sexta-feira, 19 de agosto de 2022

A criminalização da opinião

Diretor de redação do Correio da Manhã, Cláudio Magnavita, defende o direito de opinião e reclama do perigoso patrulhamento

Uma publicação na coluna do conceituado jornalista Guilherme Amado, do site Metrópoles, apontou que empresários defendiam “um golpe” no caso da eleição do presidente do PT. Rigorosa na apuração, a coluna procurou ouvir as duas partes. Erra a matéria na chamada sensacionalista ao sugerir que os empresários estavam em conluio contra o regime democrático. Pelo contrário, estavam exatamente exercendo o direito democrático de opinião em um grupo fechado, o qual aquela coluna diz ter acompanhado durante semanas.

Existe até hoje no Brasil uma espécie de “mea culpa” por ser de direita. As manifestações de opinião e posições políticas só são válidas para a esquerda. Quem está mais à direita ou ao centro sofre policiamento constante e ataques por qualquer posição mais pública.

O caso em tela revela a posição pessoal de dirigentes empresariais, e não de suas empresas ou dos seus negócios, muitos deles florescidos no governo do PT ou do PSDB. Apoiar Jair Bolsonaro ou um outro candidato mais à direita não é pecado. Ter repulsa a um governo que pilotou o maior escândalo de corrupção planetária, o da Petrobras, também não é pecado.

Como também não é pecado ser empresário, como a grande parte dos jornalistas militantes da esquerda tenta carimbar. O próprio site Metrópoles pertence ao exitoso empresário do ramo imobiliário, o ex-senador Luiz Estevão, e que investe pesado nesta mídia on-line, pagando rigorosamente em dia os melhores salários da imprensa brasileira. Graças a este empresário, que já teve engajamento político, muitos colegas estão empregados em um setor em crise.

O que o jornalista “flagrou” foi cidadãos e eleitores exercendo sua cidadania, dizendo apenas suas preferências de opinião. Isso é bem diferente de financiar ou participar de um golpe, como alguns setores produtivos fizeram em 1964, ou no impeachment da Dilma.

Este sensacionalismo que beira ao patrulhamento é perigoso quando parte do STF, ao aplicar duras penas contra parlamentares que teriam o direito constitucional de opinar. Este cerceamento da liberdade de expressão é antidemocrático. Uma das frases mais conhecidas do filósofo Voltaire é: “Posso não concordar com uma única palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la“.

Estamos vivendo um Brasil patrulhado, onde a possibilidade do atual presidente conquistar um novo mandato nas urnas tem acirrado os ânimos. Que mais empresários exerçam a cidadania e defendam as ideias que acreditam. A democracia é a convivência das diferenças e devemos respeitar quem cria empregos e distribui renda.

Ser condenado publicamente por distribuir bandeiras do Brasil no bicentenário da nossa independência não pode ser criminalizado como ato antidemocrático. Aliás, na data, o Correio da Manhã irá encartar na sua edição uma bandeira brasileira. O Brasil tem quebra-mar acima destas picuinhas intimidadoras.

Título e Texto: Claudio Magnavita,  Diretor de redação do Correio da Manhã, via Diário do Rio, 18-8-2022 

Um comentário:

  1. Realista 19 de agosto de 2022, 05:29
    De fato, não é pecado apoiar candidatos à direita, também não é pecado ter repulsa a determinado governo, muito menos é pecado ser empresário.

    O pecado é apoiar um golpe. Seja ele azul ou vermelho… Ou marrom…

    Jim Pereira 19 de agosto de 2022, 16:57
    Que golpe?? Por gentileza, nos elucide, pois tenho ganas de participar. Já separei o meu estilingue!

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