sábado, 27 de agosto de 2022

Não existe estado de direito no Brasil

Diante da escalada totalitária de Alexandre de Moraes, qualquer um que insista na conversa furada de que nossas instituições estão funcionando perfeitamente é cúmplice dessa tirania togada

Imagem: Shutterstock

Rodrigo Constantino

O empresário Marco Aurélio Raymundo, da Mormaii, sofreu busca e apreensão e quebra de sigilo fiscal e telemático por escrever em um grupo de WhatsApp: “Golpe foi soltar o presidiário. Golpe é o ‘supremo’ agir fora da constituição. Golpe é a velha mídia só falar merda”. Já o empresário José Koury, dono do shopping Barra World, sofreu busca e apreensão e quebra de sigilo fiscal e telemático por escrever em um grupo de WhatsApp: “Prefiro golpe do que a volta do PT. Um milhão de vezes”.

Aos 82 anos, o discreto empresário José Isaac Peres, da rede de shopping Multiplan, sofreu busca e apreensão e quebra de sigilo fiscal e telemático por escrever: “Lula só ganha se houver fraude grossa!” e “o STF tem 10 ministros petistas”. Meyer Nigri, da Tecnisa, sofreu busca e apreensão e quebra de sigilo fiscal e telemático por repassar texto que dizia que Barroso interfere nas eleições ao mentir sobre o voto impresso. Ivan Wrobel, da Construtora W3, sofreu busca e apreensão e quebra de sigilo fiscal e telemático por escrever: “Quero ver se o STF tem coragem de fraudar as eleições após um desfile militar na Av. Atlântica com as tropas aplaudidas pelo público”.

Afrânio Barreira, Grupo Coco Bambu, sofreu busca e apreensão e quebra de sigilo fiscal e telemático por mandar gif de joinha no grupo, curtindo um comentário alheio. Luciano Hang, da Havan, sofreu busca e apreensão e quebra de sigilo fiscal e telemático por escrever: “Temos mais 4 anos de Bolsonaro e mais 8 anos de Tarcísio aí não terá mais espaço para os vagabundos”. Além disso, todos tiveram contas em redes sociais censuradas. 

O vice-prefeito de Porto Alegre, o advogado Ricardo Gomes, comentou: “Crime de: mandar mensagem no WhatsApp. Artigo do Código Penal? Não tem. Pena? Não tem. Precedente? Não tem. Acusação do Ministério Público? Não tem. Defesa prévia? Não tem. A democracia Alexandrina é criada à imagem e semelhança do AI-5”.

Diante da escalada totalitária do ministro Alexandre de Moraes, qualquer um que insista na conversinha furada de que nossas instituições estão funcionando perfeitamente é um cúmplice dessa tirania togada. Figuras como Rodrigo Pacheco, o presidente do Congresso Nacional, servem apenas para dar uma aura de legitimidade ao completo absurdo. São uns inúteis na melhor das hipóteses.

Não existe crime de opinião previsto em nossa Constituição. O cidadão pode ter sua preferência subjetiva até mesmo por um regime opressor, e basta lembrar que existe até hoje um partido estabelecido que prega oficialmente o comunismo

Não há mais qualquer resquício de Estado de Direito em nosso país. As leis foram rasgadas, a Constituição foi estuprada por quem deveria ser seu guardião, e o arbítrio tomou conta de tudo. Os empresários “golpistas” não possuem foro privilegiado, logo não há sequer competência para o STF no caso. Não há qualquer crime cometido, ou mesmo indício de crime. Não obstante, a imprensa militante antibolsonarista insiste em passar pano e justificar ou amenizar aquilo que é simplesmente surreal.

Só o fato de repetirem “empresários bolsonaristas” já expõe o viés, uma vez que nunca vimos a mídia usar a expressão “empresários lulistas” para se referir aos que apoiam o ex-presidiário petista. É totalmente bizarro relativizar a busca e apreensão de celulares de empresários por conversas particulares num grupo fechado, por emitirem suas opiniões, por preferirem, que seja, uma ditadura à volta de Lula ao poder!

Não existe crime de opinião previsto em nossa Constituição. O cidadão pode ter sua preferência subjetiva até mesmo por um regime opressor, e basta lembrar que existe até hoje um partido estabelecido que prega oficialmente o comunismo. Jornalistas que sabem disso tudo e mesmo assim alegam que o STF “pode saber de algo mais”, para não condenar com veemência a agressão sofrida por esses empresários, não passam de militantes cúmplices do autoritarismo.

É hora de união. O ministro Alexandre de Moraes passou de todos os limites aceitáveis, e não é prudente achar que os alvos ficarão circunscritos ao “bolsonarismo”. A esquerda moderada precisa levantar sua voz contra esse abuso, pois amanhã qualquer um pode ser vítima de abuso. É preciso defender princípios, valores, o império das leis, deixando de lado o ódio que porventura sintam por Bolsonaro. É algo muito maior que está em jogo aqui.

A esquerda radical está em polvorosa, e o senador Randolfe Rodrigues, com ótimo acesso ao STF, já pediu até a prisão dos empresários, antes de qualquer coisa. Agora já falam em quebra de sigilo do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, pelo “crime” de ter amigos entre esses empresários. Parece que ele era o real alvo dessa operação bizarra. Os comunistas estão dobrando a aposta, desesperados. Cabe a todos os demais, inclusive os mais moderados dentro da esquerda, reagirem contra esse avanço totalitário. Depois poderá ser tarde demais. Vide a Venezuela…

Título e Texto: Rodrigo Constantino, Revista Oeste, nº 127, 26-8-2022

Prezadíssimo Constantino, “moderados dentro da esquerda”…

Um comentário:

  1. Nunca ouvi falar, do alto dos meus sessenta e nove anos, que neste pais de merda existisse o “Estado de direito”. Conheço o "Estrado de direito", ou seja, aquela base de madeira entrelaçada igual beijos de bichas loucas, que a gente compra nas lojas que vendem camas e colchões. As putas adoram os Estrados, notadamente se vierem acomodados com um bom colchão. No brazzzzel, o “Estado de Direito” faz tempo, virou "Estrago de direito". Que porra é essa? “Estrago de direito”, perdão, “Estrado de direito” em dias atuais, se entende por aquele púlpito (que foi feito direito e não de forma errada), trocado em miúdos, local elevado do chão, onde os picaretas que pleiteiam cargos públicos para continuarem mamando nas tetas, sobem para fazerem promessas e discursos e engambelarem os Trouxas e Manés. Os “Estrados” servem também como proscênios para os vigaristas já travestidos e vindos de velhos carnavais, como parlamentares, “devogados” juízes, promo”CO”res, mi”SI”nistros falarem bonito e provarem que sabem cagar bem pela boca suja de dentes podres e o melhor de tudo, asseverarem que conhecem profundamente, como as pregas de seus rabos, a “noça” querida e fodida, desculpem, a "nosça" querida e fornida língua portuguesa. “Estado de direito” pode ser visto por outra ótica, ou seja, a daquele casalzinho de pombinhos que comprou um pacote para final de semana curtir a sua esposa, amiga, namorada, amante, ficante, num lugarzinho aconchegante, como Fernando Semvergonha, uma ilha ao sul da França ou a famosa e não menos importante Chupada dos Viadeiros, lugar paradisíaco, encostado ao lado da Cracolândia no centro nelvralgico de brazzzilia, ou mais precisamente ao largo do Lago Sul.

    Aparecido Raimundo de Souza
    de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul

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