quarta-feira, 3 de maio de 2017

Miss Marple e a esquerda que defende o islão

José António Rodrigues Carmo

Miss Marple resolvia intrincados casos policiais por analogias com personagens do seu pequeno mundo rural. A sábia senhora sabia que a natureza humana está sempre perto da superfície, mesmo que convenientemente escondida por sucessivas camadas de verniz cultural e civilizacional.

A história, típica e anónima, foi-me contada por quem com eles viajava.

Um casal seguia na autoestrada. Ele ia a conduzir a 120 Km/h, e foi a essa velocidade que iniciou a ultrapassagem de um camião. Algumas centenas de metros atrás, um fitipaldi em aproximação já vinha a fazer sinais de luzes e, a uma velocidade estonteante, colou-se à traseira do carro dos nossos protagonistas, apitando e barafustando.

O homem detentor de uma notável fleuma, completou imperturbavelmente a ultrapassagem à velocidade a que vinha, fez sinal e retomou a faixa da direita. O fitipaldi estava furioso e fez questão de o demonstrar, plantando-se à frente do carro do casal e executando sucessivas travagens. Enfim, uma situação perigosa, mas banal nas nossas autoestradas.

Este poste é sobre a reação da esposa que, visivelmente nervosa, desatou a criticar o marido e a assacar-lhe culpas por ter incorrido na fúria do fitipaldi, apesar de ele não ter feito rigorosamente nada, e ter agido até com notável contenção.

Numa situação daquelas, se fosse eu o passageiro, a minha solidariedade estaria com o meu condutor e a fúria e a crítica reservá-las-ia para o fitipaldi.

A senhora, pelo seu lado, vê o seu mundo a ser agredido e, em vez de apoiar os seus, desata a criticá-los e a culpá-los. Não se lembrou de criticar o óbvio culpado. É como se, para ela, o fitipaldi não pudesse agir de outra forma, sendo obrigação do marido adivinhar, ceder e adaptar-se às características do fitipaldi, mesmo que para isso infringisse as regras do seu mundo.

É aqui que entra Miss Marple.

A senhora é de esquerda, mesmo que o não saiba, porque a sua atitude é exatamente a que define a esquerda “multiculturalista”: infinitamente tolerante para com o “outro” e absurdamente crítica com a própria cultura e civilização; sempre disponível para justificar e compreender o terrorismo e obcecada com a condenação e crítica daqueles que lhe fazem frente.

Aquela senhora estava disposta a todas as cedências e indignidades para desculpar o agressor e culpar o marido. Porque ele estava ali e era a maneira mais fácil de descarregar a frustração e o medo que a situação lhe causava. No imaginário dela, se o marido cedesse completamente ao agressor, ela não teria passado pela situação.

É exatamente o mesmo estado de espírito que explica a atitude da esquerda.

Na década de 80 a esquerda berrava “antes vermelhos que mortos”, e criticava não os mísseis russos apontados às suas cabeças, mas os que os americanos queriam instalar para responder a essa ameaça. Temia os russos e por isso criticava os americanos, por perturbar o seu tom ameaçador.

Hoje a esquerda critica, não o terrorismo, mas a resposta ao terrorismo. Não o islamismo, mas a resposta ao islamismo.

Não o Kim- Jong- Un, mas o Trump.

Tem medo dos americanos? Não, teme os "outros". Consequentemente, critica os americanos e todos aqueles que, como o marido da senhora, não se colocam de cócoras perante a vontade do "outro".

Onde desagua este estado de espírito?

Na rendição e na derrota. 
Título e Texto: José António Rodrigues Carmo, Facebook, 2-5-2017

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