sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Adivinha quem não vem para jantar

Alberto Gonçalves

Pela Europa fora, são diversos os partidos totalitários que participam no arranjinho. Cá dentro (Portugal), conta com diversas filiais, todas subsidiárias da extrema-esquerda e principalmente do BE

Um restaurante no Porto foi vandalizado porque o seu proprietário ignorou um “apelo” e participou num festival gastronómico em Telavive.

Foto: Leonel de Castro/Global Imagens

Podíamos pegar no lado cómico da coisa, como no facto de um dos subscritores do “apelo” ser uma organização contra a “lesbigaytransfobia” (?) que, na prática, abomina uma das nações mais tolerantes na matéria e defende sociedades onde a dita fobia é obrigatória por lei – a possibilidade de a Pantera Rosa integrar um único homossexual autêntico ou sem perturbações mentais é idêntica à de Luther King ter liderado o KKK.

Mas a coisa não tem graça. Atacar as montras de judeus ou de “cúmplices” de judeus não é uma proeza caída do céu. Caiu diretamente de 10 de Novembro de 1938, quando milhares de lojas na Alemanha e na Áustria foram destruídas ou alvo de insultos pintados nas fachadas [fotos]. Incomparável na dimensão, o que aconteceu na rua Mouzinho da Silveira da Silveira é uma citação consciente da Noite de Cristal e um acto de homenagem ao nazismo.




É verdade que, com regularidade, os media alertam para o regresso do ódio que nos ameaçou há três quartos de século. Por azar, falham na identificação dos portadores. A histeria destes dias prende-se com a eleição de Trump e com o sucesso nas sondagens da sra. Le Pen, dois fenómenos que, segundo consta, sugerem um eventual perigo. Os media esquecem-se de notar que o perigo já anda à solta. E que, no caso português, até influencia decisivamente o governo.

A quadrilha que manchou de vermelho o restaurante de José Avillez intitula-se BDS (Boicote, Desinvestimento, Sanções), braço de propaganda do terrorismo palestiniano e instrumento de divulgação de ideais anti-semitas. Pela Europa fora, são diversos os partidos totalitários que participam no arranjinho. Cá dentro, conta com diversas filiais, todas subsidárias da extrema-esquerda e principalmente do BE. No dia-a-dia, o BE destaca-se pelas “causas” esdrúxulas, pelo ressentimento social e pela descrença no champô. Porém, conforme prova a legitimação do incidente praticada no site esquerda.net, nada anima tanto aquelas almas quanto o anti-semitismo, que para consumo dos simples disfarçam sob o curioso conceito de “anti-sionismo”.

O “anti-sionismo” permite tudo. Permite que, em lugar de se defender diretamente a extinção de Israel, se defendam os movimentos dedicados à extinção de Israel. Permite que, em lugar de se promover o assassínio de judeus, se tomem por vítimas os respectivos carrascos. Permite que os seus emissários adquiram um verniz de “respeitabilidade” que, com um à-vontade de que os skinheads de Odivelas não desfrutam, os leva a ocupar colunas jornalísticas, debates televisivos e cadeiras junto ao poder.

Há um ano, o dr. Costa anunciou orgulhoso o fim do “muro” que separava o “sistema” da extrema-esquerda. Toldado pelo oportunismo e pela alarvidade, não percebeu que o “muro” era uma barreira face à selvajaria.

Se José Avillez é “cúmplice” de Israel, o Governo – faça bom proveito – é cúmplice de rematados populistas, racistas e, desculpem lá, fascistas. Enquanto gastam as palavras, eles mantêm vivos os actos.
Título e Texto: Alberto Gonçalves, Sábado, nº 656, 24 a 30 de novembro de 2016
Digitação: JP

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