segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Costa não quer luta contra a corrupção

Cristina Miranda

Nunca as coisas foram tão claras como agora, ao tomarmos conhecimento que Costa não colocou na lista a apresentar junto ao presidente da República, o nome de Joana Marques Vidal [foto] para o cargo de PGR (Procuradora-Geral da República]. E o mais incrível disto tudo é que ele nem sequer disfarça. Podia ter incluído o nome só para “inglês ver”. Mas não. O ato de omitir o nome é uma clara mensagem ao presidente da sua intenção de não a ver renomeada. Clarinho como a água.


Assim, Costa declara que “não vê” qualquer mérito no trabalho de seis anos da atual PGR.  É isso mesmo! Portanto, a brilhante “Operação Marquês” que, pela primeira vez na história de Portugal, coloca no banco dos réus políticos, banqueiros e  ex-governantes como José Sócrates, Ricardo Salgado e Armando Vara, entre outros, por fraude e branqueamento de capitais; a corajosa “Operação Fizz” contra o ex-presidente angolano igualmente por corrupção; o megalómano “Processo Universo Espírito Santo” sobre o maior colapso financeiro registado em Portugal com ligações políticas nefastas para o erário público; e ainda a menos badalada “Operação O Negativo” de que já nem se fala, mas igualmente grave e que envolve o ex-presidente da Octopharma  e o ex-presidente do INEM, num esquema que envolvia a venda de plasma sanguíneo, lesando gravemente o Estado, não são currículo mais do que suficiente para reconduzir esta competentíssima profissional. Não, senhor. É “currículo a mais” para o cargo que se deseja ser desempenhado por gente frouxa, “amiga do seu amigo”. Ao estilo daquele que safou Sócrates quando ele era ainda primeiro-ministro. Percebem?

É preciso, portanto, chutá-la dali para fora por falta de “perfil adequado”. Porque para governos opacos que gostam de se mover em lodo, transparência, justiça e separação de poderes não interessa nem um pouco. Porque isso torna-se um obstáculo ao “safanço” dos amigos entalados na justiça e que com uma “Joana Marques Vidal” no caminho, poderão ser uma ameaça, abrindo a boca, levando consigo outros para o banco dos réus assim que perderem a imunidade parlamentar. Estão a ver o problema? Assim, Mulheres determinadas, isentas e sem qualquer hipótese de compadrio, não são desejadas no meio podre da máfia portuguesa, que ameaça todos de alguma forma, de tantos tentáculos que os ligam entre si.

O problema é que ao não reconduzir Joana Marques Vidal, Portugal perde credibilidade porque está a passar a imagem para o exterior, de que não privilegia o combate à corrupção, antes combate quem lhe faz frente de forma exemplar. Cá dentro passa a imagem de que não existe justiça igual para todos, nem separação de poderes, mas sim, arranjos políticos tal como nos países do terceiro mundo. É a desacreditação total de uma Nação que se diz democrática, mas a toda a hora se comporta como numa ditadura.

O único que pode e deve salvar a honra deste país, é o presidente da República com o poder de decisão que lhe cabe nestas circunstâncias, de acordo com a nossa Constituição. Será dele a última palavra. E dele, espera-se sentido de Estado que ponha ordem nesta bagunça. Falta saber se será essa a decisão, para dar continuidade a um trabalho louvável e irrepreensível ou se vai deixar que a política tome conta da justiça em Portugal.

Esperemos que a defesa pelos interesses da Nação e não outros, fale mais alto na hora de assinar.

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