sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Coisas típicas do socialismo: Venezuela enfrenta escassez de gasolina

Francisco Vianna

Frentista conta dinheiro em posto central de Caracas
Imaginem só: o quinto maior país exportador de petróleo do mundo, a Venezuela, enfrenta problemas agudos de falta de gasolina provocada por uma intensa deterioração do seu sistema estatal de refino, bem como pelas enormes quantidades do combustível que são contrabandeados para fora do país.
Tamanho caos administrativo é ainda agravado pelas remessas políticas de gasolina para Cuba a preços “simbólicos” que, geram como resultado o fato da ‘república bolivariana’ ter passado hoje de país exportador para importador de gasolina sob o mandato do tiranete Hugo Chávez, cujo desgoverno agora se vê obrigado a importar gasolina do “império” americano, não apenas para suprir o consumo interno, como também para que a estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela, S.A.) possa cumprir com os compromissos contratuais feitos com seus clientes.
Segundo os especialistas, o racionamento do combustível no país pelo governo é iminente, em face da sua incapacidade de sustar o contrabando e de aumentar sua capacidade de refino de petróleo. De certa forma, esse racionamento já começou através de uma regulamentação governamental que obriga os donos de automóveis de estados fronteiriços a colocar um chip em seus veículos que mede a quantidade de combustível com que abastecem seus tanques. Tal medida gerou grandes protestos no estado de Zulia, e veio acompanhada de outra norma que limita a compra de gasolina a apenas 41 litros (10,83 galões) para cada dois dias, numa tentativa de controlar o maciço contrabando de gasolina para a Colômbia. Acreditam que a medida só não é mais drástica porque o país está num ano eleitoral e as perspectivas de Chávez nas eleições de novembro não parecem mais tão tranquilas.
Tudo leva a crer que, sob o pretexto de combate ao contrabando – que decididamente não se resolve dessa maneira – o futuro próximo do abastecimento de gasolina no país deverá piorar de forma crescente e que as normas de racionamento, hoje aplicáveis apenas para alguns estados, deva se agravar e se generalizar, uma vez que todo o sistema de refino e distribuição está deficitário em todo o país.
Em função do “socialismo do século XXI” – também chamado de bolivarianismo – o país não pode contar com investimentos privados no setor, em face da fuga de capitais do país nos últimos cinco anos. A queda abrupta da capacidade de produção de combustíveis do país limita qualquer aumento da indústria automotiva venezuelana que já vem em ritmo de demissão há cerca dois anos.
A insuficiente capacidade de refino da PDVSA parece ser um paradoxo para um país, que se jacta ter uma das maiores reservas petrolíferas do mundo (cerca de 316 bilhões de barris), e que há pelo menos dez anos exporta petróleo cru e gasolina para outros países, inclusive os EUA.
Em 2011, segundo números do próprio governo de Caracas, o país importou um milhão de barris de gasolina pronta apenas no mês de dezembro, volume que, abatido do total de compras de petróleo cru e derivado feito pelos EUA, corresponde a um total de 2,21 milhões de barris.
Por má administração e malversação dos recursos financeiros, típicos dos sistemas socialistas, a capacidade de refino da Venezuela foi se desmantelando ao longo dos últimos dez anos, agravada com a venda de refinarias que a estatal operava no exterior.
Para piorar a situação, a Venezuela não construiu uma única refinaria desde que Chávez assumiu o poder, apesar das promessas políticas de construir “dezenas delas”, dentro e fora do país. Dessas promessas, só uma parece estar se concretizando, por enquanto: a que fez aos irmãos Castro de construir uma refinaria em Matanzas, Cuba.
Por outro lado, o abastecimento nacional de combustível está também sendo afetado com o intenso contrabando de gasolina para os países vizinhos, onde impera uma gigantesca corrupção. Tais operações são extremamente lucrativas graças aos enormes subsídios que o governo de Caracas dá ao consumo de gasolina na Venezuela, onde um galão (quase 3,6 litros) pode ser comprado com 12 centavos de dólar, ou seja, 25 centavos de real, ao passo que na cidade de Cúcuta, na Colômbia, e do outro lado da fronteira, o galão sai por 1,30 dólares. É, pois, um hábito, as pessoas encherem o tanque na Venezuela, cruzarem a fronteira e esvaziá-los nos postos de combustíveis por quase sessenta vezes mais.
Diariamente, caminhões tanques abarrotados de gasolina cruzam a fronteira do Brasil, da Colômbia e da Guiana com a cumplicidade adquirida por meio de propinas das autoridades encarregadas de coibir esse tipo de contrabando. Trata-se de uma atividade que envolve alguns bilhões de dólares que sangram o erário venezuelano.
Título, Imagem e Texto: Francisco Vianna, 24-8-2012

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