domingo, 16 de outubro de 2016

“Eu e os políticos – O que não pude (ou não quis) escrever até hoje”


A habitual malta que domina Portugal dos pequeninos se indignou com este livro e alardeou: Passos Coelho apresenta livro sobre vida sexual dos políticos... Sim, na mesma manchete, quer dizer, em uma única frase, um ataque a Pedro Passos Coelho e a insinuação sobre o (desqualificado) teor do livro.

Editoriais foram escritos, comentários nas televisões foram ditos, pelos MESMOS papagaios, contra o ex-primeiro-ministro! Como era possível Passos Coelho apresentar um livro de “mexericos” (sic) e… quase pornográfico?! Pornográficos foram esses ‘comentários’, como se essa malta de indignados fizesse outra coisa que não mexericos e insinuações sobre a vida, o passado e as intenções de Pedro Passos Coelho. Deste e/ou de qualquer um que ouse romper com o status quo alienante e ultrapassado.

Pois bem, li o livro. Fiquei bastante frustrado em não achar no livro detalhes ou descrições do tipo “ela olhou para ele enquanto lhe apalpava o membro reprodutor… ele, louco de tesão, revirava os olhos e arrancou os botões da blusa que ela começava a desabotoar…”, não, não vi nada disso. Essa súcia que vive nos jornais, revistas e nas TVs deveria ser julgada e condenada por propaganda enganosa!

Embora zangado por ter sido enganado, gostei do livro. Os caracteres dos políticos elencados pelo autor, revelados explícita ou implicitamente, batem com o que eu pressentia dos mesmos.

“Este livro de José António Saraiva traz à luz do dia um conjunto de episódios polémicos, vividos na primeira pessoa, com diversos políticos e personalidades que ocupam as páginas da história recente do nosso país: Alberto João Jardim, Álvaro Cunhal, Ângelo Correia, Aníbal Cavaco Silva, António Costa, António Guterres, António Horta-Osório, António Ramalho Eanes, Daniel Proença de Carvalho, Diogo Freitas do Amaral, Domingos Duarte Lima, Ernâni Lopes, Fernando Nogueira, Francisco Pinto Balsemão, Hélder Bataglia, Henrique Medina Carreira, João Soares, Jorge Braga de Macedo, Jorge Jardim Gonçalves, Jorge Sampaio, José Luís Arnaut, José Manuel Durão Barroso, José Pacheco Pereira, José Sócrates, Leonor Beleza, Luís Filipe Menezes, Luís Marques Mendes, Luís Valente de Oliveira, Manuela Ferreira Leite, Manuel Dias Loureiro, Manuel Maria Carrilho, Manuel Monteiro, Marcelo Rebelo de Sousa, Margarida Marante, Mário Soares, Miguel Portas, Nuno Morais Sarmento, Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes, Rui Machete, Vítor Constâncio.Ao longo de mais de 40 anos como comentador e jornalista - 23 dos quais como director do Expresso e nove como director do Sol -, o autor conheceu pessoalmente quase todos os políticos de primeira linha. No momento em que deixa profissionalmente o jornalismo - embora não a colaboração na imprensa - José António Saraiva considera ter chegado o momento de divulgar aquilo que não pôde (ou não quis) escrever até hoje.”

O perfil de Pedro Passos Coelho, às páginas 244 a 248 (incluindo a revelação da grosseria de Dilma Rousseff) é o que é e não o que os esquerdopatas e ‘velhos do Restelo’ teimam em espalhar, conforme a mediocridade dos primeiros e a inveja dos segundos, e o ‘democrático´ódio de todos. Taí uma pequena, quiçá a maior, justificativa para o desenrolamento de tanta “indignação”.

Eu gostei do livro. Li-o de uma assentada. Recomendo-o a quem queira perceber o que move as declarações de um ou outro político português – o que está atrás.

No capítulo dedicado a Luís Marques Mendes, ex-presidente do PSD e atual ‘comentador’ televisivo, copiei Não se pode confiar em Sócrates”, não por causa deste, mas por causa do que escreve António Saraiva sobre… os comentadores.

A última vez que conversámos a sós foi num almoço num restaurante onde nunca tínhamos ido, do qual não recordo o nome. Marques Mendes era na altura líder do PSD e Sócrates era primeiro-ministro. A dada altura, Mendes diz-me taxativamente: “O primeiro-ministro é uma pessoa em quem não se pode de todo confiar.” E adiantou aquilo que eu já sabia: que Sócrates mentia com a maior facilidade. Não era possível fazer nenhuma negociação séria com ele, pois desdizia num dia o que dissera no dia anterior. Mendes também falou das suas próximas propostas políticas como líder do PSD, de que retive a privatização de transportes públicos urbanos que ainda estavam nas mãos do Estado (e eram muitos) e a privatização da RTP.

Desde aí julgo que não voltei a falar com ele. Depois tornou-se comentador e eu escrevi alguns textos críticos em relação aos político-comentadores, de que não terá gostado. Mas sempre achei isso uma promiscuidade. Porque eles não podem com isenção. Não podem dizer o que pensam. No fundo, estão ali para, a pretexto de comentários, irem construindo uma certa imagem. Para fazerem a propaganda de si próprios. Isso foi patente em Marcelo Rebelo de Sousa, que só largou o seu espaço na TVI nas vésperas de anunciar a candidatura presidencial. Usou o programa até ao último dia. (Marcação do Editor)

A importância que os políticos atribuem a esses seus espaços de comentário televisivo pode medir-se pela verdadeira obsessão que mostram relativamente às audiências. Informam-se sobre elas doentiamente. Quando, por exemplo, o seu comentário coincide com um jogo de futebol noutro canal, ficam de rastos. Chega a parecer impossível. E o facto de quererem ser populares é demasiado evidente. Por exemplo, nenhum político-comentador, durante o tempo da troika, defendeu as políticas de austeridade. Punham sempre uns “ses”: “Eu faria de outra maneira…”, “O Governo podia ter mais sensibilidade social…”, etc. Nunca se comprometeram.

Os políticos-comentadores são um pouco como os treiandores desempregados – que, para manterem a visibilidade, se tornam comentadores de futebol. E raramente assumem posições de ruptura. Porque podem voltar a ter emprego e não querem que os seus comentários lhes possam complicar a vida no futuro. 

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