domingo, 11 de novembro de 2018

A epistocracia dos 'democratas'

João Pereira Coutinho

AQUI HÁ UNS TEMPOS, li e diverti -me com um livro de Jason Brennan, já editado em Portugal. Intitula-se Contra a Democracia (Gradiva) e a tese do autor, na boa tradição platónica, é simples: a democracia não presta; precisamos de uma epistocracia (tradução: só os sabedores devem poder votar).

No livro, Brennan propõe vários esquemas para realizar o seu plano. Um deles consiste na realização de um exame "técnico" por todos os candidatos a eleitores. Exatamente como acontece nos exames de código para quem deseja tirar a carta.

O livro é interessante – como exercício filosófico. Mas é também delirante pelo motivo mais óbvio, que escapou ao autor: uma epistocracia só seria possível à lei da bala.

Curiosamente, esta evidência também não ocorre aos nossos "democratas", que nas suas prosas anti-Bolsonaro suspiram por um regime onde só vota quem pensa como eles.

Estranho mundo, este, em que os defensores da democracia sonham com a instituição de uma ditadura.
Título e Texto: João Pereira Coutinho, SÁBADO, nº 758, de 8 a 14 de novembro de 2018

5 comentários:

  1. VAMOS ARGUMENTAR GENTE.
    A epistocracia não precisa ser a bala, é apenas indicar que possuem méritos para governar, como ética, moral e conhecimento.

    Há também a Sofocracia de Platão que só se elegeria os filósofos do bem, e Platão os chama de a "classe de ouro."

    Já Sólon utilizava a timocracia que somente donos de teer com honra poderiam participar.
    Existem oligarquias, aristocracias, cleptocracias etc...
    Fico com a do mérito.
    De que adianta analfabetos ou analfabetos funcionais, puxassacos ou o direito dos manos votarem?
    Você pode eleger cegos, surdos, mudos tetraplégicos, manetas, pernetas mas jamais um ANALFABETO.
    FUI,,,

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  2. Epistocracia parece o irmão bastardo do comuniswmo .
    Exanmes para eleições deviam ser aplicados nos candidatos ,e não no eleitor , incluindo psicotécnico.
    Do contrário esta tal epistocracia é mais uma "balela" , num país de candidatos quase analfabetos , exigir curriculo do eleitor , seria o fim da picada!
    paizote

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  3. corrigindo
    "Já Sólon utilizava a timocracia que somente donos de terra com honra poderiam participar."

    comentando:
    Paizote, tens razão.
    Candidatos deveriam ter qualificações, mas eleitores também.
    fui

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  4. Perfeito meu caro!
    Mas quero crer que as qualificações seriam diferentes!
    Para o eleitor , bastaria provar ser idonêo , cidadaõ cumpridor dos deveres ,alfabetizado , e na posse plena de suas faculdades mentais.
    Já para o candidato , antes de tudo capacidade tecnica, cultura geral , etica .honestidade em toda a sua vida pública , e primcipalmente equilibrio psicológico , sem o qual meterá os pés pelas mãos.

    PS; E sobre o alarde feito à partir do PT no governo Bolsionaro, o que pensam os colegas?

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    Respostas
    1. A CELEUMA PARA MIM É A ISONOMIA DE DIREITOS E DEVERES, GARANTIDA NA CONSTITUIÇÃO E QUEBRADA COM O PURISMO DOS FOROS DE PRIVILÉGIOS.
      A própria constituição diz que ninguém está acima da lei, pequena mentira nas entrelinhas da dita cuja.
      Passei 1 ano escrevendo que presidente não manda nada, é apenas o representante do povo, que pode vetar coisas ruins, cujo veto pode ser derrubado no congresso.
      Então VETO é propaganda enganosa.
      Democracia é uma palavra cintilante associada a liberdade e igualdade.
      Eu repito que Igualdade é um fator indivisível em cujo núcleo resulta democracia e liberdade.
      Se eu fosse fazer uma constituição ela teria somente um artigo.
      - "TODOS TEM OS MESMOS DIREITOS E DEVERES NESTE PAÍS."

      FUI...


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