sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Quem falará por nós?

Jonathas Filho
Quando se quer redigir qualquer situação a ser romanceada, ligada ao amor, mesmo com lances dramáticos ou tristes, basta deixar o coração falar e tudo fluirá docemente, facilmente, espontaneamente...

Mas se o contexto for sobre decepções, tristezas, derrotas e revolta, quem falará por nós?
Mesmo sabendo que o organismo tem a união de todos os outros órgãos e que a princípio estão bastante “jururus”, solicitei a todos que explicassem o que sentiram com relação aos acontecimentos que temos experimentado e que nos tem quase levado ao desespero.

Com o sofrimento estampado, falaram tão baixo e de uma forma imperceptível que eu não escutei, razão pela qual pedi que repetissem e então “eles” num tom mais elevado disseram uníssonos: NÓS MESMOS FALAREMOS, MAIS CEDO OU MAIS TARDE!!!



Sim, todos os órgãos sofrem quando temos esse conjunto de vicissitudes nos entregando à amargura da desilusão. Mais uma vez, mais sofrimento e decepção nos são impostos pelo poder central.

Perguntei aos órgãos vitais, eles concordaram em falar e me foi explicado por cada um o seguinte:
O fígado disse que passa a fabricar mais bílis, trazendo um gosto amargo e ruim à boca;
Os rins afirmaram que diminuem o ritmo de filtragem mantendo uma dosagem de toxidade perigosa no sangue;

O pâncreas exclamou que não libera a quantidade certa de insulina e compromete a glicose que deve ser adicionada à célula, criando assim aquela sensação de prostração e falta de disposição;
Os pulmões, pela respiração curta e rápida prejudicam a fala que, comprometida, não consegue se expressar a contento;
A glândula suprarrenal informa que nesses casos, costuma abrir a torneira da adrenalina com consequente aumento da pressão arterial;

O coração explicou que isso tudo faz com que ele aumente a frequência de batimentos e dispara em taquicardia;
O cérebro, comandante de todo esse sistema, comenta que mesmo sendo aconselhado pelo hipotálamo, através do sistema límbico, “vai dar um tempo”, e esquecer das mazelas, porém, entra em conflito com o lobo frontal que decide pensar em qual atitude deve tomar com relação aos problemas constantes dessa amargura. Coisas da sinapse: há que se estabelecer alguma forma de censura aos neurônios fofoqueiros, diria uma “consciência” autoritária e prepotente.

Outros órgãos também se pronunciaram:          
O estômago disse que ao tentar digerir tal situação, parece que levou um soco tipo “punch” de um pugilista peso-pesado;
Os intestinos garantiram que devido a mais esse sofrimento, entrarão em greve pois já basta de tanta m.... feita nesse tempo de mais de oito anos;
A língua e as papilas gustativas declaram que estão com esse gosto, éca;

Os olhos lacrimejantes e cabisbaixos, dizem tudo, só não entende quem não quer;
As fossas nasais não quiseram se manifestar porque estão na fossa;
Os ouvidos dizem que são todo ouvidos, e apesar de terem sido feitos de penico até então afirmam que basta de blá-blá-blá;

Os dedos, ah... sempre cuidadosos pedem calma e acima de tudo... tato;
E a bolsa escrotal grita que está de saco cheio!!!

Como sempre, outros órgãos que deveriam participar e dar sua colaboração, se empenhando para dar mais força a esse organismo e cerrando fileiras contra os abusos que lhes são perpetrados, também se fazem de mortos e assim continuam como dentes que nem se apresentam, mãos que só dão tchau, ainda assim de longe... é claro, unha e carne que só conversam entre si, veias onde parece não correr sangue, cabelos que se distanciam uns dos outros não querendo nem fazer par, carecas escorregadias, narizes empinados que escorrendo, saem correndo, glote que diz que não participa porque está cansada de engolir sapos, etc etc etc...

Certamente, todos sabem que nossos corpos respondem a tudo, independentes dos tipos de doenças até mesmo de conflitos existenciais ou circunstanciais. Esses problemas que estão sempre nos rondando não são patológicos. São emocionais e nos traumatizam profundamente. E matam!!!


São as concussões cerebrais causadas pelas pauladas dos recursos indesejáveis;
são engulhos que nos reviram as tripas, resultantes de pedidos de vistas que não são à vista e sim a prazo, mas prazo tão dilatado que se perde de vista;
são escoriações com dores lancinantes das chicotadas em nossos lombos resultantes de embargos nem um pouco razoáveis enfim, são punhaladas que podem ter levado para o andar de cima mais de 1.200 participantes nessa luta desigual. Isso tudo é altamente contagiante e deixa profundas marcas e indeléveis sequelas. 

Temos de ser fortes e equilibrados para aguentar o tranco e não podemos jamais deixar que a depressão se apodere das nossas mentes nos prejudicando mais do que já estamos. Nossos corpos e nossos órgãos já falam por nós, mesmo sem pedirem os bônus das delações premiadas pois, as sequelas que estamos apresentando expõem tudo, tintim por tintim.

Apesar de nos mostrarmos como guerreiros, nossos “escudos” precisam ser mais bem cuidados. Vamos nos proteger pessoal, pois as batalhas continuam e a vitória dessa guerra pode estar bem próxima.
Se queremos Paz, devemos estar bem preparados emocionalmente para todos os contratempos.
Mens sana in corpore sano. 
Título, Imagens e Texto: Jonathas Filho, 31-10-2014

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