segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Racionamento eletrônico e controle social na Venezuela

POLITBURO COMUNISTA DA VENEZUELA BUSCA MEDIDAS PARA AUMENTAR O CONTROLE SOCIAL DO GOVERNO SOBRE O CIDADÃO.

Francisco Vianna

O regime socialista bolivariano estuda pôr em prática terminais biométricos em supermercados, bancos, e até em cinemas, para aumentar o controle social do povo, desestimular protestos e aumentar o racionamento de tudo.

O Palácio Miraflores, em Caracas, anunciou um mecanismo de combate ao contrabando que se constitui na instalação de um sistema de identificação biométrica em supermercados, bancos, e até em cinemas venezuelanos, que aparentemente tem a finalidade de se tornar num asfixiante mecanismo de intimidação e controle social que vida aumentar em muito a dependência do cidadão ao estado ‘bolivariano’ e sufocar a disposição da maioria em protestar.

Os entendidos em economias estatizadas e centralizadas consideram tais planos de instalar um polêmico sistema eletrônico de identificação biométrica, inicialmente nos supermercados, não passam de passos iniciais para pôr em prática o chamado “racionamento computadorizado”, aproveitando a forma como Havana distribui uma miséria igualitária ao povo cubano, que, em última análise, servirá para subjugar a vontade de dissentir dos venezuelanos.

Um desses especialistas é Jaime Suchlicki, diretor do Instituto de Estudos Cubanos e Cubano-Americanos (IECCA), que afirma: “Na Venezuela o regime trata de imitar ao máximo as medidas adotadas pelo regime comunista cubano. A influência cubana, por via de intensa assessoria dirigida pelos Castros, é fundamental e intensa dentro do chavezismo”.

Tal medida é apenas a aplicação da experiência do regime cubano em termos de repressão à tecnologia atual. Membros do alto escalão do regime de Caracas dizem que “será uma espécie de sistema de racionamento novo do Século XXI”, pelo qual o politburo comunista “vai poder controlar o indivíduo ainda muito mais do que se controla em Cuba”. Ao racionar a comida e os artigos de primeira necessidade da população, o sistema, que deixou profundas marcas na população cubana, terá a finalidade precípua de submeter à vontade do regime de forma completa a vontade pessoal dos venezuelanos. 

“Como em Cuba, por quase cinquenta anos, não havia empresas privadas, todo mundo dependeu do “carão de racionamento” para viver e comer, mecanismo que Fidel Castro sempre utilizou para controlar a população”, acrescentou Suchlicki, dizendo ainda que “trata-se de um mecanismo não apenas de controle social, mas também de manipulação e distribuição de uma miséria igualitária, típica dos regimes socialistas. Se a pessoa não se conforma e não aceita o que o governo manda, não come. Caso a pessoa se ‘porte mal’, não terá seu cartão de racionamento renovado a cada mês ou tê-lo-á cassado, simplesmente”.

O sistema também se mostrou eficaz para restringir a mobilidade dentro da ilha-cárcere dos Castros. “O uso do cartão de racionamento só é válido na área onde o cubano reside, de modo que, quando viaja, ele não pode usá-lo em outras cidades, um meio de, na prática, proibir que a pessoa viaje”.

Ora, é claro que nada disso é comentado no discurso oficial do regime de Nicolás Maduro, que atribuí a grave crise de desabastecimento na Venezuela ao ‘contrabando’ e argumenta que o sistema biométrico é necessário para evitar que os produtos comprados “em excesso” acabem na Colômbia e outros países vizinhos.

Na semana passada, o mandatário disse num discurso que “a identificação biométrica não é um sistema de racionamento, mas o fim do racionamento. Ao contrário, é para que tudo o que se produz na república seja adquirido pelo povo […] e que o sistema biométrico não se destina prejudicar as famílias, mas sim a ajudá-las”. Só não disse que a Venezuela importa quase tudo e produz quase nada, vivendo, agora deficitariamente, do petróleo cuja extração e refino está em queda livre pela estatal PDVSA.

Em seu discurso populista e demagógico, Maduro afirma que “seu governo está em guerra da mais alta intensidade contra as máfias contrabandistas [...] Tem havido toda uma operação para irritar e atingir o povo com uma guerra econômica [...] que busca convencer as pessoas que a culpa é do governo e que o governo não tem como controlar a economia e, por isso, temos que evitar que tal coisa aconteça”.

Andrés Eloy Méndez, superintendente de “Preços Justos” disse que o novo sistema estará instalado nos supermercados até o próximo dia 30 de novembro, inclusive em cidades distantes das fronteiras. “O sistema vai também funcionar internamente” em todo o território nacional, onde prolifera o chamado ‘mercado negro’ e onde “se revendem a preços mais altos os produtos que escasseiam nos mercados estatais ‘regulares’”.

Segundo o governo, esse sistema biométrico ou de capta-digitais permitirá que cada venezuelano “faça suas compras semanais com uma extensão de quantidades bastante tolerante e ampla e assim evitar que uma pessoa compre até vinte vezes mais do que necessita”, explicou Méndez.

A verdade, no entanto, por trás de tudo isso, consiste no fato de que, mesmo que o sistema seja suficientemente tolerante para que o consumidor compre tudo o que necessita – segundo os analistas –, o venezuelano automaticamente passará a viver sob o controle estatal, com o chavezismo decidindo o que, o quanto, e com qual frequência poderá comprar, perdendo no processo seu direito de decidir.

“Ora, isso não visa absolutamente frear o contrabando, mas sim implantar um mecanismo de controle social diante da forte crise de abastecimento que se observa no país”, comentou Antonio De La Cruz, outro analista, que é diretor executivo da empresa de assessoria Inter American Trends. Afirmou ainda que “não apenas a medida vai permitir que o governo aplique o racionamento, como também permitir que um estado controlador saiba o que cada venezuelano compra, usa, coma, calce, vista, e adquira e finalmente permitir que controle cada um deles, exigindo-lhe a obediência em troca do acesso a um pacote de arroz ou a um litro de leite”, acrescentou De La Cruz.

Os venezuelanos dizem que vivem no país mais inseguro do mundo, não apenas com relação à sua segurança pessoal, mas principalmente com relação à segurança jurídica de quem se aventura em empreender e montar um negócio, uma indústria, ou uma empresa privada de serviços. Com isso, a Venezuela está cada vez mais se privando de sua mão de obra capacitada, que foge para o exterior, assim como dos capitais privados que praticamente não existem mais fora da curriola do politiburo comunista. Toda essa malversação da economia pelo chavezismo mantém o país cada vez mais isolado do mundo e privado de investimentos externos, que hoje são considerados essenciais ao desenvolvimento e ao crescimento do PIB. Somente a Coreia do Norte, Cuba, algumas republiquetas miseráveis africanas, e agora a Venezuela, insistem nessa receita de atraso e miséria social de seus povos.

Ainda não existe, com relação à Venezuela, uma política de bloqueio e de sanções econômicas por parte dos EUA e demais países desenvolvidos como ocorre com Cuba, mas qualquer venezuelano razoavelmente informado sabe que, mais dia, menos dia, a persistir o aprofundamento da cubanização do país, isso fatalmente acontecerá.
Título e Texto: Francisco Vianna, 25-08-2014

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