domingo, 10 de maio de 2020

[As danações de Carina] As várias fases da fertilização 'in vitro'

Carina Bratt

Como eu disse em nossa conversa de domingo passado (03.05), hoje falaria das técnicas clássicas de fertilização in vitro e outros assuntos relacionados, como das drogas fertilizantes, da obtenção do óvulo, da fertilização em si entre outros assuntos interessantes relacionados ao tema.  Vamos começar pela técnica da fertilização in vitro.  Como não sou especialista no assunto e nem médica, todavia, como mulher viso apenas informar às minhas amigas leitoras, claro, lembrando, sempre respaldada em opiniões de pessoas gabaritadas e que entendem e vivem esse cotidiano diariamente. Vamos lá então?


Para início de conversa, toda mulher que pretende usar esse tipo de fertilização (in vitro) devemos dizer que primeiro é feita uma avaliação da mulher e se ela for considerada pronta para uma fertilização, o homem é examinado e seu esperma analisado. Se a qualidade do sêmen for inadequada, os especialistas sugerem um tratamento. Em seguida o esperma é submetido ao assim chamado método de penetração do óvulo do hamster, que determina a sua capacidade de fertilizar óvulos. Se houver problemas, será preciso usar sêmen de um doador. Se o casal for julgado adequado para a fertilização in vitro, os passos a serem seguidos serão os descritos adiante.

Fase 1: drogas fertilizantes – O sucesso crescente da fertilização in vitro é atribuído ao uso moderno das drogas fertilizantes, com a produção de óvulos em maior número e de qualidade melhor. Segundo o doutor Newton Eduardo Busso, ginecologista, mestre e doutor em medicina, “cada centro usa diversas dessas drogas. Muitas clínicas descobriram que a combinação de Clomid com Pergonal ou FSH puro produz os óvulos mais bem-sucedidos. O desenvolvimento dos folículos com óvulos é monitorado através dos níveis de estradiol (estrogênio do sangue) e da determinação por ultrassom do crescimento folicular. Quando esses testes indicam que os óvulos estão maduros, dá-se uma injeção de hormônio HCG (gonadotrofina coriônica humana). Isso resulta na maturação final do óvulo”.

Os doutores Arnaldo Schizzi Cambiaghi e Rogério B. F. Leão, em seu livro Fertilização em casos difíceis falam da Fase 2: a obtenção do óvulo -  “A laparoscopia é marcada para cerca de 36 horas após a injeção de HCG, pois constatou-se que exatamente nesse momento os óvulos estão em condições excelentes. Sob a visão direta da laparoscopia, introduz-se uma pequena agulha nos folículos maduros e colhem-se os óvulos com uma leve sucção. Uma vez coletados, os óvulos são colocados num recipiente de vidro – daí o termo in vitro que contém um meio de cultura semelhante ao da cavidade uterina. Os óvulos recuperam-se em 85% a 95% dos casos. O uso de droga fertilizantes resulta na recuperação de vários óvulos, dando uma melhor chance de concepção para a mulher”.

Vamos ver agora, caras amigas, a Fase 3: a fertilização do óvulo. Em nosso socorro, Nakamura – Trounson – Albano – Wood em Fertilização in vitro e Microcirurgia Tubária, pela Roca Editora. “Uma vez obtidos, os óvulos maduros devem ser fertilizados. Depois de cinco ou seis horas, acrescenta-se o esperma do marido ao recipiente com os óvulos, junto com certos produtos químicos que permitem a capacitação, a habilidade dos espermatozoides de fertilizar os óvulos. Colocam-se os óvulos e o esperma numa incubadora à temperatura do corpo, na expectativa de que ocorram a fertilização e a divisão celular.  Tudo deve ser mantido o mais livre possível de contaminação. Se o exame microscópico confirmar que os óvulos foram fertilizados, eles devem estar prontos para reimplante cerca de 48 horas depois de terem sido coletados”.  

Na mesma direção, ainda falando sobre essas fases, para a 4ª o reimplante do óvulo no útero, buscamos o posicionamento dos doutores João Pedro Junqueira Caetano, Ricardo Marinho e Leonardo Meyer de Moraes, em seu livro Infertilidade e Concepção Assistida.  Ditos doutores esclarecem que “O momento do reimplante dos óvulos deve ser exatamente preciso. Dois dias após a fertilização, introduz-se o zigoto na cavidade uterina com uma sonda fina que passa pelo canal cervical. Se o zigoto estiver no estágio certo de desenvolvimento para implantação e o útero da mãe, no estágio adequado para recepção, o óvulo fertilizado se fixará na parede uterina e começará o desenvolvimento normal. A maioria das mulheres recebe injeções ou supositórios de progesterona durante duas semanas após o reimplante para aumentar as chances de êxito. Também se administram antibióticos entre o momento da laparoscopia e a colocação do embrião. A probabilidade de sucesso varia de clínica para clínica, mas nas melhores, raramente ultrapassa os 30%. O abortamento é mais frequente na fertilização in vitro que na gravidez normal”.

Vamos ver agora a técnica transvaginal de fertilização in vitro.  – Essa técnica ficou mais comum na Suécia, Inglaterra, Austrália e Estados Unidos. No Brasil a coisa está chegando aos poucos. Nela, o uso de drogas fertilizantes e o acompanhamento do desenvolvimento folicular são semelhantes à primeira técnica de fertilização in vitro. (Rever a ‘fase 1’, conforme esclarecimento do doutor Newton Eduardo Busso). Só que aqui, não se usa a laparoscopia. Vejam, caras amigas, o que diz o doutor Giuliano Bedoschi ginecologista e obstetra, da (Clínica de Reprodução Humana Mater Prime em seus vários textos disponíveis na Internet). “Recolhem-se os óvulos com uma agulha introduzida no folículo através da vagina ou da bexiga, sob orientação ultrassônica. Uma sonda ultrassônica recentemente desenvolvida pode ser introduzida através da vagina até junto dos folículos que contém os óvulos maduros. Introduz-se então, pela sonda, uma pequena agulha no ovário. Os óvulos são delicadamente aspirados e colocados no recipiente de vidro”. Atenção: aqui se repete, sem tirar nem pôr, as fases 3 e 4 acima. Praticamente nada muda.  “A fertilização in vitro transvaginal foi bem recebida, pois é mais simples, menos dolorosa e dispensa a laparoscopia, tornando a operação mais prática e menos cara.

Para concluir, o método GIFT, que citamos no primeiro texto, estão lembradas? – a transferência intrafalopiana de gametas foi desenvolvida pelo doutor Ricardo Asch, na época, trabalhando no Centro Médico da Universidade da Califórnia, em Irvine, quando o especialista pesquisava no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, em San Antonio. Essa técnica, desde então, é hoje amplamente usada em muitos centros; é considerada, inclusive, superior à fertilização in vitro e à transferência de embrião. 

Bem, amigas, era o que eu queria trazer. Espero que, de alguma forma, com as pesquisas que realizei, pequenas coisas que pareciam bichos de sete cabeças, como podem perceber, a coisa, na realidade, não é lá tão feia assim. Fiquem em paz e com Deus.

TIRA DÚVIDAS:      
Hamster: - pequeno mamífero roedor, muito usado em laboratórios.
Folículos: - óvulo em crescimento dentro de uma espécie de casulo.
Zigoto: - célula resultante da união do gameta masculino ao feminino
Intrafalopiana: - transferência intratubária de gametas se as trompas de Falópio estiverem funcionando sem problemas.
Gametas: - células que darão origem a um embrião.  

Título e Texto: Carina Bratt, de Vila Velha, no Espírito Santo. 10-05-2020 

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