domingo, 3 de maio de 2020

[As danações de Carina] A Louise Brown, ou o sonho que renasce em nós, mulheres, a cada dia

Carina Bratt

Amigas, vocês se lembram de Louise Brown? Nas nossas “Danações” de hoje, vamos falar dessa jovem que ficou famosa no mundo inteiro, desde que nasceu, há quarenta e dois anos atrás, ou mais precisamente em 25 de julho de 1978. Louise foi a primeira criança viva a ser concebida fora do corpo da mãe, ou seja, ela nasceu de uma proveta, um recipiente de vidro em forma de tubo. Literalmente, um receptáculo ou conduto que a medicina dos nossos dias atuais chama de tubo de ensaio. A expressão usada na época, se espalhou mundo afora, como “Bebê de proveta”. Errado, claro! Contudo, na época...
 
Louise Brown, entre os pais, Bristol, Inglaterra, 25 de julho de 1978
A denominação é enganadora, pois sugere (ou naquela ocasião passava essa impressão) que o bebê, realmente veio à vida concebido fora do corpo da mãe. Com os avanços da ciência, a proveta se tornou “fertilização in vitro”. E o que é a “fertilização in vitro?” Na prática, uma criança de proveta nascida fora do útero materno, uma vez que o óvulo da mãe é fertilizado (grosso modo, fecundado, estercado, preparado) fora dos padrões normais, ou distante do corpo da mulher. A operação toda é complexa e exige o domínio de várias disciplinas médicas. O trabalho pioneiro nesse campo foi realizado pelos doutores Robert M Edwards e Patrick Steptoe.

“Uma possível candidata à fertilização in vitro -, explica a doutora Juliana Amato em seu livro Em busca da fertilidade - seria a mulher cuja infertilidade deriva de problemas tubários, tais como trompas danificadas, bloqueadas ou ausentes, mas que é saudável, não tem problemas de ovulação e cujo parceiro é fértil”. E continua a doutora Juliana em sua explanação: “Quando as trompas estão bloqueadas ou simplesmente não existem, é impossível. O que acontece na natureza deve ser imitado com grande habilidade no laboratório, num esforço de substituir artificialmente as funções vitais das trompas”.

E conclui: “O processo inteiro da fertilização in vitro foi levado quase à perfeição nos últimos anos. Novas técnicas e métodos tornaram-na muito mais viável. Agora, quase todas as mulheres podem conceber e ter um filho, só que o largo uso de drogas fertilizantes provocou um aumento na incidência de nascimentos múltiplos depois dessa fertilização”.

Algumas clínicas famosas da Inglaterra, da Austrália e dos Estados Unidos só em 2019, registraram uma taxa de êxito da concepção in vitro de até 40%.  Infelizmente, muitas clínicas têm um índice muito baixo de sucesso. Uma pesquisa recente realizada pela Medical Tribune em metade de (54) das 108 clínicas de fertilização in vitro registradas na Sociedade Americana de Fertilidade revelou uma tendência dessas clínicas de inflacionar as taxas de êxito fornecidas a repórteres, pacientes e ao público de uma forma geral. 

Os preços dessas clínicas chegavam a ser estratosféricos. Variavam de médico para médico (ou de especialistas para especialistas), embora metade delas jamais tivesse mandado uma paciente com filho para casa. Tais clínicas totalmente fracassadas trataram de mais de cinco mil mulheres e ganharam uma soma bastante considerada em dólares. É verdade que existe uma infinidade de clínicas muito honestas, bem dirigidas e bem-sucedidas, tanto nos Estados Unidos como em outros países, inclusive aqui no Brasil. O casal que deseja tentar esse tipo moderno de concepção deve selecionar a clínica baseado numa avaliação muito cuidadosa de cada uma delas.

Vamos ver agora alguns tipos de fertilização in vitro. As diversas técnicas nessa modalidade dão à mulher várias alternativas. O método mais conhecido, de acordo com a doutora Érica de Souza, ginecologista e infectologista de São Paulo, é o que foi usado, há quarenta anos, na concepção de Louise Brown: “colhem-se óvulos com um laparoscópio (ou videolaparoscopia) e faz-se a fertilização num recipiente de vidro. O óvulo fertilizado (ou adubado, ou ainda habilitado) é introduzido na mulher. Esse ainda é o tipo mais comum – embora não seja o mais bem-sucedido – de técnica de proveta. Em vez de coletar os óvulos através de, repetindo, um laparoscópio, é possível aspirá-los – com a orientação do ultrassom – com uma agulha enfiada através da vagina ou da bexiga, o que dispensa a laparoscopia. Em seguida os óvulos são fertilizados num recipiente de vidro e recolocados no útero”.

Louise Brown esperando o seu segundo bebê, julho de 2013
Uma nova técnica de fertilização in vitro, o assim chamado método GIFT (Revista do Bebê  –  ou (transferência intra falopiana de gametas), é mais simples e mais bem-sucedido que a técnica original da proveta usada pelos doutores Robert e Patrick. O método GIFT também faz uso da laparoscopia, oportunidade em que os óvulos são aspirados do ovário; o passo seguinte é misturá-los com os espermatozoides e injetá-los diretamente na trompa de Falópio. Esse processo tem mais êxito que os demais métodos existentes. Falando neles, os últimos métodos de técnicas de proveta anunciados pela mídia, foram o da doação de óvulos e o da transferência de embrião.

Em nosso próximo encontro, que se dará em 10.05. p.v., falaremos das técnicas clássicas de fertilização in vitro, das drogas fertilizantes, da obtenção do óvulo, da fertilização, do reimplante do óvulo no útero e da técnica transvaginal de fertilização in vitro. Nossos agradecimentos especiais às doutoras Juliana Amato e Érica de Souza, pelos esclarecimentos prestados, bem ainda pelo carinho e a atenção que nos foram dispensados.
Título e Texto: Carina Bratt, de Vila Velha, no Espírito Santo. 3-5-2020   

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4 comentários:

  1. A famosa masturbação masculina relegada sempre a uma masturbação. Nem é dado nas estatísticas.

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  2. Verdade, amigo Roccha.
    Carina
    Ca
    Em Vila Velha ES.

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  3. Na minha modesta opinião, fertilização in vitro ,é uma negação do
    Primeiro entre o casal, pois reduz o primeiro ato da vida a uma masturbação e delegando fecundação a terceiros manipulados num vidrinho. Segunda que falta amor quando se deixa de adotar outra criança, que precisa dando amor como filho. Ato egoista no deseja de ser mãe ou pai! GESTO LAMENTÁVEL!

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  4. Na minha modesta opinião, fertilização in vitro ,é uma negação do AMOR,
    Primeiro entre o casal, pois reduz o primeiro ato da vida a uma masturbação e delegando fecundação a terceiros manipulando num vidrinho. Segunda que falta amor quando se deixa de adotar outra criança, que precisa, dando amor como filho. Ato egoista no desejo de ser mãe ou pai! Só existem duas formas de ser pai ou mãe ,resultantes de um ato de amor, no sexo tradicional,como a natureza previu , ou atraves de adoção!

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