo governo.  A Proteção Civil carregada de boys que meses antes tinham assumido os cargos e que muitos deles nem sequer eram da área, deixaram engolir tudo pelo fogo. Enquanto isso, Costa foi tranquilamente de férias, mas estava a seguir tudo pelo telefone, disse. Foi quando se descobriu que o SIRESP não funciona quando faz falta, mas é muito bom e infalível nas cláusulas contratuais do tempo do Costa como ministro do MAI, para não assumir responsabilidades e sugar o contribuinte até ao tutano. Como a lição não foi bem aprendida (os maus alunos são assim) repetiram-se as tragédias com os grandes fogos de outubro que ceifaram o resto do país até ao pinhal de Leiria, mas que foram um sucesso porque não morreu gente, afirmou Costa todo orgulhoso pela proeza.  A seguir veio a derrocada anunciada e com conhecimento do governo – Galamba tinha lá estado meses antes – da estrada de Borba com mais  5 mortes por inércia do Estado.

Na justiça, o afastamento de Marques Vidal com apoio de Marcelo e um sorteio de um juiz para o Processo Marquês que se repetiu 4 vezes até dar o resultado pretendido: Ivo Rosas (o juiz arquivador já deveras conhecido no meio por arquivar tudo). O “insuspeito” vencedor ainda não parou de minar o processo que envolve Sócrates obrigando o MP a fazer queixaPortanto, mais um “gate” para juntar à lista.

E por falar em “gate” tivemos o Galpgate, familygate, golasgate  e o mais recente , Tancosgate que não pára de nos surpreender com um furto a um paiol que acabou em encenação de recuperação de armamento furtado e com cada vez mais evidências de que o envolvimento neste caso cabeludo não se limita aos que se demitiram do governo.

Nas finanças e economia, uma  subida de impostos indiretos e criação de outros tantos novos que nos colocou com a maior carga fiscal de sempre; uma economia que cresce miseravelmente  – apesar das condições conjunturais favoráveis  como há muito não se registava – com os países de leste acima de nós e uma dívida pública que nunca parou de subir e está já nos 252 mil milhões.

Nos transportes públicos assistimos à degradação diária com supressões na CP e Soflusa com filas intermináveis de gente à espera e passes baratos que não servem para nada porque não há transportes suficientes.

Na saúde tomamos conhecimento da falta de medicamentos nas farmácias; dos hospitais sem dinheiro para despesas correntes, com falta de material, de pessoal, de manutenção nos equipamentos; das listas de espera por consultas que aumentam; das consultas que se cancelam para obesos; dos cortes nos tratamentos oncológicos. Em suma um SNS em ruptura.

Tivemos reversões ruinosas: da TAP cujos obscenos prejuízos voltamos a ser nós contribuintes a ter que os assumir e as 35 horas no setor público que fez disparar a fatura das horas extras no ministério da saúde atingindo o valor mais elevado de que há registo e a redução do IVA da restauração que, nem aumentou emprego nem melhorou a oferta.

Vimos ainda a censura nas plataformas digitais, a manipulação dos órgãos de comunicação social, caos nos serviços com filas intermináveis nas lojas do cidadão e bateu-se o recorde de greves de todos os sectores de atividade.

O momento alto foi a introdução secreta sem debate, sem escrutínio da Ideologia de Género nas escolas públicas que tal como o nome indica não é uma ciência é uma doutrina sob a falsa capa da “igualdade de géneros” e a assinatura do Pacto Global das Migrações que compromete seriamente o futuro da nossa nação.

Nesta brilhante desgovernação houve ainda lugar a 15 demissões:

1.       Francisco José Ferreira, líder do PS de Arouca fazia parte do gabinete do secretário de Estado da Proteção Civil (caso das golas);
2.        José Artur Neves, secretário de Estado da Administração Interna (caso das golas);
3.       João Soares ministro da cultura (caso das bofetadas);
4.        João Wengorovius Meneses, secretário de Estado da Juventude e Desporto, em “profundo desacordo” com o ministro da Educação;
5.        Nuno Félix, chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e do Desporto (licenciaturas falsas);
6.        Rui Roque, adjunto do primeiro-ministro para os Assuntos Regionais (licenciaturas falsas);
7.        Manuel Delgado, secretário de Estado da Saúde (caso Raríssimas);
8.       Rocha Andrade, secretário estado Assuntos Fiscais (caso Galpgate);
9.       João Vasconcelos secretário estado Indústria (caso Galpgate);
10.   Jorge Costa Oliveira secretário estado Internacionalização (caso Galpgate);
11.   Constança Urbano de Sousa ex-ministra da Administração Interna (incêndios Pedrógão Grande);
12.   Azeredo Lopes, ministro da Defesa (caso Tancos);
13.   Carlos Martins, pasta do Ambiente (caso Familygate);
14.   Armindo Alves, adjunto e primo de Armindo Alves (caso Familygate);
15.   João Ruivo, marido da secretária de Estado da Cultura com funções na secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional (caso Familygate).

Não admira, pois, que com tanta coisa às costas o Costa não aguente as dores.
Título e Texto: Cristina Miranda, Blasfémias, 4-10-2019

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