quarta-feira, 3 de junho de 2020

Quando foi a última vez que aqui escrevi?

Luísa Castel-Branco

Quando foi a última vez que aqui escrevi? Imagino sempre que os leitores estão num autocarro em movimento pela cidade, ou num comboio que se apressa em chegar.

Mas agora, tudo o que sempre imaginei, tudo o que eu e quem me lê sempre tivemos por garantido, de tal forma que não perdíamos tempo a pensar nisso, absolutamente tudo mudou.

O mundo mudou e ninguém nos preparou para isto.

Continuo a acordar e a acreditar que tive um pesadelo, igual aos filmes de ficção científica, que sempre odiei. Mas afinal é a realidade.

Uma realidade cruel, que divide novos em velhos, sim, velhos afinal não são só os trapos. Somos nós também. Os mais vulneráveis. Os que acrescentam à idade as doenças e, por isto, estamos confinados em casa, a dizer adeus da janela aos filhos e netos, como se tal coisa matasse a saudade de um abraço, de um beijo, daquela gargalhada que só eles sabem dar!

E quem vai trabalhar vai com medo. Com cuidados, para não contrair este vírus invisível que devasta a humanidade por igual.

E depois o desemprego, a fome, a vergonha de pedir...

Ah! Sonho, sonhamos todos com o dia em que o mundo volte a ser o que era. Até lá vamos indo de mansinho, vamos rezando para que os outros cumpram também a sua parte e que nada de mal ataque quem amamos.

Este medo corrói-nos a alma por dentro, e damos por nós nesta luta solitária para o destruir!
Título e Texto: Luísa Castel-Branco, Destak, 2-6-2020

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